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Ato em Defesa da Educação Pública

2011-04-05

Do SEPE-RJ

Ato Pela Educação

No dia 31 de março, Dia Estadual de Luta em Defesa da Educação Pública, milhares de professores, funcionários e estudantes das escolas do Estado e do município do Rio e das universidades realizaram manifestação em defesa da educação Pública. Os manifestantes denunciaram o descaso dos governos com a Educação. Numa só voz, exigiram 10% do PIB para a Educação.

As entidades que integram o Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública – FEDEP (universidades, sindicados e associações das escolas federais e técnicas, partidos políticos, centrais sindicais e diversas entidades representativas dos estudantes) fizeram uma grande passeata da Candelária até a Cinelândia para exigir dos governos federal, estadual e municipais mais investimentos, melhores salários e melhores condições de trabalho nas escolas públicas estaduais, municipais e federais.

Entidades que compõem o Fórum: ADCPII; ADUFF-Ssind; ADUFRJ-Ssind; AERJ; AFIASERJ; ANDES-SN/RJ; ANEL; APAEP/Caxias; ASDUERJ; CSP/Conlutas; DCE UERJ; DCE UFF; DCE UFRJ; Escola Politécnica Joaquim Venâncio/Fiocruz; Fac. de Educação da UFRJ; Fac. de Educação da Baixada Fluminense; Fac. de Educação da UERJ; Fac. de Educação da UFF; Forum de Saúde; Grêmios do CPII; Intersindical; MNLM; MST; MTL; PCB; PCR; PSOL; PSTU; SEPE; SINDSCOPE; SindJustiça; SINDPEFAETEC; SINTUPERJ; UEDC; UJR.

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2011-03-23

Caso não consiga visualiza o boletim corretamente, acesse http://boletimmstrj.mst.org.br/boletim16
Boletim do MST RIO — Nº 16 — De 23/03 a 05/04/2011

Notícias do MST Rio

Escola de Serviço Social da UFRJ recebe os estudantes do MST

ServiçoSocialMSTNo último dia 15 de março, a Escola de Serviço Social da UFRJ (ESS/UFRJ) deu as boas vindas aos seus mais novos alunos: 60 militantes do MST e de outros movimentos sociais do campo, matriculados na turma especial para assentados da reforma agrária. O curso, viabilizado pelo PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), finalmente se inicia, fruto da articulação entre MST, INCRA (executor do PRONERA) e ESS/UFRJ.

Os alunos, vindos de 20 estados do Brasil, terão cinco anos de curso em regime de alternância, ficando 8 semanas em aulas, e 3 meses em suas atividades normais. Esta não é a primeira vez que a ESS/UFRJ é pioneira em ampliar o acesso à ainda elitizada UFRJ: o Serviço Social foi o primeiro curso da universidade a ter uma turma no período noturno, possibilitando a participação efetiva de trabalhadores neste espaço. Veja o depoimento de Marina Santos, uma das alunas do curso.

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Impactos do agronegócio: MST recebe visita de técnicos norte-americanos

No dia 18 de março no Sindipetro-RJ, o MST recebeu a visita de 20 pessoas dos Estados Unidos entre pesquisadores, professores, agricultores e técnicos de Ong´s, coordenados por Carlos Aguilar do Ibase.

A perspectiva dos Norte Americanos foi de conhecer melhor o modelo do agronegócio em especial a produção do Etanol no Brasil e suas influências na agricultura camponesa.

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Notícias do Rio

Ato pelo Direito à Cidade, pela Democracia e Justiça Urbanas

ato25demarço

Obama não veio a passeio

foraobama1
Obama não veio a passeio. Não veio comer baião de dois com carne de sol, não veio assistir capoeira na Cidade de Deus. Definitivamente, não.

Movimento sociais, partidos políticos e organizações de esquerda mostraram ao todo poderoso Barak Obama que sabem bem o que ele veio fazer aqui. “Tire as garras do pré-sal”, “Fora Obama, o pré-sal é nosso” e “Não à entrega do pré-sal, Obama go home” foram algumas das faixas que puderam ser lidas no ato realizado no último domingo (20/03), antes de seu discurso no Theatro Municipal do Rio, na Cinelândia.

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Reunião de Pré-Lançamento da Frente Estadual de Combate à Violência Contra Mulher

Foto Luta Violência contra MulherNo dia 22/03 foi realizado o pré-lançamento da Frente Estadual de Combate à Violência Contra Mulher. O evento, realizado no SEPE-RJ, contou com a presença de cerca de 30 mulheres de diversas organizações que lutam pelos direitos feministas.

Esta iniciativa faz parte de um longo processo que se iniciou no ano passado, no dia da luta contra violência à mulher (25/11). Na organização do 08 de março de 2011, a ideia da Frente Estadual foi retomada com força, resultando na realização deste pré-lançamento.

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Notícias Internacionais e da Via Campesina

Lançamento da Campanha Nacional da Via Campesina contra os Agrotóxicos e pela Vida

Luta Contra AgrotóxicosA Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e pela Vida será lançada no próximo dia 07 de Abril, em diversos estados do país. A iniciativa surgiu no Seminário contra o Uso dos Agrotóxicos, organizado pela Via Campesina em parceria com a Fiocruz e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, realizado em setembro de 2010, na ENFF.

Estão sendo esperadas atividades como atos públicos, audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília, debates nas Universidades e atividades de agitação e propaganda na sociedade.

A proposta é que a Campanha se torne permanente. A partir dela, devem ser construídos comitês estaduais com representação de diversas organizações, para fazer o debate e a luta contra os agrotóxicos. Luta essa que envolve a luta por um outro modelo de produção e do campo, pelo direito à alimentação e à saúde da população.

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Expediente

Boletim MST Rio

Impactos do agronegócio: MST recebe visita de técnicos norte-americanos

2011-03-23

No dia 18 de março no Sindipetro-RJ, o MST recebeu a visita de 20 pessoas dos Estados Unidos entre pesquisadores, professores, agricultores e técnicos de Ong´s, coordenados por Carlos Aguilar do Ibase.

A perspectiva dos Norte Americanos foi de conhecer melhor o modelo do agronegócio em especial a produção do Etanol no Brasil e suas influências na agricultura camponesa.
O debate foi construído em dois momentos: o primeiro momento com a exposição e comentário de um vídeo sobre o modo de produção da cana; e um segundo momento o debate mais geral sobre os ramos de produção do agronegócio no Brasil e suas influências no campo.

O vídeo trouxe elementos do dia-a-dia dos trabalhadores dos canaviais desde a implantação da cultura até a colheita. Comentado por Marcelo Durão, do MST, o vídeo explicitava as questões do modelo da monocultura da cana como a super exploração do trabalhador, o desrespeito as leis trabalhistas, a degradação e a poluição ambiental causados pela perda da biodiversidade e pelas queimadas, a contaminação dos trabalhadores pelo uso totalmente inadequado de agrotóxicos, enfim todas as mazelas que este modelo causa.
Marcelo Durão ressalta que a queima do etanol como combustível é realmente muito mais limpa que os combustíveis derivados do petróleo, mas a sua produção não tem nada de limpa e muito menos de “bio”. A produção de cana no Brasil ainda segue padrões da época do Brasil colônia, grandes extensões de terras com um único produto – monoculturas, com utilização de trabalho escravo ou análogo, e isso em pleno Rio de Janeiro, visando basicamente o comércio exterior. A lógica deste modelo é produzir commodities e não alimentos ou até mesmo energia.

“Nós não chamamos de bio-combustiveis, porque bio é vida e este modelo não tem nada de vida. Chamamos de agro-combustiveis, pois vem de produtos agrícolas.” – Diz Marcelo Durão.

O segundo momento se deu com a exposição do professor da Uerj e Fiocruz, e pesquisador da ABRA, Paulo Alentejano. Ele trouxe as questões gerais do modelo do agronegócio e seus impactos no campo brasileiro. Discorreu sobre como este modelo vem a passos largos ganhando cada vez mais força e espaço competindo diretamente com a agricultura camponesa familiar na produção de alimentos. Cada vez mais culturas como eucalipto, cana, soja, pecuária vão ganhando espaço em detrimento da diminuição de culturas da nossa cesta básica como arroz, feijão e mandioca.

Realçou também a expansão da fronteira agrícola cada vez mais pra cima da região amazônica proporcionando também o aumento da violência no campo, principalmente nesta região.

“Este modelo proporcionou ao Brasil o titulo de ser o país que mais utiliza agrotóxico no mundo, a ponto de termos em media o consumo de 6 quilos de agrotóxicos por habitantes ao ano no Brasil” – expõe Paulinho.

Alguns questionamentos colocados foram da possibilidade de produção de agrocombustíveis dentro dos assentamentos e na agricultura camponesa familiar. O colocado pelos debatedores foi que a lógica não pode ser de substituir a produção de alimentos da agricultura camponesa para a produção de agrocombustíveis. Os agrocombustíveis devem ser um incremento a mais que proporcione mais uma estratégia no aumento da renda das famílias camponesas, e não a substituição.

Após o debate o grupo se deslocou para o aeroporto para seguirem ao Mato Grosso do Sul para continuarem as investigações e indagações sobre os impactos do agronegócio, só que agora iriam ver além da cana a produção de soja.

Ato pelo Direito à Cidade, pela Democracia e Justiça Urbanas

2011-03-23

ato25demarço

Lançamento da Campanha Nacional da Via Campesina contra os Agrotóxicos e pela Vida

2011-03-23

Campanha Contra Agrotóxicos

A Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e pela Vida será lançada no próximo dia 07 de Abril, em diversos estados do país. A iniciativa surgiu no Seminário contra o Uso dos Agrotóxicos, organizado pela Via Campesina em parceria com a Fiocruz e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, realizado em setembro de 2010, na ENFF.

Estão sendo esperadas atividades como atos públicos, audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília, debates nas Universidades e atividades de agitação e propaganda na sociedade.

A proposta é que a Campanha se torne permanente. A partir dela, devem ser construídos comitês estaduais com representação de diversas organizações, para fazer o debate e a luta contra os agrotóxicos. Luta essa que envolve a luta por um outro modelo de produção e do campo, pelo direito à alimentação e à saúde da população.

Luta Contra Agrotóxicos

Esta campanha possui dois eixos. O primeiro tem como meta denunciar o modelo de produção agrícola, as causas desses venenos e alertar sobre as doenças causadas por esses produtos. Além disso, pretende denunciar que os agrotóxicos têm sido uma das formas do agronegócio ganhar mais dinheiro através do controle na fabricação e comercialização.

O segundo eixo tem como meta anunciar o que queremos para a sociedade, dentro de um outro projeto de desenvolvimento para a agricultura. Assim, devemos almejar um desenvolvimento baseado na agroecologia, na agricultura saudável, na produção de alimentos para toda a população. Baseado também na construção de uma outra sociedade com outros valores, com uma educação e saúde diferentes.

Em resumo: nesta Campanha queremos denunciar o modelo do agronegócio pautar e qual sociedade nós queremos.
Em breve estaremos divulgando as atividades construídas aqui no RJ para o dia 07/04.
Participe da Campanha Nacional da Via Campesina contra o uso dos agrotóxicos !!!!

Reunião de Pré-Lançamento da Frente Estadual de Combate à Violência Contra Mulher

2011-03-23

Foto Luta Violência contra MulherNo dia 22/03 foi realizado o pré-lançamento da Frente Estadual de Combate à Violência Contra Mulher. O evento, realizado no SEPE-RJ, contou com a presença de cerca de 30 mulheres de diversas organizações que lutam pelos direitos feministas.

Esta iniciativa faz parte de um longo processo que se iniciou no ano passado, no dia da luta contra violência à mulher (25/11). Na organização do 08 de março de 2011, a ideia da Frente Estadual foi retomada com força, resultando na realização deste pré-lançamento.

A reunião teve como objetivo debater a criação de um instrumento de luta no combate à violência sofrida pelas mulheres no estado do Rio de Janeiro. Com a proposta ainda em concepção, a frente pretende ser um instrumento de permanente diálogo e um espaço de formação, além de possuir capacidade prática de responder com agilidade aos problemas de violência. A frente pretende ainda pautar o tema da violência nas organizações, realizar debates sobre possíveis mudanças na lei Maria da Penha e ser um importante espaço de promoção das lutas.

Uma velha frase feminista infelizmente não perdeu sua atualidade: QUEM AMA NÃO MATA !

Em nossa sociedade está provado: O MACHISMO MATA!!!

Por isso devemos nos unir e espalhar por todos os cantos deste país: Basta de machismo! Basta de violência! Basta de mortes!!

“No Brasil, as agressões contra as mulheres ocorrem a cada 15 segundos e os companheiros são responsáveis por quase 70% dos assassinatos do sexo feminino.”

POR MIM, POR NÓS E PELAS OUTRAS: NÃO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

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Escola de Serviço Social da UFRJ recebe os estudantes do MST

2011-03-23

Por Alan Tygel

ServiçoSocialMST

No último dia 15 de março, a Escola de Serviço Social da UFRJ (ESS/UFRJ) deu as boas vindas aos seus mais novos alunos: 60 militantes do MST e de outros movimentos sociais do campo, matriculados na turma especial para assentados da reforma agrária. O curso, viabilizado pelo PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária), finalmente se inicia, fruto da articulação entre MST, INCRA (executor do PRONERA) e ESS/UFRJ.

Os alunos, vindos de 20 estados do Brasil, terão cinco anos de curso em regime de alternância, ficando 8 semanas em aulas, e 3 meses em suas atividades normais. Esta não é a primeira vez que a ESS/UFRJ é pioneira em ampliar o acesso à ainda elitizada UFRJ: o Serviço Social foi o primeiro curso da universidade a ter uma turma no período noturno, possibilitando a participação efetiva de trabalhadores neste espaço. Veja o depoimento de Marina dos Santos, uma das alunas do curso.

A aula inaugural do ano de 2011 foi proferida por José Paulo Netto, professor aposentado da escola, mas que fez questão de estar presente neste momento. Antes disso, uma mesa composta Marcelo Braz (professor da ESS), Marcelo Correa (decano do CFCH), Mavi Rodrigues (diretora da ESS), Maristela Dal Moro (coordenadora do curso de Serviço Social), Joana Motta (representante do CA), Rosane Rodrigues (INCRA) e Geraldo Gasparin (coordenação pedagógica da ENFF) saudou os novos alunos, contando um pouco da história da construção deste curso.

ServiçoSocialMST

Mesa de Abertura: Geraldo Gasparin (ENFF), Mavi Rodrigues, Marcelo Correa (CFCH/UFRJ), Marcelo Braz (ESS/UFRJ), Maristela Dal Moro (ESS/UFRJ), Joana Motta (CA), Rosane Rodrigues (INCRA)

O auditório completamente lotado denunciava que alí ocorria um evento histórico. “Estou a 31 anos na Universidade, e raríssimas vezes ví este auditório cheio”, disse Marcelo Macedo, que também representava o reitor. Mavi Rodrigues ressaltou o elitismo da universidade pública brasileira: “No Brasil, menos de 5% dos jovens têm acesso à universidade pública; destes, pouquíssimos são filhos de trabalhadores urbanos; e menos ainda, filhos dos trabalhadores rurais.” Mavi exaltou ainda a parceria entre os diversos atores desta empreitada: o MST, que forçou a entrada dos camponeses na universidade, o INCRA, que executa o PRONERA, o CA, que ajudou na luta contra as resistências internas, o CFCH, que foi a primeira porta de entrada para camponeses através de um curso de extensão, e o reitor Aloisio Teixeira, que foi um grande aliado na derrubada dos obstáculos jurídicos e burocráticos deste processo. E finalizou: “A entrada de trabalhadores rurais no campus universitário é comparável ao corte da cerca do latifúndio”.

Maristela Dal Moro colocou o curso como a materialização de um sonho coletivo. Segundo ela, receber alunos de 20 estados, sendo 60% mulheres, do MST, Movimento de Pequenos Agricultutores (MPA) e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), é um mais um marco na luta pela ampliação do acesso à universidade. E deu ainda as boas vindas ao alunos do curso noturno, que ingressaram via SISU, no primeiro vestibular com cotas sociais da UFRJ. Veja entrevista com Maristela Dal Moro. A representante do Centro Acadêmico, Joana Motta, vê no momento histórico a tentativa de popularizar a universidade, direcionando seu foco para os trabalhadores e não para as grandes empresas.

Representando o INCRA, orgão executor do PRONERA, estava Rosane Rodrigues: “Como agente público, é muito gratificante ver um projeto saindo do papel e chegando à ação, chegando à população. Depois de tantos “chás de sofá”, o sonho se concretiza, e honra o trabalho do agente público.” Rosane ressaltou que o PRONERA continua sob responsabilidade do INCRA (e não do MEC) por força dos movimentos sociais, que exigem uma educação diferenciada para os povos do campo. O desafio agora, segundo ela, é transformar o PRONERA em política pública, e não aceitar mais escolas urbanas no campo. E finalizou: “acompanharei o curso como fiscalizadora do INCRA, mas também como militante.” Veja entrevista com Rosane Rodrigues.

Geraldo Gasparin, da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), finalizou: “Colocar os trabalhadores nas malhas escolares, trabalhar pela formação da classe trabalhadora, isso é parte da nossa luta.” Segundo ele, hoje existem cerca de 50 turmas de assentados da reforma agrária em andamento, com mais de 3000 graduados ou graduandos em todo o país. Veja entrevista com Geraldo Gasparin.

Aula inaugural MST 125

Foto: Cícero Rabello

Ao final da mesa, foi apresentada uma mística feita por ex-alunos da escola, e outra feita pelos ingressantes. Veja o vídeo da mística.

A aula do mestre Zé Paulo Netto foi o momento mais rico da noite. Nada mais simples, e ao mesmo tempo relevante, do que falar sobre a história do Serviço Social, e seu panorama hoje no Brasil e no mundo. Segundo ele, o Brasil hoje é o segundo país com mais assistentes sociais no mundo: 90 mil, perdendo apenas para os EUA. Com a expansão do ensino superior privado a partir do governo FHC, cursos de baixo custo (ou seja, “cuspe e giz”) se proliferaram de maneira muito veloz: de 60 cursos de Serviço Social em 1997, passamos a 250 hoje, com qualidade variando de ruim a péssimo. Mas Zé Paulo ressalta: o curso da UFRJ está entre os cinco melhores do Brasil. E recomenda a leitura do código de ética brasileiro da profissão: “É o mais avançado do mundo”.

No contexto histórico, Zé Paulo diz que o Serviço Social chega ao Brasil pela ‘mão santa’ da Igreja Católica: “Plínio Correia de Oliveira, fundador da TFP, foi um dos primeiros professores de Serviço Social do Brasil”. A profissão surge em nosso país no momento em que não se podia mais tratar a “questão social” como caso de polícia. Neste caso, a “questão social” vista pelos olhos da classe dominante deveria ser tratada com ações filantrópicas, quase como extensão dos cuidados maternos. Por isso, a profissão ainda hoje tem uma grande maioria de mulheres.

José Paulo Netto - Foto: Cícero Rabello

José Paulo Netto - Foto: Cícero Rabello

A chamada “questão social” é finalmente decodificada pelo professor como a pauperização dos trabalhadores. Diante deste quadro, verifica-se dois grandes grupos de soluções: no primeiro, considera-se que este problema não é passível de solução dentro do modelo capitalista. Ou seja, a solução passa necessariamente por uma ruptura. No segundo grupo, considera-se que boas políticas públicas (bom bolsa-família) podem resolver o problema. E a partir dos anos 1890, foi esse o caminho escolhido. Desta forma, considerando que o estado precisa oferecer políticas sociais para promover o bem-estar social, fica patente a necessidade de um profissional para executar essas políticas. Surge assim a profissão de assistente social.

Mas como é possível que uma profissão com surgimento instrinsecamente burguês, esteja inaugurando hoje uma turma de Serviço Social para assentados da reforma agrária? Zé Paulo Netto responde com clareza e objetividade: luta de classes.

Assim, encerra-se a aula inaugural de 2011 e inaugura-se o primeiro curso de Serviço Social do MST na UFRJ. E que daqui a cinco anos, tenhamos 60 profissionais do Serviço Social atuando em sintonia com os interesses do trabalhadores do Brasil!

Veja todos os vídeos desta matéria

Obama não veio a passeio

2011-03-23

Por Alan Tygel

Obama não veio a passeio. Não veio comer baião de dois com carne de sol, não veio assistir capoeira na Cidade de Deus. Definitivamente, não.

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Movimento sociais, partidos políticos e organizações de esquerda mostraram ao todo poderoso Barak Obama que sabem bem o que ele veio fazer aqui. “Tire as garras do pré-sal”, “Fora Obama, o pré-sal é nosso” e “Não à entrega do pré-sal, Obama go home” foram algumas das faixas que puderam ser lidas no ato realizado no último domingo (20/03), antes de seu discurso no Theatro Municipal do Rio, na Cinelândia.

O protesto reuniu cerca de 600 militantes, que marcharam da Glória e Largo do Machado até as proximidades da praça da Cinelândia. Quando o movimento passava pela rua do Passeio em direção à Cinelândia, a coordenação verificou a quantidade desproporcional de efetivo militar, e decidiu que o mais prudente seria terminar o ato ali mesmo. Segundo Marcelo Durão, da coordenação nacional do MST, o ato preservou até o fim seu caráter pacífico, passando sua mensagem de que Obama veio ao Brasil principalmente para negociar o petróleo brasileiro. Veja o depoimento de Marcelo Durão.

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Também foram lembrados no ato os 13 presos políticos que ainda se encontravam encarcerados sem nenhuma prova. Os manifestantes foram detidos no ato realizado na sexta-feira em frente à embaixada americana, sob acusações absurdas e sem provas. As fitas da embaixada, que certamente filmaram tudo, não foram liberadas. Os 12 presos maiores de idade foram levados a presídios (Bangu e Água Santa), enquanto um menor foi recolhido ao Instituto Padre Severino. Coincidentemente, todos foram soltos uma hora após a partida de Obama do Brasil.

foraobama3Outras informações no site da APN

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2011-03-11

Caso não consiga visualiza o boletim corretamente, acesse http://boletimmstrj.mst.org.br/boletim15
Boletim do MST RIO — Nº 15 — De 08 a 22/03/2011

Notícias do MST Rio

Dorothy Stang presente: a luta na Serra e no Vale à sombra da ferrovia e rodovia

P1030239O Acampamento Dorothy Stang em Quatis (RJ) está marcado por cenários fortes que atravessam a vista: no pé da Serra da Mantiqueira, no Vale do Paraíba, próximo da Rodovia Dutra e à sombra da gigantesca da Ferrovia do Aço. O Vale do Paraíba apresenta um vasto cenário de terras e matas degradadas, já abandonadas no passado pela cafeicultura que continuam sendo erodidos pelo gado. O impacto deste modelo urbano-industrial não planejado e o abandono da agricultura atinge também as beiras da Serra da Mantiqueira

Acampamento Dorothy StangNesta busca e compromisso à memória de Dorothy Stang, é muito importante aglutinar a luta pela terra na terra, com a luta ecológica e de defesa das maiorias pobres. Relembrar a vida, paixão e morte de irmã Dorothy cria o espaço da mística importante, reafirma a necessidade da resistência e da cumplicidade entre as lutas da cidade, da roça e da floresta. A conquista da terra em Quatis passa também pela discussão das questões da Serra e do Vale, o enfrentamento da lógica do capital expressa na Ferrovia e na Rodovia.

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Ocupacão do BNDES: Mulheres do Campo e da Cidade na Luta Contra os Agrotóxicos

Ocupação BNDESNo dia 02/03, cerca de 300 mulheres trabalhadoras do campo e da cidade, representando mulheres dos movimentos feministas, sindicais, estudantil, partidos, movimentos populares, ocuparam a sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no centro do Rio de Janeiro, para denunciar os efeitos negativos à vida humana e à natureza da utilização excessiva de agrotóxicos pelo agronegócio.

Ocupação BNDESO objetivo da mobilização foi denunciar os altos investimentos e empréstimos do BNDES aos grandes latifundiários e às transnacionais, que hoje dominam a agricultura no Brasil e se apropriam da natureza e da riqueza produzida no campo.

As Mulheres Sem Terra e da Via Campesina vêm ao longo desses anos realizando lutas contra o modelo do agronegócio no campo, por compreender que as mulheres são afetadas diretamente, sendo elas as principais responsáveis pela soberania e segurança alimentar, através da produção das hortas, pomares e pequenos animais. E ainda este modelo traz violência, opressão as mulheres e falta de perspectiva econômica para elas.

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Notícias do Rio

Moradores de Santa Cruz realizam ato contra TKCSA

Manifestação teve o apoio de pesquisadores da fiocruz. Foto: Clarice Castro.Moradores de Sepetiba e Santa Cruz se uniram a estudantes e movimentos sociais em ato contra a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) ligada ao grupo ThyssenKrupp, em frente ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na última sexta-feira, 25. As denúncias dos moradores vão desde a contaminação das águas, o desmatamento do manguezal, a redução e comprometimento da pesca até a privatização dos rios e da Baía.

Segundo uma carta de repúdio produzida pelo movimento, as obras da empresa alteraram o sistema de drenagem do entorno de suas instalações e provoca alagamentos. O trem que chega com minério e que passa próximo a muitas residências é fonte de muito ruído e poeira. A carta afirma ainda que, segundo especialistas da Fiocruz, o material particulado emitido pode conter elementos que irritam o aparelho respiratório e que podem provocar até câncer.

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8 de Março: Dia Internacional da Mulher – Contra todas as formas de violência à mulher

No Dia Internacional da Mulher são comemorados os avanços alcançados pela mulher, como a entrada ao mercado de trabalho, a participação na política, etc. O que não costuma ser dito, é que a celebração do dia 8 de março tem uma origem bem diferente da conotação que ele ganhou nos últimos anos.

A origem do 8 de março está vinculado às reivindicações femininas por melhores condições de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias. Relembra a grande onda grevista das operárias têxteis de Nova Iorque (EUA), em 1908 e 1911, em luta por redução de jornada de trabalho, salário igual e contra a intolerância patronal, além da mobilização de mulheres de muitos países pelo direito ao voto e da ação política das operárias russas que desencadearam a Revolução Russa em 1917, saindo às ruas contra a fome, a guerra e a tirania. Tendo como principais palavras de ordem eram “Pão para nossas/os filhas/os” e “Tragam nossos maridos de volta das trincheiras”.

Participem das mobilizações:

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Bloco “Se Benze Que Dá” agita a Maré no Carnaval

Foto: AF RodriguesPelo direito de ir e vir. Esse é o lema do bloco Se Benze Que Dá, que há 7 anos desfila pela conjunto de favelas das Maré. Segundo os membros do bloco, “a meta principal é conseguir desfilar por todas as comunidades da Maré, derrubando os muros e barreiras visíveis e invisíveis impostos pela violência. Loucos? Se benze que dá!”.

A concentração para o desfile começou às 15h, no museu da Maré. Por volta da 17h, os tamborins começaram a esquentar e a sair pelas ruas. Nas ruas, os carros passavam e a curiosidade era nítida. À medida em que as ruas iam se apertando, ficava mais complicado controlar os vai-e-vem de carros e motos. Alguns motoristas passavam de cara amarrada e acelarando, outros mais amáveis, acenando. Com cartazes dizendo “Vem pra rua morador”, “Muro não”, “Muro é o caralho, “Exigimos respeito às favelas” e “Se benze que dá”, o bloco foi aos poucos ganhando as ruas da Maré e também seus moradores.

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Bloco Comuna Que Pariu homenageia o MST

Bloco Comuna Que Pariu homenageia o MSTCom o samba Somos Todos Sem Terra, o bloco Comuna Que Pariu homenageou o MST e realizou sua apresentação na tarde do dia 6, domingo de carnaval. O bloco é formado por militantes do PCB e organizado pela UJC.

Além da presença de diversos militantes, este ano o bloco contou com a presença dos/as educando/as do MST do curso de Serviço Social da UFRJ. Bloco do tipo “concentra mas não sai” animou a militância que se fez presente em frente à ocupação do Manoel Congo, do MNLM, na Rua Alcindo Guanabara, Centro do Rio.

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Notícias Internacionais e da Via Campesina

Jornada das Mulheres da Via Campesina agita o Brasil na luta contra agrotóxicos e contra a violência

Foto Luta das Mulheres- Nacional- SP Nós mulheres da Via Campesina, na Jornada Nacional de Luta das Mulheres – 2011 estivemos nas ruas junto com mulheres da Cidade para denunciar a extrema gravidade da situação do campo brasileiro. Queremos reafirmar com nossa luta que não nos subordinaremos ao modelo capitalista e patriarcal de sociedade, concentrador de poder, de terras e de riquezas.

A pobreza tem cara de mulher. No Brasil são as mulheres e as crianças pobres que mais sofrem as consequências desse modelo devastador do meio ambiente e dos direitos sociais.

Veja como foram as manifestações pelo Brasil.

Protesto das mulheres na Aracruz completa 5 anos

Protesto das mulheres na Aracruz completa 5 anosNa madrugada do dia 8 de março de 2006, 1.800 mulheres da Via Campesina realizaram uma das maiores ações contra o monocultivo de eucalipto no Rio Grande do Sul. Organizadas, as mulheres ocuparam o viveiro hortoflorestal da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, município que fica a cerca de duas horas de Porto Alegre. Na ação, elas destruíram estufas e bandejas de mudas de eucalipto.

A repercussão do protesto ampliou o debate sobre a monocultura de eucalipto e chamou a atenção da sociedade sobre os malefícios sociais, ambientais e econômicos desse tipo de cultura.

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Expediente

Boletim MST Rio

Dorothy Stang presente: a luta na Serra e no Vale à sombra da ferrovia e rodovia

2011-03-11

Por Nancy Cardoso Pereira – Pastora metodista CPT, com fotos de Nanda Scarambone

P1030239

O Acampamento Dorothy Stang em Quatis (RJ) está marcado por cenários fortes que atravessam a vista: no pé da Serra da Mantiqueira, no Vale do Paraíba, próximo da Rodovia Dutra e à sombra da gigantesca da Ferrovia do Aço.

Antigas fazendas de café e coisa nenhuma e um rápido processo de industrialização no Rio de Janeiro e São Paulo transformaram a região do Vale do Paraíba numa extensão mal feita das políticas urbano-industriais e no abandono de políticas agrárias e agrícolas. De acordo com pesquisadores, a agricultura participa com menos de 1% na economia da região.

Acampamento Dorothy Stang

O Vale do Paraíba apresenta um vasto cenário de terras e matas degradadas, já abandonadas no passado pela cafeicultura que continuam sendo erodidos pelo gado. O impacto deste modelo urbano-industrial não planejado e o abandono da agricultura atinge também as beiras da Serra da Mantiqueira tendo como principais problemas:

  • o parcelamento irregular do solo;
  • ocupação desordenada e mau uso do solo;
  • poluição dos recursos hídricos;
  • abertura e manutenção de estradas;
  • corte ilegal de vegetação nativa (mata ciliar);
  • queimadas.

E cruzando a região está um dos maiores empreendimentos ferroviários que liga as principais minas de minério de ferro e usinas siderúrgicas do Brasil, seus maiores mercados consumidores e seus principais portos marítimos: a Ferrovia do Aço (MRS Logística). No rastro da Ferrovia e sua história conturbada de mandos e desmandos desde a ditadura militar, a Ferrovia deixa também um rastro de degradação ambiental e social: áreas anteriormente contaminadas e degradadas durante o período frenético de construção que ainda não foram sanadas; o contínuo problema de gestão de materiais perigosos que vão sendo deixados por onde passa; Emissões ao ar de produtos perigosos; a falta de segurança operacional e prevenção de acidentes; e o não tratamento de resíduos, emissões e efluentes derivados de operações de manutenção; a vulnerabilidade de saúde e segurança dos empregados; ocupação irregular da faixa de domínio; nenhum envolvimento e desenvolvimento da comunidade; impacto negativo sob o patrimônio cultural das cidades atingidas; comprometimento de condições de vida de povos indígenas; e ausência total de sistemas de gestão ambiental que garantam a saúde do território e das comunidades.

Acampamento Dorothy Stang

Neste cenário que retrata bem as opções desenvolvimentistas que vêm se mantendo na história do Brasil, a ocupação do MST em 2006 na região de Quatis (RJ) coloca a questão da terra em suas dimensões agrária, agrícola e ambiental, exigindo que os movimentos sociais encarem a região de uma outra maneira. A presença do Acampamento Dorothy Stang na região do Vale do Paraíba é importante e vital para a reflexão e ação dos setores da sociedade que se juntam na luta por um modelo de sociedade que rompa com a lógica destrutiva do capitalismo. A luta segue para transformar as estruturas das forças produtivas e do aparelho produtivo, na busca de um desenvolvimento ecossocialista, baseado na agricultura orgânica dos camponeses e nas cooperativas agrárias, nos transportes coletivos, nas energias alternativas e na satisfação igualitária e democrática das necessidades sociais da grande maioria.

Nesta busca e compromisso à memória de Dorothy Stang, é muito importante aglutinar a luta pela terra na terra, com a luta ecológica e de defesa das maiorias pobres. Relembrar a vida, paixão e morte de irmã Dorothy cria o espaço da mística importante, reafirma a necessidade da resistência e da cumplicidade entre as lutas da cidade, da roça e da floresta. A conquista da terra em Quatis passa também pela discussão das questões da Serra e do Vale, o enfrentamento da lógica do capital expressa na Ferrovia e na Rodovia.

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Este objetivos nos uniram no dia 12 de fevereiro de 2011 no Acampamento Dorothy Stang: aglutinar setores dos movimentos sociais e eclesiais que se juntam na luta pela terra e na terra como exercício de formulação de um “outro mundo possível” também no Vale do Paraíba. A presença de setores eclesiais progressistas, sindicatos, parlamentares e de movimentos pela moradia mostraram o desafio de aglutinar os movimentos sociais na região a partir de uma pauta comum de formação e intervenção.

A comunidade de fé e luta reunida foi convidada pelo coordenador do Acampamento – Sr. Chiquinho – a plantar muitas árvores nativas da Mata Atlântica firmando assim um compromisso de defesa do Acampamento Dorothy Stang mas também de luta conjunta.

Acampamento Dorothy StangAcampamento Dorothy Stang
Foto  Acampamento Irmã Doroty