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Via Campesina participa do Fórum Social Mundial de Dacar

2011-02-09

Da Via Campesina Internacional

A edição 2011 do Fórum Social Mundial (FSM) teve início neste domingo (06/02), com uma mobilização pelas ruas de Dakar, no Senegal, onde os ecos das mobilizações em países africanos como Tunísia e Egito puderam ser ouvidos.

Via Campesina no Fórum Social MundialO presidente boliviano Evo Morales foi um dos oradores no ato de abertura e analisou esses levantamentos como “uma rebelião contra o imperialismo norte-americano”, ao mesmo tempo em que se declarou “aluno” deste tipo de encontro, iniciado uma década atrás em Porto Alegre (Brasil).

Para a Via Campesina, o FSM trata-se de um espaço fértil para o impulso de sua campanha contra a concentração de terras e conclamando uma Reforma Agrária integral, bem como o reconhecimento de uma Declaração de Direitos Campesinos por parte da Organização das Nações Unidas (ONU).

Assim explicou, do Senegal, a guatemalteca Dolores Sales, integrante da Coordenação Nacional Indígena e Camponesa, parte da Coordenação Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC), atendendo o pedido de Rádio Mundo Real.

Dolores assinalou que a temática da terra “diz respeito a toda a humanidade porque está relacionada com o direito à alimentação”, e porque é crescente o interesse de outros setores sobre as propostas da Via Campesina.

Entre as propostas se encontra a Consulta Mundial sobre a Crise Climática e os Direitos Planetários da Mãe Terra, a se realizar no próximo ano.

Via Campesina no Fórum Social Mundial

Atividades da Via Campesina no FSM

Durante o Fórum Social Mundial, a Via Campesina lançará sua campanha na África para dizer não à violência contra as mulheres. Também no âmbito do Fórum Social Mundial, na Feira Internacional da Agricultura e os Recursos Animais (FIARA), a Via Camponesa exporá produtos alimentícios bem como sementes crioulas dos camponeses africanos. A feira é um espaço dinâmico para a integração dos povos da África através dos mercados locais e de intercâmbios, onde também poderão ser discutido os temas e desafios que afetam os camponeses e camponesas da África.

Conjuntamente com seus parceiros, a Via Campesina organizará um debate sobre o tema “O acaparamiento de terras e sua relação com a crise alimentar e climática – a necessidade de políticas agrárias para proteger a produção camponesa para os mercados locais”. O acaparamiento de terras é a prática de comprar e reter terras até que se valorizem. Esta prática integra o modelo agrícola dominante, baseado nas multinacionais do agronegócio e nos monocultivos industriais em larga escala, que estão modificando as vidas dos camponeses na África, Ásia e as Américas.

Pela primeira vez, a FIARA oferecerá espaços para conferências e debates sobre a soberania alimentar. Outros debates serão organizados, tais como: “A defesa das sementes camponesas contra os transgênicos, contra as empresas transnacionais”, como Monsanto e contra iniciativas como a Aliança para uma Revolução Verde na África. Além disso, debates tratarão da soberania alimentar, da violência contra a mulher e das mudanças climáticas.

A Via Campesina se envolverá ativamente no debate sobre os preparativos para mobilizar aos movimentos sociais durante a próxima Conferência de Nações Unidas sobre o Clima que será em Durban, África do Sul, em dezembro de 2011. A Via Campesina terá também um stand no FSM, onde estarão disponíveis publicações internacionais, como um ponto de encontro dos membros do movimento camponês.

Programação:
5 de fevereiro – Participação na Jornada especial sobre as migrações, na Ilha de Gorée.
7 de fevereiro (9h-12h) – Debate: “O acaparamiento de terras e sua relação com as crises alimentar e climática – a necessidade de políticas agrárias para proteger a produção camponesa com destino aos mercados locais”. Local: FIARA.
8 de fevereiro (12h30-15h30) – Debate: “Defender as sementes camponesas contra os transgênicos, as transnacionais como Monsanto e AGRA”. Local: FSM
9 de fevereiro (12h30-15h30)- Debate sobre a “Soberania alimentar, a violência contra a mulher e as mudanças climáticas”. Local: FSM
9 de fevereiro (16h-19h) – Lançamento em Senegal e na África da campanha da Via Campesina para dizer NÃO à violência contra as mulheres camponesas

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Ato de solidariedade à Venezuela no Rio de Janeiro

2011-02-09

Da página do MST

Foto VenezuelaMais de 200 pessoas estiveram presentes no ato em comemoração a 12 anos da Revolução Bolivariana da Venezuela, que ocorreu no Instituto Brasil Argentina, pertencente ao Consulado Geral da República Argentina, no Rio de Janeiro, na quarta-feira (2/12).

O ato contou com a participação de diversos diplomatas, além de partidos políticos, movimentos sociais e estudantis, entidades da sociedade civil e militantes sociais.

O economista Luciano Wexell, autor do livro “A luta pelo petróleo e pela emancipação”, apresentou importantes elementos sobre os avanços da revolução bolivariana na Venezuela.

Por exemplo, nas áreas de educação e saúde, o processo de participação popular e as iniciativas de estruturação econômica, como a produção de alimentos.

Ele destacou ainda a importância da transferência dos recursos do petróleo para os gastos sociais, como um processo de distribuição da maior riqueza natural venezuelana com toda a população.

Em seguida, foi lido o Manifesto Continental de apoio ao processo Bolivariano da Venezuela, em nome de todas as entidades, partidos e movimentos sociais signatários.
Após a leitura, o documento foi entregue ao cônsul da Venezuela Edgar Alberto Gonzalez Marin, como forma de demonstrar a solidariedade internacionalista dos militantes sociais brasileiros aos processos populares em curso no continente.

Para encerrar o ato, foi projeto o filme “Ao Sul da Fronteira”, de Oliver Stone, sobre o processo bolivariano e o Governo do Presidente Hugo Chávez, o qual foi aplaudido diversas vezes.

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Agroecologia e Reforma Agrária na base da construção de uma outra sociedade

2011-02-09

por Ciro Correia
Fragmentos extraídos do texto: “ O MST em marcha para agroecologia: Uma aproximação à construção Histórica da Agroecologia no MST”, 2007

Agroecologia

A luta pela reforma agrária e agroecologia possuem características de resistência e superação ao modelo hegemônico de agricultura e sociedade como um todo. A democratização do acesso a terra e aos recursos naturais é condição básica para refundar a sociedade brasileira sob os pilares da democracia, distribuição da renda, trabalho e poder. Com o enfoque agroecológico, a reforma agrária passa a ser instrumento de transformação do modelo agrícola, alterando a concepção produtivista, mecanicista e quimicista da agricultura. Aponta, igualmente, para a construção de novas relações sociais e da relação ser humano-natureza alicerçada nas premissas da sustentabilidade sócio ambiental.

Portanto, a reforma agrária e a agroecologia devem ser pautadas não na perspectiva de resolver os problemas do modelo de sociedade hegemônico nesse momento histórico, mas sim ser a base para a criação e consolidação de outro modelo de sociedade, com base na solidariedade, justiça sócio ambiental, na promoção da equidade, respeito e valorização das culturas, etnias e estabelecimento de novas relações de gênero e gerações.

Para que a agroecologia tenha força e consistência para fazer o enfrentamento e superação do modelo convencional de agricultura, é fundamental que os movimentos sociais do campo assumam-na enquanto estratégia de luta. Isso implica em postura de exigência e contribuição com a formulação de políticas públicas que venham de encontro com as estratégias de promoção da agroecologia e que trabalhem na perspectiva de alianças concretas com movimentos urbanos e grupos de consumidores aliados à reforma agrária e agricultura camponesa.

O marco institucional brasileiro em que são realizados os assentamentos e as políticas de desenvolvimento dos mesmos tem se mostrado extremamente frágeis e insuficientes. Para que a reforma agrária pudesse ter enfoque agroecológico seria fundamental ter políticas estruturantes que incluíssem, no mínimo: capacidade de planejamento territorial, estabelecimento de infraestrutura básica de estradas, energia, água potável, moradia digna, saneamento, garantia dos direitos e acesso a serviços elementares como saúde, educação, cultura, previdência social, entre outros. No aspecto da produção é fundamental repensar o caráter parcelário da reforma agrária, criando as condições para motivar as famílias à buscarem a concessão de uso coletivo da terra, e o planejamento do assentamento enquanto agroecossistema integrado como um todo. Políticas apropriadas de crédito subsidiado e de longo prazo, o incentivo à cooperação, às praticas de bons manejos dos recursos naturais, o acesso e constituição de agroindústria de gestão dos trabalhadores, a inserção em mercados locais e regionais, assistência técnica de qualidade, garantia de preços justos, com seguro e garantia de renda às famílias, garantia de comercialização, recomposição do passivo ambiental, etc, são questões básicas estruturantes que devem de estar no conjunto de ações prioritárias da política de reforma agrária.

Pensar a agroecologia e reforma agrária na dimensão nacional requer compreender as distintas realidades locais e ter estratégias adaptadas de acordo com as diversidades encontradas, tanto para lutar por políticas publicas que fortaleçam essas propostas, assim como construir estratégias de atuação que dialoguem com as realidades.
fortaleçam essas propostas, assim como construir estratégias de atuação que dialoguem com as realidades.

No Brasil, a “Revolução Verde” foi implementada por ‘manchas” ou seja, em determinadas regiões com maior ou menor grau de incidência. Isso permite afirmar que existem diversas localidades em que a “modernização” da agricultura não ocorreu ou se deu em pequena dimensão. Nesses locais não é necessário passar pela revolução verde para depois fazer a transição, precisamos considerar espaços protegidos, valorizando as praticas existentes e através do debate e troca de experiências amplia-las com os conhecimentos desenvolvidos pela agroecologia nos últimos anos.

Já nas áreas e regiões onde a “revolução verde” devastou a biodiversidade e os saberes camponeses, é fundamental construir estratégias de transição de modelo tecnológico, buscando a recomposição do ambiente, o resgate e reconstrução dos conhecimentos camponeses. Para isso é importante ir reforçando a partir de praticas concretas os elementos que diminuem a dependência e aumentam a autonomia dos camponeses na construção da agroecologia.

Em ambas as situações é fundamental pensar a reforma agrária agroecológica a partir de estratégias que sejam coerentes com a necessidade de produzir alimentos diversificados, com policultivos, integração da produção agrícola e animal e que busquem primeiramente promover a segurança e soberania alimentar das famílias camponesas e a garantir o manejo sustentável dos recursos naturais e a oferta de alimentos saudáveis para as populações urbanas.

No atual contexto de lutas sociais no campo e de promoção de políticas de desenvolvimento, a reforma agrária brasileira tem sido tratada como políticas de compensação e amenização dos conflitos sociais, portanto não chegando a se configurar enquanto política de desenvolvimento. Os assentamentos tem sido respostas do governo quanto as pressões e lutas dos movimentos sociais e estão inseridos e subordinados há uma lógica de desenvolvimento que não dialoga com a estratégia de desconcentração da terra, produção diversificada e saudável de alimentos e acesso aos mesmos pelas camadas mais pobres da sociedade. Ao contrário, os assentamentos tem sido realizados na perspectiva de se incorporarem ao modelo hegemônico de agricultura reproduzindo a mesma lógica de organização da produção, subordinada as industrias e com baixíssimo valor agregado ao trabalho no campo.

Ao MST existem enormes desafios para conceber e lutar pela implementação de políticas de reforma agrária que tenham por base a agroecologia. Porem, também é de fácil entendimento de que um movimento social, com a organicidade e dimensão do MST, tem muito a contribuir com a construção da agroecologia, pois traz o elemento político muito fortemente, com a reflexão ampla quanto aos grandes desafios de mudança do modelo agrícola e de organização das forças populares, ajudando a romper com o conhecido “localismo” em que muitas organizações e experiências agroecológicas se encontram e nelas se isolam.

O MST tem gradativamente incorporado e elaborado proposições que apontem e constribuam para a construção da agroecologia. Nesse sentido, entendo que o esforço aqui realizado para construir essa aproximação a trajetória histórica do Movimento em relação a agroecologia é necessário e importante para contribuir com a reflexão coletiva quanto as circunstancias e desafios vivenciados e que fazem a realidade dos assentamentos no dia a dia.

Em alguns assentamentos que o MST está organizado, muitas iniciativas estão em curso no sentido de encontrar alternativas para romper com essa dominação do modo capitalista de produção e resgatar a capacidade de autonomia e valorização da agricultura camponesa. Mesmo assim, percebe-se que o modelo convencional de agricultura promove a disputa político ideológica e econômica da forma de organizar os sistemas produtivos nos assentamentos, estando presente no dia a dia da vida das famílias assentadas e sendo reproduzido em mais diversos níveis. Esse modelo convencional de agricultura se manifesta pelas monoculturas, abandono da produção de alimentos para a segurança e soberania alimentar, arrendamento de terras para as industrias, etc.

A caminhada do MST nos mostra que é possível e necessário pensar a agroecologia enquanto estratégia de desenvolvimento para o campo e a sociedade como um todo, tendo forte característica política, e que não seja apenas possibilidades de respostas difusas para a crise da agricultura e sim seja estratégia de enfrentamento e superação ao atual modelo agrícola e que esteja fortemente embasado na qualidade de vida da população do campo e da cidade, comprometida com o resgate e valorização de conhecimentos camponeses, com o fortalecimento de processos sociais solidários e no conhecimento e respeito às distintas formas de vida.

O MST e a agroecologia são frutos de um mesmo processo histórico de lutas de resistência e superação ao modelo hegemônico de dominação imposto pelo capital que exclui socialmente e degrada e destrói ambientalmente. No Brasil, surgem fortemente articulados entre as lutas locais de libertação e leitura critica da realidade, pautadas no enfrentamento na perspectiva de lutas maiores, de projeto de sociedade.

A partir da falência e completa inviabilidade do modelo agroindustrial, implementado também na agricultura camponesa e nos assentamentos de reforma agrária, o MST associa a luta pela terra com a luta e defesa da agroecologia e gradativamente incorpora a elaboração estratégica sobre o tema, buscando construir propostas e ações concretas que viabilizem a implementação de matriz tecnológica e produtiva baseada na diversificação da produção, no uso sustentável dos recursos naturais e sob novas formas de relações sociais e concepção ambiental. Este é um processo que está em curso, ainda principiante e com muitas contradições e resistências dentro do Movimento, mas que, sem dúvida, é um elemento novo e motivador para o conjunto do movimento agroecológico do Brasil.

Pela envergadura e dimensão que o MST possui, suas iniciativas na agroecologia trazem forte contribuição ao conjunto de outras entidades e reforça e incrementa iniciativas que estão em curso, contribuindo também decisivamente para a concepção e proposições de políticas públicas com base na agroecologia. Destaca-se no MST a dimensão dos inúmeros cursos e educandos que estão envolvidos, nas proposições sobre temas como agrobiodiversidade e pesquisa agroecológica, campanha resgate sementes crioulas e nas centenas de experiências locais sob as mais diversas situações.

No atual período, em que o modelo hegemônico do capitalismo se alastra e impõe suas perversas conseqüências sociais e ambientais para o conjunto da sociedade, é imprescindível que a luta pela reforma agrária e a agroecologia andem juntas, buscando acumular forças e popularizar as experiências e iniciativas, construindo estratégias que permitam ampliar as ações locais e articular-se com a construção política de um novo projeto de sociedade.

O Trabalho de base na Construção da Agroecologia: uma Experiência dos mutirões de Assentamentos no RJ

2011-02-09

Nivia Regina- Setor produção MST-RJ
Andrea Matheus- Setor de produção MST-RJ

O setor Produção do MST no estado do RJ realiza um trabalho de base nos assentamentos conhecida como “Mutirão de Organização e Planejamento dos Assentamentos”, realizado em conjunto com outros setores do movimento (intersetorial) como Educação, Formação e Saúde, se fundamentando na necessidade de planejamento e organização permanente das áreas de assentamentos de reforma agrária.

Nestes trabalhos tem sido constado junto com as famílias conseqüências do modelo de produção realizado na antiga fazenda com alto grau de degradação e a necessidade de recuperação daquele ambiente, se apresentando agroecologia como instrumento fundamental neste processo.

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Historicamente as áreas da reforma agrária foram pensadas sem considerar a realidade do local, tanto quanto aos recursos naturais, quanto às características sócio-culturais das famílias, num quadro a ser revertido e que demanda novas formas de organização que possibilitem a consolidação participativa dos assentamentos.

A experiência de aplicação da metodologia “Mutirões de Planejamento e Organização de Assentamentos”, cuja implementação é feita de forma articulada com outras instituições – como o Grupo de Estudos Trabalho em Ensino e Reforma Agrária-GETERRA e o Grupo de Agricultura Ecológica–GAE, da UFRRJ, parceiros no exercício do Programa de Assessoria Técnica Social e Ambiental – ATES, do INCRA-RJ, tem se revelado um importante instrumento para o “novo” assentamento.

Foi concebida para ser uma metodologia que facilite a tomada de decisões pelas famílias assentadas, apontando para construção do assentamento baseado nos princípios da agroecologia e da cooperação, que traga novas perspectivas e estimule um processo de planejamento participativo, levando em consideração os aspectos sociais, culturais, econômico e ambiental.

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As famílias se apropriam do planejamento sobre o local onde moram. São elas que definem os caminhos para desenvolver as ações conjuntas, pensadas para a construção e desenvolvimento do “novo” assentamento. Desta forma participam homens, mulheres, idosos, jovens e crianças visto que a construção está pautada em novos valores para a sociedade e sua relação com o ambiente.

A formação, capacitação e planejamento, para permitir às famílias condições de definir as ações que serão implementadas a curto, médio e longo prazo, imprimem um ciclo de crescimento do trabalho, para o qual se mostra fundamental a identificação e o acionar de novas parcerias que irão potencializar o desenvolvimento do assentamento, junto às famílias.

A Experiência e o Método
A experiência foi realizada em assentamentos na região Norte e Sul Fluminense, sendo no assentamento Vida Nova- Município de Barra Piraí, Terra da Paz e Roseli Nunes- Município de Piraí, Josué de Castro- Município de Campos dos Goytacazes, Chico Mendes- Município de Cardoso Moreira. Estes dois últimos ainda estão em processo de conclusão.

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A execução é subdivida em etapas, que contemplam: formação, capacitação e atividades de campo, com coletas de dados qualitativos e quantitativos, tanto do assentamento, quanto da sua região de inserção. Todo o levantamento de informações e planejamento das ações se dá em forma de reuniões, assembleias, oficinas e entrevistas.

Para facilitar os trabalhos e a sistematização dos dados a “equipe” que envolve as famílias assentadas, os profissionais da ATES, os parceiros e os setores do MST, são divididos em grupos de trabalho, a saber: Territorial – identifica as questões referentes à composição física e geográfica do assentamento, deverá analisar os dados de solo, clima, relevo, hidrografia, vegetação, fauna, flora e localização; Social – identifica as informações relacionadas às dimensões sócio-cultural das famílias; Político – identifica o nível de organização política do assentamento; Econômico – identifica o perfil produtivo do assentamento, levando em consideração a composição e a utilização dos meios de produção no atual estágio do assentamento.

Dessa forma, os Mutirões têm por propósito construir, junto às famílias do “novo” assentamento, uma nova forma de pensar o modelo produtivo, com base em práticas mais sustentáveis, bem como com a valorização e o restabelecimento das relações sócio-culturais, de forma a promover a inserção de trabalhadores na sociedade. Entende-se que para além do acesso a terra, a reforma agrária envolve um processo de reestruturação fundiária, melhor distribuição de terra e renda, aprofundando na questão da mudança do modelo tecnológico aplicado na agricultura.

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2011-01-26

Caso não consiga visualiza o boletim corretamente, acesse http://boletimmstrj.mst.org.br/boletim12

Boletim do MST RIO — Nº 12 — De 25/01 a 08/02/2011

Notícias do MST Rio

Acampamento São Roque: Uma História de Luta e de Produção

Acampamento São RoqueO acampamento São Roque localiza-se no município de Bom Jesus de Itabapoana na região Noroeste Fluminense. A maioria das famílias que ocupou a fazenda Providência, em 2002, era de trabalhadores rurais da própria região ou já vieram de outros estados, como o Espírito Santo. Os que vieram da roça, de cidades vizinhas trabalhavam em usinas no corte da cana, e em sua maioria não tinham carteira assinada e por vezes não recebiam pagamento. O fechamento de usinas de cana-de-açúcar tradicionais na região gerou impactos profundos na principal atividade empregadora das famílias, e milhares de cortadores de cana ficaram desempregados.

O São Roque em 2004 estava com 57 famílias, organizadas em 3 núcleos, possibilitando melhores condições de vida para essas famílias. Neste período, mesmo em situação de acampamento, as famílias se destacavam não só por suas lutas, mas pela grande quantidade de produção diversificada.

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PAA e PNAE: programas promissores, mas ainda aquém do necessário

PAA e PNAEO Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi criado em 2003 e consiste na compra pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de produtos agropecuários. Esta compra é feita diretamente d@s agricultor@s assentad@s e pequen@s agricultor@s, sem intermediários ou licitações, e se dá por meio de diferentes modalidades. O programa tem como foco central garantir a comercialização de produtos agropecuários, viabilizando o acesso aos alimentos por pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, pois são destinados a programas sociais dos municípios como creches, asilos, escolas, hospitais, entre outros.

Através da organização das famílias, o estado do Rio de Janeiro teve no ano de 2010 um grande avanço no acesso ao PAA e à Merenda Escolar nos assentamentos de reforma agrária. As regiões Norte e Noroeste do estado, apesar das limitações encontradas, hoje possui mais de 150 famílias envolvidas direta e indiretamente na comercialização de produtos agropecuários através desses programas.

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Notícias do Rio

Juventude: Protagonizando a Agroecologia no campo do Rio de Janeiro

A juventude e AgroecologiaA juventude do Campo no Campus: assim foi o Programa de Intervivência realizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), atendendo uma demanda da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ).

Tendo este o objetivo de possibilitar a construção de uma identidade e protagonismo juvenil para o fortalecimento do movimento agroecológico, a partir da aproximação com a temática da Agroecologia, e compreensão da necessidade de estabelecer um novo modelo produtivo no campo e na cidade. Resgatando assim valores e práticas culturais que busquem a conservação e preservação do meio ambiente. E que os jovens sejam protagonistas direto neste resgate de cultura e valores junto à comunidade e sua organização social.

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Notícias Internacionais e da Via Campesina

Venenos agrícolas matam

Peixes MortosEm entrevista à IHU On-Line, o pesquisador e engenheiro agrônomo Julio Cesar Rech Anhaia,  destaca a importância de se abrir o debate sobre o uso dos transgênicos e agrotóxicos. “Não temos controle sobre o uso dos transgênicos. Quem tem o controle são as multinacionais que hoje estão posando de ‘donas’ das sementes”, afirma.

IHU On-Line – Quase 100% do milho colhido no RS neste ano é transgênico. O que isso significa para a agricultura do estado?

Julio Cesar Rech Anhaia – É um risco terrível. Canguçu, por exemplo, é o berço da agricultura familiar, inclusive lá existem trabalhos fortes no sentido de se produzir produtos que venham da pequena atividade agrícola. Mas já está passando por problemas em decorrência do uso de sementes geneticamente modificadas. Não temos controle sobre o uso dos transgênicos. Quem tem o controle são as multinacionais que hoje estão posando de “donas” das sementes. Com isso, nosso pequeno produtor vai ficar a mercê disso aí, porque as nossas sementes nativas propriamente ditas acabam sendo contaminadas e, por conseguinte, deixam de ser nativas.

Leia a entrevsita completa.

Dicas

Agenda do MST 2011

agendaA Agenda do MST 2011 busca resgatar e valorizar as experiências e práticas de solidariedade que nos permitiram sobreviver à ofensiva das forças imperialistas, nos fortaleceram nas lutas, evidenciaram a multiplicidade de nossas capacidades e nos proporcionaram conquistas e vitórias que resultaram em condições mais dignas de vida, nos tornaram mais humanos e solidários.

O tema da agenda é a Solidariedade dos Povos, que aparece nas áreas da educação, saúde, cultura, nas lutas populares, na aliança campo e cidade, enfim, em todas as frentes de luta contra opressão capitalista.

A agenda custa R$15 e pode ser obtida no escritório do MST: R. Pedro I, 7/803 – Tel.: 2240 8496, ou pelo site: http://www.mst.org.br/loja/agenda-do-mst-2011.

Publicações

Expediente

Boletim MST Rio

Acampamento São Roque: Uma História de Luta e de Produção

2011-01-25

por Nivia Regina e Andrea Matheus

OCUPAR, RESISTIR, PRODUZIR !!!!!!

O acampamento São Roque localiza-se no município de Bom Jesus de Itabapoana na região Noroeste Fluminense. A maioria das famílias eram trabalhadores rurais da própria região ou já viveram de outros estados como o Espírito Santo. Os que vieram da roça, de cidades vizinhas trabalhavam em usinas no corte da cana, e em sua maioria não tinham carteira assinada e por vezes não recebiam pagamento. O fechamento de usinas de cana-de-açúcar tradicionais na região gerou impactos profundos na principal atividade empregadora das famílias, e milhares de cortadores de cana ficaram desempregados.

Devido à ociosidade e total falência e abandono da usina Santa Maria localizada em Bom Jesus do Itabapoana, pertencente a um complexo formado por inúmeras fazendas de latifundiários da região, que trabalhadores (as) organizados no MST, em busca de uma alternativa ao desemprego e da necessidade de sobrevivência, ocuparam uma área na beira da estrada, próximo à antiga e desativada usina.Acampamento São Roque

Após dois meses de luta e resistência nessa área, em 01 junho de 2002, as famílias de trabalhadores (as) ocuparam a Fazenda Providência que faz parte do complexo de fazendas, dando origem ao acampamento São Roque. A fazenda possui aproximadamente 490 ha e por muitos anos sofreu com a monocultura da cana-de-açúcar utilizada para usinas da região.

No dia da ocupação eram aproximadamente 200 famílias. Como já era de se esperar, o latifúndio não ficou calado e começou a agir para desmobilizar mais uma ação vitoriosa do Movimento dos Trabalhadores. Houve desistências ficando por um período com apenas 15 famílias, mas essas com força se juntaram e deram os passos iniciais até a consolidação do acampamento e volta dos acampados ao mesmo tempo em que outros trabalhadores (as) foram se agregando a luta pela terra.

O São Roque em 2004 estava com 57 famílias, organizadas em 3 núcleos, possibilitando melhores condições de vida para essas famílias. Neste período, mesmo em situação de acampamento, as famílias se destacavam não só por suas lutas, mas pela grande quantidade de produção diversificada.

Por isso foi realizado neste período um Diagnóstico Rápido e Participativo (DRP) da biodiversidade, pela potencialidade das famílias na produção agroecológica e pela própria organização dos acampados como estratégia de sobrevivência, bem como a realidade sócio-cultural das famílias.

O acampamento produzia de forma diversificada com base nos princípios agroecológicos, e na grande maioria eram para autoconsumo, com estratégia de abastecimento das famílias e das criações, sendo a comercialização uma prática quando havia sobra na produção.

Entretanto, é fato as dificuldades enfrentadas pelas famílias para produzir devido à falta de recursos, contudo através das práticas agroecológicos conseguiram sobreviver em meio a uma região marcada pelas grandes concentrações de terra, monocultura da cana-de-açúcar e desigualdade social. Mesmo com tais dificuldades o Diagnóstico Rápido Participativo da Biodiversidade nos mostrou que riqueza da produção que eram:

Sistemas produtivos:
Criações: galinhas, porcos, cavalos, coelhos, carneiros, cabras, gado de leite e animais para tração.
Cultivos: arroz, feijão, milho, mandioca, batata, batata-doce, quiabo, jiló, abóbora, abobrinha, banana, fava, alho, mamão, taioba, algodão, cana, almeirão, tomate, maracujá, beterraba, alface, couve, salsa, cebolinha, cheiro-verde, rúcula, terramicina, boldo, saião, alecrim, capim-cidreira.
Variedades:
– Milho: cubano, palha roxa.
– Arroz: paga dívida
– Mandioca: cacau
– Feijão: Espanha, preto.

Origem das Sementes:
– As sementes eram adquiridas de parentes e amigos, alguns compram.
– Sementes próprias (milho, feijão, fava e abóbora)

Armazenamento de sementes:
– Terra de formigueiro
– Na própria palha
– Cinza
– Folhas de eucalipto
– Sal
– Assa peixe

Foi também sendo realizado com as famílias espaços de formação onde foi trabalhada a Campanha: “Sementes: patrimônio dos povos a serviço da humanidade”, contextualizando e enfatizando a importância do resgate das Sementes e da biodiversidade; Além de trabalhar questões como: uso das áreas; educação; saúde; relação com entidades/instituições; agroecossistemas; problemas da comunidade entre outras.

O Acampamento São Roque na sua história nos trouxe e ainda nos traz ensinamentos importantes como: a ocupação do território, que anteriormente era latifúndio improdutivo é agora um acampamento que tem como principio a Agroecologia, trazendo qualidade de vida para as famílias, geração de renda e segurança alimentar; com diversificação e consórcio dos cultivos, rompendo com a lógica de monocultura da produção. A Organização das famílias acampadas permite o plantio antecipado como estratégia de abastecimento das famílias e criações; Formas de cooperação como: mutirão esporádico e grupos de trabalho.

Com passar do tempo as famílias foram sentindo novamente as dificuldades em resolver os problemas de obtenção daquela área, ocorrendo novamente uma diminuição no número de famílias.

Desde o início as famílias apostavam na aquisição da área pelo INCRA devido às dívidas do proprietário do complexo das fazendas da usina Santa Maria. Entretanto no decorrer dos anos não houve adjudicação da área pela união e o proprietário conseguiu muitos anos depois uma liminar de reintegração de posse no judiciário, que foi suspensa posteriormente no Tribunal Regional Federal.

Isto foi trazendo desgaste para famílias e muitas delas foram desistindo, algumas indo embora do acampamento e outras indo para outro acampamento da região organizado pelo MST conhecido como Eldorado, já que vinham neste uma possibilidade maior da realização do assentamento.

Atualmente há uma disputa com setores dominantes da região que estão conseguindo partes da área por leilões que são realizados pelo Judiciário em decorrência das dívidas pelos proprietários com união.

No entanto as famílias que ainda permanecem na área cobram do INCRA uma posição no sentido de requerer a terra e assentar as famílias e seguem resistindo e produzindo.

Juventude: Protagonizando a Agroecologia no campo do Rio de Janeiro

2011-01-25

por Iranilde, setor produção MST A juventude e Agroecologia

A juventude do Campo no Campus: assim foi o Programa de Intervivência realizado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), atendendo uma demanda da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ).

Tendo este o objetivo de possibilitar a construção de uma identidade e protagonismo juvenil para o fortalecimento do movimento agroecológico, a partir da aproximação com a temática da Agroecologia, e compreensão da necessidade de estabelecer um novo modelo produtivo no campo e na cidade. Resgatando assim valores e práticas culturais que busquem a conservação e preservação do meio ambiente. E que os jovens sejam protagonistas direto neste resgate de cultura e valores junto à comunidade e sua organização social.

O Programa aconteceu na UFRRJ, entre 2009 e 2011, e atendeu a cerca de 80 jovens das diversas organizações sociais do campo e da cidade que compõem a AARJ, e também a jovens universitários que atuaram durante o processo de formação dos jovens no Tempo Escola (TE).

As experiências que deram base para organização do Projeto Campo-Campus foram projetos: Agentes jovens em Casimiro de Abreu, Protagonismo Juvenil na coleta da Palmeira Juçara no quilombo do Campinho/Paraty-RJ e o Programa de Formação com Jovens do Campo e da Cidade do MST/RJ.

Após 2 anos de intensa vivência com os jovens nas diversas fases do Programa, muitos são os resultados. Podemos dar como exemplo: O projeto – Jovens Agroecológicos da Região Metropolitana, escrito pelos próprios jovens para que pudessem dar continuidade à formação e ao acompanhamento dos jovens da turma de 2010-2011 na região, e tem como apoiador a FASE. Assim como os jovens que foram da primeira turma atuam na coordenação da segunda turma, tanto no TE quanto no Tempo Comunidade (TC) o que trás um maior envolvimento também da comunidade.

Os jovens estão atuantes seja na AARJ, na sua comunidade, e também com sua família, auxiliando e aplicação de praticas aprendida durante o Programa de Intervivência. Há jovens que contribuem na formação de sua comunidade junto a Assistência Técnica, auxiliando a inserção de técnicas agroecológicas, assim como no envolvimento de outros jovens para que estes também busquem por meios de permanecer no campo, na comunidade tradicional, caiçara, assentamento e na agricultura familiar.

A juventude e Agroecologia2A Coordenação executiva que envolve a UFRRJ e movimentos da AARJ, têm o sentimento de ter dado um ponta pé, um contribuição para o desenvolvimento humano, social, político destes jovens e para as suas organizações, e tem a consciência de um trabalho que foi valorizado por todas as partes. E que a Agroecologia foi a temática envolvente neste momento, e também para o futuro. Pensar que a Agroecologia vai para além da técnica.

O Programa da Intervivência fará o encerramento na UFRRJ dia 27 de janeiro de 2011, às 14 horas no Anfiteatro Paulo Freire e todas as organizações estão convidadas e festejar este momento de alegria e muita mística para a Agroecologia no Estado do Rio de Janeiro.

O projeto mudou a minha vida, hoje vejo coisas que eu nem imaginava em ver, em conhecer! Como é outros lugares a dificuldade de morar, de plantar, a nossa vida lá onde a gente mora é muito boa!
(Fala de jovem do Campo e Campus)

Coordenação Executiva do Campo e Campus

Venenos agrícolas matam

2011-01-25

Campanha Nacional da Via campesina contra Agrotóxicos

21 de janeiro de 2011
Do Instituto Humanitas Unisinos

Leia abaixo a entrevista com pesquisador e engenheiro agrônomo Julio Cesar Rech Anhaia.

Em entrevista à IHU On-Line, o pesquisador e engenheiro agrônomo Julio Cesar Rech Anhaia,  destaca a importância de se abrir o debate sobre o uso dos transgênicos e agrotóxicos. “Não temos controle sobre o uso dos transgênicos. Quem tem o controle são as multinacionais que hoje estão posando de ‘donas’ das sementes”, afirma.

Julio Cesar Rech Anhaia é engenheiro agrônomo. Trabalha na Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Alegrete, no Rio Grande do Sul, e é tutor do curso de Agricultura no Instituto Federal Farroupilha.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são os principais venenos agrícolas utilizados no Rio Grande do Sul, atualmente?

Julio Cesar Rech Anhaia – O que é mais usado é o herbicida. Depois vêm os inseticidas e os fungicidas, nesta ordem de utilização.

Peixes MortosIHU On-Line – Quais são os mais problemáticos?

Julio Cesar Rech Anhaia – Lamentavelmente, o que está faltando é responsabilidade dos próprios colegas. Não podemos generalizar, mas uma boa parte do pessoal que trabalha nessa atividade, de técnicos de nível médio a profissionais de nível superior, não tem dado a devida atenção ao fato de que muito veneno está sendo utilizado. Eles não observam as normas técnicas, a umidade, a temperatura, o vento. Nos campos sulinos ou no bioma pampa nós temos quase que semanalmente denúncias sobre o uso abusivo de agrotóxicos que causam inúmeros acidentes. E esses acidentes ocorrem principalmente com os herbicidas e acabam dizimando as plantações de frutíferas.

O nosso pequeno produtor acaba sendo desestimulado em função dessas perdas, o que acaba causando um problema que influencia até no aumento do êxodo rural. Desde as crianças e os jovens até os educadores e os formadores de opinião, todos devem fazer uma reflexão sobre a maneira como nós estamos tratando a nossa qualidade de vida e a biodiversidade. A situação é muito preocupante. Se você procurar informação sobre os atendimentos do pronto-socorro aqui na região, não conseguirá obter dado algum, porque não há um interesse em notificar acidentes em decorrência do uso de agrotóxicos e, por consequência, que se tome uma atitude em relação a isso. E não é só a cidade de Alegrete, onde vivo, que está passando por esse tipo de problema. Cidades como Uruguaiana, São Borja, Barra do Guaraí, Itaqui e Maçambará também estão sofrendo com problemas causados pelo uso de agrotóxicos de forma intensa.

IHU On-Line – Quase 100% do milho colhido no RS neste ano é transgênico. O que isso significa para a agricultura do estado?

Julio Cesar Rech Anhaia – É um risco terrível. Canguçu, por exemplo, é o berço da agricultura familiar, inclusive lá existem trabalhos fortes no sentido de se produzir produtos que venham da pequena atividade agrícola. Mas já está passando por problemas em decorrência do uso de sementes geneticamente modificadas. Não temos controle sobre o uso dos transgênicos. Quem tem o controle são as multinacionais que hoje estão posando de “donas” das sementes. Com isso, nosso pequeno produtor vai ficar a mercê disso aí, porque as nossas sementes nativas propriamente ditas acabam sendo contaminadas e, por conseguinte, deixam de ser nativas.Cuidado!

IHU On-Line – Num artigo, o senhor diz que a difusão do uso de venenos agrícolas, para o controle de pragas e plantas invasoras na agricultura brasileira, foi favorecida pelo sistema de crédito rural. O sistema de crédito precisa mudar para que possamos mudar a cultura do uso dos venenos nas plantações?

Julio Cesar Rech Anhaia – Com certeza. As instituições financeiras estão cobrando questões e documentações extras do responsável técnico para que o crédito rural possa ser dado, embora nós tenhamos construído um manual de crédito rural. Há bem pouco tempo, no pacote do crédito rural era exigido, embora o nosso produtor não precisasse utilizar venenos, que obrigatoriamente os venenos precisavam ser comprados para que fosse usar ou não na sua atividade. Isso tem que ser mudado, tem ser discutido, realmente com os produtores, as entidades, as cooperativas porque, muitas vezes, essas normas regulamentadoras acabam vindo de cima para baixo e o pequeno produtor fica sendo o mais prejudicado. O crédito, inclusive, muitas vezes é negado porque o produtor não quer se submeter a esse tipo de condição que é exigido.

IHU On-Line – Quais as consequências para ambientes como o aquífero Guarani em função do uso de venenos agrícolas hoje no RS?

Julio Cesar Rech Anhaia – Alegrete fica localizada em cima do aquífero Guarani e do aquífero Botucatu. Essa é denominada uma zona de recarga. E nessa área nós temos monocultura do arroz que usa muito veneno. Além disso, nós temos a monocultura do eucalipto que já está causando um desequilíbrio ambiental muito grande. É necessário que voltem a ocorrer pesquisas que meçam a influência do uso dos agrotóxicos nesses aquíferos.

Já percebemos, através de pesquisa, que a Bacia Hidrográfica do rio Santa Maria assim como a do rio Uruguai, em função do uso intenso de veneno nas lavouras e a destinação inadequada das embalagens de agrotóxicos que são jogadas na beirada de recursos hídricos, acabam gerando intoxicações e degradação de toda a nossa biodiversidade. Sabemos que a luta contra as transnacionais é terrível e, muitas vezes, desigual, mas não podemos cruzar os braços. Nós seguimos lutando através da educação, da conscientização, da percepção das pessoas e alertando que estamos acabando com a vida quando utilizamos venenos nas plantações. A questão do agrotóxico ela deve continuar sendo debatida, para que nós tenhamos uma reversão. As consequências estão aí.

PAA e PNAE: programas promissores, mas ainda aquém do necessário

2011-01-25

por Andrea Matheus, do Setor Produção do MST

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi criado em 2003 e consiste na compra pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de produtos agropecuários. Esta compra é feita diretamente d@s agricultor@s assentad@s e pequen@s agricultor@s, sem intermediários ou licitações, e se dá por meio de diferentes modalidades. O programa tem como foco central garantir a comercialização de produtos agropecuários, viabilizando o acesso aos alimentos por pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, pois são destinados a programas sociais dos municípios como creches, asilos, escolas, hospitais, entre outros.

PAA e PNAEAlém do PAA, os assentamentos e pequenos agricultores também podem acessar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que visa garantir por lei a compra de 30% da merenda escolar vinda da produção da agricultura familiar. As entidades executoras (Prefeituras Municipais, Governo Estadual) deverão publicar as demandas de gêneros alimentícios para Alimentação Escolar por meio de chamada pública de compra, que define os gêneros a serem entregues.

Apesar de serem importantes programas, ainda apresentam limites a serem superados, para que avance na melhoria da qualidade de vida dos agricultores/as. O número de favorecidos pelo PAA ainda é muito pequeno e o valor máximo de aquisições por agricultor familiar/ano é muito baixo. Além disso, os assentamentos, na grande maioria, possuem péssimas condições de infraestrutura. Isto que dificulta as entregas dos produtos, seja pela falta de transporte ou pela péssima condição das estradas, além de outras dificuldades nesse âmbito.

No que tange a Merenda Escolar, além dos limites estruturais apresentados pelos assentamentos, é preciso avançar para que se garanta os 30% que são previstos na normativa, pois o programa atinge um número reduzido de assentados. Há necessidade de mais estudo para compreender o programa, já que alta burocratização dificulta muitas vezes o acesso.

Assentamentos no Rio de Janeiro
Através da organização das famílias, o estado do Rio de Janeiro teve no ano de 2010 um grande avanço no acesso ao PAA e à Merenda Escolar nos assentamentos de reforma agrária. As regiões Norte e Noroeste do estado, apesar das limitações encontradas, hoje possui mais de 150 famílias envolvidas direta e indiretamente na comercialização de produtos agropecuários através desses programas.

Atualmente, a região possui em torno de 14 assentamentos que fornecem produção de qualidade e diversificada como: aipim, abóbora, abacaxi, banana, coco, laranja, limão, hortaliças de modo geral, entre outros; essa produção chega a cerca de 420 toneladas. No total, são 14 entidades recebedoras, envolvendo em torno de quatro municípios, através de creche, asilos, escolas e outras entidades que recebem semanalmente a produção dos assentamentos.

PAA e PNAEPara os assentamentos do estado, os programas constituem uma importante forma de garantir a comercialização e a produção diversificada. Favorecem uma melhor distribuição de renda para as famílias, que têm a garantia de venda da sua produção com preço razoável, e ajudam também na aproximação da população urbana aos produtos da reforma agrária. Entretanto, apesar de ser uma importante experiência para as famílias assentadas, o programa ainda tem muito espaço para avançar. O número de famílias que o acessam ainda é insignificante, considerando o número de famílias assentadas no estado. Além disso, a população em estado de insegurança alimentar que recebe os produtos ainda é muito menor do que o total de pessoas que passa fome.

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2011-01-12

Boletim do MST-RJ
Boletim do MST RIO — Nº 11 — De 12 a 25/01/2011

Notícias do MST Rio

Acampamento Osvaldo de Oliveira se reorganiza

Após sofrer um violento despejo determinado pelo Poder Judiciário Federal de Macaé, especificamente pela Juíza Angelina de Siqueira Costa, e realizado pelo Delegado da Policia Federal Escobar, símbolos da burguesia reacionária da região, o acampamento Osvaldo de Oliveira em Macaé se reorganiza para a conquista da fazenda Bom Jardim.

Após ficarem por alguns dias no espaço da paróquia da Igreja Católica de Macaé, na localidade de Virgem Santa, por ajuda do Padre Mauro, as famílias ocuparam uma área junto a BR 101 na altura do KM 171, 1km antes do trevo que vai para Macaé. Hoje o acampamento possui aproximadamente de 100 famílias.

Como estratégia as famílias estão construíram um galpão que vai ser vir de espaço para a escola do acampamento e neste mesmo espaço já esta sendo organizados diversos cursos com caráter de formação política, alfabetização de jovens e adultos e técnica nas áreas de agroecologia e saúde. Uma das estratégias que vem sendo construída junto com as famílias é a possibilidade de produção de mudas para a venda.

Acampamento Terra Livre: 12 anos de Resistência

Terra Livre1A Fazenda da Ponte ou Sobrado foi ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no dia 06 de Março de 1999 com cerca de 60 famílias, dando origem à atual Comunidade Terra Livre. Este nome foi escolhido devido à existência de trabalho escravo na área ocupada.

Parte das famílias organizadas para a ocupação eram constituídas de trabalhadores vindos da zona urbana, das cidades de Barra Mansa e Volta Redonda na mesma região do acampamento e a outra parte tem como origem a Baixada Fluminense. Mulheres e homens da periferia do Rio de Janeiro, que desempenhavam serviços de pedreiro, carpinteiro, empregadas domésticas e camelôs entre outras. Porém, maioria tem suas raízes na roça, que devido a falta de estrutura e incentivo para permanecerem no campo, foram estimulados a se deslocarem para a zona urbana em busca de melhores condições de vida. A intenção era conseguirem através de emprego em fábricas e comércio nos grandes centros urbanos (como foi o caso de muitos que vieram para Barra Mansa e Volta Redonda na época de implantação da CSN). Entretanto, a não realização dessas expectativas levou essas pessoas a buscarem novas alternativas de sobrevivência, impelindo-as a participarem do movimento e aderirem a luta pela terra.

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Notícias do Rio

Transoeste: quando estado e empreiteiras se unem, as leis desaparecem

Transoeste1Em 08/07/2010, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro deu início às obras do corredor viário Transoeste, ligando os bairros da Barra da Tijuca e Santa Cruz. Segundo notícias veiculadas pela própria Prefeitura, o referido corredor viário terá cerca de 50Km de pistas duplas, ao longo da atual Avenida das Américas, composto, ainda, de duas pontes duplas, um viaduto, um túnel de duas galerias que atravessará o Parque Estadual da Pedra Branca, além de abrigar um corredor expresso de ônibus com mais de trinta estações de transbordo.

Quanto à desapropriação/reassentamento das famílias diretamente atingidas, consta uma série de ações arbitrárias, ameaças, coações, violações de direitos fundamentais e de princípios da administração pública. Ações essas, comandadas por prepostos das Subprefeituras da Barra da Tijuca e Guaratiba, subordinadas à Secretaria Municipal da Casa Civil, com apoio da Secretaria Municipal de Habitação. Nos meses de outubro a dezembro de 2010, dezenas de famílias residentes em comunidades carentes, assentamentos informais, vêm encaminhando sucessivas denúncias sobre coações, violência física e moral, remoções sumárias, sem direito a defesa, inclusive com demolições de residências com mobílias e pertences pessoais ainda dentro dos imóveis. Foi caso do Sr. Luiz da comunidade Vila Recreio II. Numa noite de dezembro, o Sr. Luiz viu representantes da Subprefeitura da Barra da Tijuca, com apoio de Guardas Municipais, peões e uma retroescavadeira da Norberto Odebrecht quebrarem uma parede lateral de sua casa e começarem a retirar os móveis. Ao conseguir mobilizar alguns vizinhos, o Sr. Luiz questionou a legalidade da ação, alegando a existência de uma decisão liminar protegendo a comunidade, e viu sua casa ser demolida ainda com alguns móveis dentro. Na ocasião, o cidadão conhecido apenas como Alex, da Subprefeitura, disse que a decisão judicial era apenas um “papelzinho”.

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Notícias do Brasil

Carta aberta do MST-SP à população

Em São Paulo, famílias Sem Terra dão continuidade à jornada de ocupações iniciadas na segunda semana de 2011. O número de famílias acampadas em todo o estado de São Paulo já chega a dois mil. O objetivo é acelerar o processo de Reforma Agrária na região. O MST-SP divulgou uma carta aberta à população, explicando a situação no estado.

Um trecho dela diz: “No início deste novo período político de nosso país, a nossa ocupação é um posicionamento publico para cobrar a realização da Reforma Agrária. Constantemente essa questão tem sido assunto de muito debate, e organizações populares e partidos de esquerda têm cobrado sua efetivação por meio de acampamentos, ocupações, marchas e manifestações publicas, mas nada de Reforma Agrária. Ela tem sido simplesmente bloqueada e enterrada. ”

Confira a íntegra da carta.

Pronera: os desafios e avanços para a educação do campo

Foto da Escola Carlos Chagas Assentamento Zumbi dos Palmares, Núcleo 2O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) tem como objetivo a ampliação dos níveis de escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados, além de se propor a apoiar projetos de educação que utilizam metodologias voltadas para o desenvolvimento de acampamentos e assentamentos. Em novembro de 2010, o presidente Lula assinou um decreto que institucionaliza o Pronera como política pública. Ele se configura como um dos principais programas que garante a educação em áreas de Reforma Agrária, de forma a atender as necessidades do povo do campo.

Em entrevista à Página do MST, a coordenadora nacional do Programa, Clarice dos Santos, explica a importância do Pronera para o conjunto dos camponeses e camponesas e suas perspectivas para esta nova fase, enquanto política pública instituída.

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Formação em Agroecologia do MST: a experiência do curso de Mestrado

A turma de mestrandos com o prof.  Pinheiro Machado Filho, coordenador do programa, e a Coordenação PedagógicaA experiência da pós-graduação em agroecologia faz parte de uma parceria entre o MST e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em 2006, o Setor de Produção, Cooperação e Meio-Ambiente do MST construiu um curso nacional de Especialização em Agroecologia. Sua perspectiva é de aprofundar o debate teórico e prático da agroecologia, no sentido de contribuir na resolução dos problemas concretos de produção nos assentamentos, e de dar um salto de qualidade na luta contra o modelo convencional de produção.

Em 2008, retomou-se uma proposta de construção da primeira turma de Mestres em Agroecologia do MST. Com o curso de especialização, essa proposta se tornou possível de se materializar, e a UFSC incorporou a idéia e criou a turma de Mestrado Profissional em Agroecossistemas.

Em 2010 iniciou-se a defesa de dissertação de 18 mestres de vários estados do Brasil, com dissertações que partiram de uma necessidade concreta dos assentados e com a responsabilidade de transformar essa realidade. Desta forma, este processo se trata de uma conquista importante e concretiza mais uma experiência na luta pela construção de uma proposta sustentável para o campo brasileiro.

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Notícias Internacionais e da Via Campesina

O Censo e os agrotóxicos: o uso seguro é possível?

Foto Agrotóxico2O Censo Agropecuário de 2006, divulgado apenas em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou alguns dos impactos do uso de agrotóxicos em larga escala no Brasil. O país é o que mais utiliza produtos químicos no campo, e quem os administra são trabalhadores que, em sua maioria, não foram capacitados para essa ativividade insalubre. O Censo mostra que 56% dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos não receberam orientação técnica.

Leia o artigo de Raquel Maria Rigotto.

Dicas

Agenda do MST 2011

agendaA Agenda do MST 2011 busca resgatar e valorizar as experiências e práticas de solidariedade que nos permitiram sobreviver à ofensiva das forças imperialistas, nos fortaleceram nas lutas, evidenciaram a multiplicidade de nossas capacidades e nos proporcionaram conquistas e vitórias que resultaram em condições mais dignas de vida, nos tornaram mais humanos e solidários.

O tema da agenda é a Solidariedade dos Povos, que aparece nas áreas da educação, saúde, cultura, nas lutas populares, na aliança campo e cidade, enfim, em todas as frentes de luta contra opressão capitalista.

A agenda custa R$15 e pode ser obtida no escritório do MST: R. Pedro I, 7/803 – Tel.: 2240 8496, ou pelo site: http://www.mst.org.br/loja/agenda-do-mst-2011.

Publicações

Expediente

Boletim MST Rio