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Produção, comercialização, cooperativismo e o avanço da agricultura familiar no RJ

2013-07-24

por Diego Fraga

III Feira da Reforma Agrária - MST RJNo estado do Rio de Janeiro, o mais urbanizado do país, a agricultura familiar vem ganhando folego e se organizando. Mesmo com toda a morosidade das instituições do estado, como INCRA, ITERJ e o poder Judiciário, as famílias assentadas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, vêm observando avanços. Com trabalho duro, dedicação e cooperativismo, um dos principais problemas das famílias assentadas vêm sendo aos poucos superado: a comercialização.

Dividido em três grandes regiões, Norte Fluminense, Baixada e Sul Fluminense, o estado do Rio de Janeiro vem acompanhando os esforços para a construção de experiências em cooperativas. Algumas estão em fase de estruturação, e outras com experiências já em curso, como é o caso da Região Norte.

A região, que possui o maior número de assentamentos do MST no estado, conta com 12 áreas de assentamentos e já tem uma boa experiência em cooperativismo. A região já conta com uma experiência bem sucedida com o trabalho do PAA, o Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal, que foi acessado por uma associação de assentados da reforma agrária da região, a APRUMAB.

Contando com a ajuda, principalmente, das universidades públicas da cidade de Campos, no caso UENF e IFF, os assentados conquistaram quatro espaços para a exposição de feiras, sendo três em Campos, nas Universidades, e uma em Cardoso Moreira. Desta relação à Feirinha Agroecológica da UENF já cumpre esse papel de dialogar com a sociedade e com a Academia há quase sete anos. “Além do gargalo de comercialização do Governo, que abrange uma região de três municípios, Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Cardoso Moreira, os assentados da região também conseguiram se organizar em feiras”, informa Hermes Cipriano, o Mineiro, do setor de produção do MST.

Crédito: Salvador Scofano. Fitoterápicos vendidos na feira da Reforma Agrária, em dezembro no Rio de Janeiro.

Crédito: Salvador Scofano. Fitoterápicos vendidos na feira da Reforma Agrária, em dezembro no Rio de Janeiro.

Na Baixada Fluminense, os assentados do Terra Prometida, um dos assentamentos do MST, também vem se organizando. Articulados junto a Rede Ecológica, os assentados, na organização da COOPATERRA, cooperativa do assentamento Terra Prometida, trabalham a entrega direta. Numa relação de diálogo direto com o consumidor, os assentados cooperados abrem discussão importante com a sociedade sobre a importância da Reforma Agrária.

– Se for falar de qualidade de vida não tem como não discutir a reforma agrária e a produção de alimentos de qualidade, e que seja baratos para que todos tenham acesso, diz Bia Carvalho, dirigente do MST e assentada na região.

Outra forma de escoamento utilizado pelos assentados da Baixada é participação de feiras populares da região, além da participação na feira da UFRRJ, onde aproxima o diálogo entre os Agricultores e a Academia.

– Hoje a Feira é o principal instrumento de divulgação da reforma agraria, é onde dialogamos com a sociedade, afirma Cosme Gomes, dirigente estadual do MST e assentado do Terra Prometida.

O Sul Fluminense também está num processo de construção de cooperativa. Os assentados da região já vêm construindo experiências organizativas, como grupos organizados na cadeia do leite e na produção de fitoterápicos. Além dos grupos organizados, os assentados da região também participam de feiras, como em Seropédica e Piraí. Outra alternativa de escoamento de produção e geração de renda, para os assentados do MST, que esta sendo experimentada nos assentamentos da região é a produção de mudas.

Além da alternativa econômica, os viveiros de mudas, antes de qualquer coisa, também tem a importância da produção de mudas de árvores frutíferas para suprir a própria demanda dos agricultores da região. A iniciativa também cumpre papel agroecológico importante, ao passo que propõe, também, a utilização das mudas frutíferas nativas no reflorestamento das áreas.

– Esta sendo construído nos três assentamentos da região, Terra da Paz, Vida Nova e Roseli Nunes, viveiros comunitários, informa Carlos, técnico da Cooperar que presta assistência técnica nos assentamentos do MST da região sul.

Feira da Reforma Agrária da UFRRJNo balanço da produção as regiões mostram sua diversificação de cultivos, demonstrando especificidades nas diferentes regiões, diferenciando também as formas de gargalo. Dos principais cultivos trabalhados pelas famílias nos assentamentos do MST no estado se destacam o aipim, as hortaliças, a criação de gado de leite e o cultivo de bananas. As diversas experiências organizativas no estado apontam os esforços para a superação dos principais problemas das famílias assentadas. A organização dos agricultores, assentados da Reforma Agrária, vem demonstrando os avanços dos trabalhos cooperativos, numa estratégia de dialogo com os diversos setores da sociedade, e a emancipação do próprio agricultor.

As experiências vêm crescendo no estado, fortalecendo o debate da Agroecologia, da Soberania Alimentar e do Cooperativismo, numa conjuntura que, cada vez mais, só aponta para a organização como a única forma de superação das principais demandas dos Agricultores.

Comentário

  1. Boletim 51 | Boletim do MST Rio
    24 julho 2013 @ 17:38

    […] Produção, comercialização, cooperativismo e o avanço da agricultura familiar no RJ […]

Comentários

Re: Produção, comercialização, cooperativismo e o avanço da agricultura familiar no RJ







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