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Site do boletim do MST do Rio de Janeiro

Curso de formação teatral militante

terça-feira 26 outubro 2010 - Filed under Sem categoria

A cada dia a exploração do trabalhador se exacerba. Cada dia um fato brutal novo que nos choca e indigna. E ainda sim, o consenso em torno do projeto hegemônico parece triunfar. Muitas das vítimas dessa estrutura recebem as agressões de forma naturalizada. Para alcançar isto, nesse mesmo capitalismo com contradições gritantes, a classe dominante utiliza, controla e domina a produção e difusão estética como poderosa arma de dominação. A classe trabalhadora vem sendo historicamente expropriada dos meios de produção artística. Não nos percebemos mais como potencialmente produtores de imagens, músicas e sons, palavras escritas e faladas. A burguesia monopolizou os instrumentos e canais de comunicação, conquistando e produzindo a subjetividade dos seres humanos moldados à naturalização e apoio de seu projeto. A arte popular torna-se rapidamente industrializável, mercantilizável. Distanciam-na cuidadosamente de seus possíveis impulsos subversivos. A produção estética hegemônica analfabetiza o ser humano, que embora olhe atentamente a televisão, não vê mais todas as dimensões manipuladoras contidas na programação. O bombardeio de informações estéticas hegemônicas tende a impedir a análise do que é produzido.

Deixamos de lado nossa capacidade de leitura do mundo. Assim, o capitalismo produz seres humanos alienados da produção artística e do exercício do pensamento crítico. Contra toda imposição estética hegemônica podemos produzir uma arte que desnaturalize a realidade, que rompa com sua imagem de inexorabilidade. Não uma arte manipuladora como a hegemônica, mas uma arte que possibilite a reflexão crítica, inclusive de seu próprio conteúdo e forma. Deste modo, a produção artística militante pode mostrar esteticamente a realidade, confrontando-a com a imagem naturalizada e incutida nas mentes. E contribuir para revelar as contradições que estavam ocultas!
Nesse esforço, organizamos o Curso de Formação Teatral Militante que está sendo realizado desde agosto de 2009 no estado do Rio de Janeiro. O curso acontece com etapas mensais e vem sendo realizado com a apoio de sindicatos, entidades e movimentos comprometidos com a classe trabalhadora. No curso estão sendo formados artisticamente militantes de movimentos sociais do campo e da cidade como o MST, o Fórum do Meio Ambiente do Trabalhador, o Núcleo Socialista de Campo Grande e Movimento Estudantil. Os educandos, após cada encontro mensal, levam a tarefa militante de repassar a metodologia aprendida para sua região, formando assim novos grupos, na perspectiva da multiplicação.

A linguagem fundamental de nossas atividades é o Teatro. E para produzir um teatro comprometido com nossas lutas recorremos ao Teatro do Oprimido (TO) uma vez que este é um método estético que visa à transformação da realidade e a humanização da humanidade a partir do DIÁLOGO – os oprimidos como protagonistas de sua própria libertação – e através de meios estéticos. O TO propõe uma comunicação que seja dialógica – que rompa com a passividade dos espectadores frente ao espetáculo – e que busque a nossa libertação das opressões às quais estamos submetidos. O TO propõe uma comunicação que seja dialógica – que rompa com a passividade dos espectadores frente ao espetáculo – e que busque a nossa libertação das opressões às quais estamos submetidos. O TO, sistematizado por Augusto Boal, tem por pressupostos que todas as pessoas possuem as mesmas potencialidades – todos somos capazes de fazer tudo o que outra pessoa é capaz de fazer, ainda que não da mesma forma ou sem nenhuma preparação. Somos todos atores, embora nem todos desempenhemos a profissão de ator. Mas é necessário criarmos condições para realizar tudo isto, por isso os exercícios, jogos e técnicas do TO objetivam a desmecanização física e intelectual de seus praticantes e a democratização do teatro.

Ao longo do curso a turma participou de atividades políticas com apresentações de peças teatrais, intervenções artísticas e oficinas. Entre as atividades está a manifestação do Grito dos Excluídos (7 de setembro de 2009), o Encontro dos Sem-Terrinha (2009), a abertura do Fórum Social Urbano (2010). Além dessas intervenções, o Curso de Formação Teatral Militante realizou um evento no Centro de Teatro do Oprimido com apresentações musicais, exposição de fotos e pinturas e apresentação de uma peça de Teatro-fórum sobre a saúde pública do Rio de Janeiro.

Somos humanos, somos artistas, somos filósofos. Podemos desenvolver nossas capacidades!! Dentro de nossas lutas por terra, vida, saúde, reforma agrária, dignidade, igualdade, liberdade, educação e trabalho incluamos urgentemente a ARTE!

2010-10-26  »  alantygel

Talkback

  1. | MST Rio
    27 outubro 2010 @ 0:49

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Re: Curso de formação teatral militante







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