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Acampamento Contra As Privatizações Em Defesa Do Brasil

2010-11-09

Cerca de 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio de Janeiro e dos estados do ES, PR e SP realizaram um acampamento em frente ao Edifício Sede da Petrobrás (Edise), de 21 a 29 de outubro. Os militantes chegaram ao Rio para participar do grande ato público Contra o Retrocesso e em Defesa Do Emprego, dos Direitos, do Patrimônio Público e da Soberania Nacional, que reuniu cerca de 20 mil pessoas em passeata pela Av. Rio Branco.

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Após esta manifestação, os militantes do movimento se mantiveram em mobilização por mais uma semana e montaram acampamento. Esta estrutura foi possível pela parceria com Sindipetro/RJ.

Pelo menos em outras quatro capitais do país, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, integrantes do MST também realizaram mobilizações com os mesmos objetivos que a do Rio, que é de derrotar o candidato da direita e impedir a volta do neoliberalismo e das privatizações. De acordo com o coordenador estadual e membro da direção nacional do MST, Marcelo Durão, os integrantes do MST estão realizando a manifestação de forma militante e voluntária, e além de acamparem em frente à estatal também estão panfletando em locais de grande movimentação. “Entendemos a importância de impedir o retrocesso e nos colocamos nas ruas para passar essa mensagem à população. Nossos materiais, principalmente o jornal Brasil de Fato, têm sido muito bem recebidos pelas pessoas que passam por locais como a Praça XV, o Largo da Carioca e a Central do Brasil”, explica.

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Marcelo Durão também ressalta a importância de manter o povo mobilizado, mesmo depois das eleições. “No Rio de Janeiro estamos desde 2007 sem assentamentos, por isso, além de lutar contra o retrocesso, precisamos cobrar que o próximo governo atenda às reivindicações dos movimentos sociais, como saúde, educação, trabalho, moradia e reforma agrária”.

Fotos: NiloMendes
Fonte: Agência Petroleira de Notícia

A Via Campesina convida os movimentos sociais em todo mundo para mobilização

2010-11-09

Os Movimentos sociais de todo o mundo estão se mobilizando para a 16ª Conferência das Partes (COP 16) da convenção Marco das Nações Unidas para a Mudança Climática (CNNUCC) que se acontecerá em Cancun, México de 29 de novembro a 10 de dezembro de 2010.

A COP 15 em Copenhague demonstrou a incapacidade dos governos para enfrentar as causas reais do caos climático. No último momento, os EEUU pressionaram para aprovar de forma antidemocrática o chamado “Entendimento de Copenhague”, com intenção de levar o debate para os compromissos de Kioto das Nações Unidas e favorecer soluções voluntárias com base no livre mercado.

As Negociações climáticas parecem cada vez mais um grande mercado. Os países industrializados, historicamente responsáveis pela maioria das emissões de gases de efeito estufa, estão inventando todos os truques possíveis para evitar reduzir-las. Por exemplo, o “mecanismo para um desenvolvimento limpo (MDL) do protocolo de Kioto permite aos países seguir contaminando e consumindo como de costume, ao mesmo tempo que pagam aos países do sul global para abrir novas plantações agrícolas que se consideram “sumidouros de carbono” .

Neste mercado climático global, as empresas transnacionais estão tentando embolsar o máximo de dinheiro possível, vendendo tecnologias destrutivas mascaradas por trás de uma mentira de que podem solucionar a crise climática, com os agrocombustíveis geneticamente modificados com o pretexto de reduzir o consumo de combustíveis fósseis. Por exemplo, desde a eleição de Obama, a Monsanto tem gastado milhões pressionando o Congresso para a legislação sobre a mudança climática. A maior empresa de sementes do mundo diz que os monocultivos de sua soja Roundup Ready podem qualificar para os créditos de carbono, pois contribuem na redução de gases de efeito estufa no solo. As comunidades que vivem onde há os monocultivos de soja podem atestar os efeitos da devastação desses monocultivos em seu entorno e nas suas vidas.

Muitos governos dos países do Sul, atraídos também pelas novas oportunidades financeiras, tendem a aproveitar em vez de mudar a novos modos de produção e consumo que seriam de utilidade para a população. Por exemplo, dar apoio a agricultura sustentável e dos camponeses seria muito mais benéfico para a sociedade e o meio ambiente do que fomentar as plantações de monocultivos.

A Maioria dos países não tem tomado muito a sério as negociações de políticas que podem reverter a crise climática, em vez disso, estão negociando por quanto tempo mais poderão seguir escapando sem fazer nada, pois simplismente querem seguir com seus “negócios como sempre”.

Por esta e outras razões que os movimentos sociais, e organizações de todo o mundo devem seguir lutando contra este modelo que destrói não só o meio ambiente como também nossas vidas.
Convidamos a todos/as para neste período estarmos junto realizando atividades em tosos os países denunciando esta crise e exigindo mudança neste modelo.

¡Miles de soluciones del pueblo ante el cambio climático!

¡Miles de parcelas campesinas para enfriar el planeta!

¡Miles de Cancún por la justicia climática!

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Ocupação da Fazenda Anonni completa 25 anos no Rio Grande do Sul

2010-11-09

Por Bianca Costa
Da Página do MST

Ocupa?ß?£o da Fazenda Anonni completa 25 anos no Rio Grande do Sul

No dia 29 de outubro de 1985, mais de 6 mil pessoas participaram da primeira grande ocupação de terra massiva do Estado do Rio Grande do Sul.

A ocupação da Fazenda Anonni é considerada uma das maiores da história do MST e garantiu o assentamento de mais de 400 famílias na região Norte do Estado.

A área de mais de 9 mil hectares é um marco para a luta pela terra e também ficou nacionalmente conhecida pelo filme “Terra para Rose”, que além de contar a história da ocupação, mostrou o espírito de luta da sem terra Roseli Salete Nunes da Silva, assassinada durante a ocupação.

A importância do momento da ocupação e a história de luta das famílias que estão assentadas na Fazenda Anonni é o que motiva os pequenos agricultores a manter viva a memória.

Isaias Vedovatto, que hoje faz parte da direção estadual do MST, participou da ocupação e trabalha ativamente para a recuperação da memória.

De acordo com ele, muitas coisas foram escritas sobre a Fazenda Anonni, mas a história nunca foi contata pelos participantes reais do processo.

“Nesses 25 anos é possível olhar para traz e recuperar a história por meio do olhar dos próprios trabalhadores. Um esforço de lembrança coletiva”, afirma.
Vedovatto conta que os trabalhadores pretendem recuperar fotos, materiais e instrumentos da época da ocupação para realizar uma espécie de memorial no Instituto Educar, uma escola que fica dentro do assentamento da Fazenda Anonni, na cidade de Pontão, região Norte do Estado.

O advogado do MST na região, Leandro Scalabrin, afirma que a idéia da recuperação da memória surgiu da necessidade de reforçar a identidade do assentamento e criar, nas novas gerações, a cultura da lembrança da luta pela terra na região.

“A ideia é aproveitar que as pessoas estão vivas para contar a história. Pois enquanto a memória não vira documento, ela se perde. Muitos escreveram, mas a versão dos participantes reais da história ainda está para ser contada”, afirma. Oitenta lideranças da região já estão organizando esse processo.

Atualmente o assentamento conta com três escolas, diversas cooperativas que produzem leite, um frigorífico que vende em grande escala, ginásios para a prática de esportes e espaço para o lazer e cultura. Os assentados ainda produzem para seu autosustento.

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PM entra em confronto com moradores da Vila Taboinhas

2010-11-09

Moradores da Vila Taboinhas, em Vargem Grande, na zona oeste do Rio, entraram em confronto com a Polícia Militar na tarde desta terça-feira (9) após seis horas de negociação. Eles bloquearam a principal via de acesso à comunidade por volta das 14h30 a espera de uma solução para o impasse gerado pelo cumprimento de uma ordem de despejo. Por volta das 15h o comandante do 31º batalhão da Polícia Militar (Recreio), tenente-coronel Antonio Couto da Cruz entrou na comunidade acompanhado com mais quatro policiais e um oficial de justiça. O grupo entrou no local para fazer um reconhecimento da área, quando começou o confronto. A PM usou bombas de gás lacrimogêneo e gás pimenta contra os moradores da comunidade.

Crianças e mulheres passaram mal com os efeitos do gás. Cerca de 20 policiais invadiram a área e clima ficou tenso entre PM e moradores, que se recusam a deixar a área.
Por volta das 15h, a comunidade ainda avaliava uma proposta feita pelos dois representantes da Defensoria Pública do Rio, que tentam mediar o conflito para chegar a uma solução pacífica. A proposta é dar mais 30 dias de prazo aos moradores, enquanto a Secretaria Estadual de Habitação avalia uma alternativa para reassentar as cerca de 400 famílias.

A Prefeitura do Rio não havia enviado nenhum representante da secretaria de Habitação ou Assistência Social até a chegada de duas assistentes às 14h30, acionadas pela Defensoria Pública. A 500 metros dali, pela manhã, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), participava de uma cerimônia de apresentação dos ônibus articulados.
Os moradores argumentam que não haviam recebido até então nenhum aviso da prefeitura sobre a ilegalidade da ocupação e dizem que fizeram melhorias no local, como o aterramento do mangue.

Um pedido de reintegração de posse determinou a saída de 400 famílias no prazo de 48 horas. Os moradores vivem no local há cinco anos, mas o terreno pertence a uma construtora.

Há 18 anos no Rio, a diarista Fátima Cândida dos Santos, de 54 anos, participou da criação da comunidade, em 2005, e conta que os próprios moradores se reuniram para fazer melhorias no local. Hoje, ela mora com o filho, a nora e os dois netos em uma casa de quarto, sala, cozinha e banheiro e ainda paga as prestações do empréstimo que fez para a reforma.

- Quando a gente veio pra cá, não havia nada. Passamos por três enchentes, perdemos tudo. Nos reunimos para aterrar o terreno. O que dá mais revolta é que, se era pra tirar, que fosse no começo. Por que não foi antes? Demos tudo de nós para construirmos essa casa. A gente não tem pra onde ir. Aqui é um lugar onde só existe gente trabalhadora e pai de família. Dormimos de porta aberta, é uma comunidade unida.

Os moradores negaram a informação de que a comunidade é dominada por milicianos. A informação surgiu dos advogados dos proprietários do terreno, que citaram um levantamento do Ministério Público que apontaria a presença de milícia.

O defensor público Francisco Horta afirmou que o processo de reintegração de posse começou em 2007. Na época, contava como réu do processo uma moradora que não vivia na comunidade. Ela conseguiu uma ordem judicial para que seu nome fosse retirado da ação. Depois disso, os autores da ação não atuaram mais no processo, que ficou sem réu.

– Eles não foram citados na ação, portanto não tiveram direito a ampla defesa garantida pela Constituição.

O terreno pertence à construtora Debret S.A. e a mais dez pessoas físicas. O advogado dos proprietários afirmou que eles souberam da ocupação em 2007, e que no ano seguinte conseguiram uma decisão favorável a reintegração de posse. Na época, oficiais de justiça não encontraram a comunidade, por isso a ordem de despejo está sendo cumprida só agora.

Resposta no Voto

2010-11-09

Mesmo num período de crise política, de representação e da institucionalidade, onde as eleições fundamentalmente não representam disputa de projetos. Tivemos no Rio de Janeiro alguns resultados importantes para o conjunto da classe trabalhadora, para organizações e movimentos sociais. No entanto continua o desafio de realizar ações de luta conjunta, pois no quadro eleitoral, também apresenta muitos desafios.

A eleição de Chico Alencar e Marcelo Freixo, ambos do PSOL, mostra pra sociedade fluminense e para os partidos a importância da parceria dos mandatos com as lutas da classe trabalhadora. Esse processo foi fruto da ação militante de muitos companheiros e companheiras. O resultado do segundo lugar para ambos demonstra a importância da ação coletiva nesse processo eleitoral, sem o aparato material de muitos outros candidatos e o resultado disso, mas também a responsabilidade para próximo período.

A reeleição de outros/as camaradas parceiros históricos na Luta pelos direitos, pela Reforma Agrária, comprometidos com a classe trabalhadora foram importantes como a Dep. Inês Pandeló do PT, que tem sua atuação marcante na luta pelos direitos das mulheres e da educação; o Dep. Paulo Ramos do PDT, que proporcionou ao MST a medalha Tiradentes e o Dep. Molon do PT agora como deputado federal. Lembrando também a eleição para senador do Lindenberg do PT que na gestão como prefeito em Nova Iguaçú tornou possível o assentamento de comunidades do campo de mais de 20 anos, quando redefiniu áreas rurais em Nova Iguaçú; entre outros.
Porem sabemos que foram eleitos uma grande quantidade de candidatos que não representam o projeto da classe trabalhadora, e isso aumenta a nossa responsabilidade de realizar as lutas e construir ações conjuntas.

Este processo nos mostra a necessidade da construção de mandatos com uma concepção política diferenciada, essencialmente por duas questões:
A primeira podemos dizer para fora, no método que organiza o mandato, com princípios bem definidos como: mandato constituído de modo aberto e em luta na parceria com os movimentos sociais fortalecendo as lutas e se fortalecendo, ter coordenação coletiva, divisão tarefas, bandeiras políticas claras, inserção com base social , se manter coerente na postura e na relação com o povo e possuir ação transformadora.

A segunda, podemos dizer para dentro, é o próprio comportamento do mandato na ALERJ. Onde o mandato em nenhum momento se mostre vacilante perante as questões intrínsecas da ALERJ, pelo contrário se mostre a todo o momento também lutador e parceiro das questões que se pauta no dia a dia da população fluminense e dos movimentos sociais.

Desejamos aos camaradas reeleitos, assim como os eleitos, muitas realizações nestes próximos 4 anos e desde já nos colocamos ao lado para as lutas que já se mostram e as que virão.

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O Canecão (e o bingo) são da UFRJ!

2010-11-09

Segmentos universitários defendem a criação, no local, de um espaço cultural público e democrático. A luta de mais de 40 anos para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reaver o terreno onde irregularmente funcionava a casa de espetáculos Canecão, em Botafogo, finalmente acabou. Depois de idas e vindas na justiça, os ocupantes entregaram as chaves do imóvel, em 20 de outubro. Uma surpresa agradável foi que, no dia seguinte, 21, ainda foi conquistada pela universidade a reintegração de posse do espaço vizinho ao Canecão onde chegou a operar, também de forma irregular, um bingo. Por conta disso, transformou-se em comemoração, no próprio dia 21, uma passeata antes prevista como parte da campanha de retomada do Canecão. Organizada pela Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (Adufrj-SSind) em conjunto com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a manifestação, que tinha caráter reivindicatório, ganhou ares de festa.

No dia 9 de julho, com a unidade dos segmentos universitários, foi realizado um grande ato-show pela retomada do espaço da universidade. Diversos grupos e artistas apresentaram-se para uma plateia que chegou a quase mil pessoas circulando pelo campo da Educação Física, na Praia Vermelha. O ato-show foi encerrado com a apresentação da Velha Guarda da Portela. Com um público ainda maior, um segundo ato-show, no dia 15 de outubro, tendo como grande atração a sambista Teresa Cristina, reforçou a campanha.

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Por fim, os ocupantes do Canecão receberam da Justiça o prazo final de 18 de outubro para entregar o prédio às autoridades da UFRJ (o que se concretizou no dia 20). Com esta retomada, finaliza-se um ciclo de lutas e inicia-se outro pautado pela defesa da gestão pública e democrática deste espaço em benefício de uma cultura sem interesses comerciais.

Anderson Tavares, estudante de História e integrante do DCE Mário Prata, afirmou que o movimento tinha por objetivo chamar a atenção da comunidade e da população para que os espaços restabelecidos pela UFRJ sejam utilizados para a produção de cultura popular. “É importante que o Canecão seja acessível a todos”, frisou. Ele também criticou a reitoria: “A reitoria vem dizendo que quer fazer um novo contrato para a locação desse espaço com outra empresa privada. Esse modelo de gestão nós não queremos”, afirmou.

De parar o trânsito

Ao som da bateria do bloco carnavalesco “Simpatia é quase amor”, e usando palavras de ordem, a comunidade iniciou a caminhada que começou na Av. Pasteur, seguindo pelas ruas Dr. Xavier Sigaud e Lauro Müller. Nas ruas, populares ajudavam a dar o tom de comemoração à manifestação. Das sacadas de alguns apartamentos era possível notar moradores aplaudindo o movimento e dançando ao som do bloco. Em frente à casa de espetáculos, os estudantes e professores prenderam um grande cartaz que diz: “Adufrj e Centros Acadêmicos na Praia Vermelha: Por um espaço cultural, público e democrático. O Canecão é nosso”.

No instante em que colocavam a faixa, o estudante de Comunicação Social, Kenzo Soares, afirmou que aquele se tratava de um momento histórico: “Estamos mostrando para toda a população que o Canecão é de quem?”. Ao que todos responderam sonoramente: “É nosso!”. Nesse momento, o movimento fechou por completo a Rua Lauro Müller. Em menos de cinco minutos a polícia chegou para liberar parte do trânsito.

Centro cultural

O diretor da Adufrj-SSind, Eduardo Granja tomou a palavra: “Neste momento está nascendo o futuro Centro Cultural da UFRJ”. Alertou, porém, para a dificuldade da implementação do plano: “Esse é um projeto lindo, mas difícil, porque há aqueles que pensam esse espaço como lugar de cultura mercantilizada. Mas há nós, que defendemos um espaço de cultura democrática, que coloque a cultura a serviço do povo”. Ele chamou a comunidade a participar desse momento de disputa por modelos de gestão dos espaços. “Encontraremos dificuldades inclusive dentro da universidade. Mas, a partir de agora, o Canecão é nosso!”.

Representante da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel), Malu Ribeiro falou sobre o esvaziamento de espaços culturais na cidade voltados para jovens: “A juventude, de modo geral, tem seus espaços de cultura limitados. Essa conquista histórica, resultado de anos de luta, é também da população do Rio de Janeiro, da população brasileira. É por isso que encampamos essa luta”.

Espaço de formação

Numa última intervenção, o estudante Kenzo afirmou que hoje a UFRJ não possui espaços para a formação cultural de seus alunos, como palco para apresentações de música e teatro e que o objetivo é de que o Canecão se torne esse espaço: “É por isso que estamos aqui hoje, para fazer desses espaços de cultura, de extensão da universidade”, finalizou. Antes de retornarem ao campus da Praia Vermelha, o movimento voltou à frente do antigo bingo no qual escreveram palavras de ordem e pintaram o símbolo da campanha “O Canecão tem que ser nosso”. Depois, voltaram para a rua e, sendo acompanhados pela polícia seguiram até o campus onde encerraram a caminhada.

Planos futuros

O pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFRJ, Carlos Levi, disse em entrevista ao Jornal da Adufrj que a proposta da reitoria é criar uma comissão de artistas e professores de todo o estado do Rio para que ouvir os anseios da sociedade sobre o espaço do Canecão, especificamente. “A expectativa é montar um Centro de Cultura da UFRJ e adequar os espaços para essa prática, já que as atuais instalações não são apropriadas para esse fim”, afirmou.

O pró-reitor falou que para isso, a ideia é realizar parcerias com os governos estadual e federal. A curto prazo, no entanto, o objetivo é realizar uma verificação técnica das instalações junto à Defesa Civil, para que se tenha um laudo confiável sobre as reais condições de estrutura elétrica, hidráulica e física do prédio. Já com relação ao espaço onde funcionava o bingo, Levi disse que a UFRJ vai avaliar “o que pode ser remanejado da Praia Vermelha para aquele espaço”, mas ainda não tem um plano específico. “Aquele local está muito degradado. Antes de tudo, será preciso realizar uma grande reforma”, finalizou.

Fonte: Comunicação da Adufrj-SSind

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Irmã Dorothy: 300 anos de opressão e luta. 5 anos de acampamento!

2010-11-09

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A ocupação da Fazenda da Pedra, completou no dia 23 de outubro desse ano, 2010, seu quinto aniversário. Mas a história dessa luta tem quase 3 séculos. A apropriação das terras da Fazenda da Pedra data do final do século XVIII, durante o ciclo do café. Desde então a luta pela terra não parou mais. A maior prova disso é a existência do Quilombo de Santana. Uma comunidade remanescente de Quilombolas que luta até hoje pela regularização fundiária. A história dessas duas lutas (Quilombolas e Sem Terra) se encontram na força que os quilombolas deram para a ocupação das terras da Fazenda da Pedra. As terras reivindicadas pelos quilombolas, não fica mais no perímetro da Fazenda da Pedra. Mas a opressão tem origem na mesma família (Carvalho Salgado).

Desde o início da organização da ocupação, ainda durante os trabalhos de base e preparação das famílias, três forças se juntaram (MST, Quilombolas e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra Mansa, através de seu Presidente Bernardino Moreira) e rompemos as cercas e os cercos que impediam o povo de chegar ao direito de retomar seus territórios.

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Essa ocupação teve sabor especial, porque os trabalhadores e trabalhadoras organizadas enfrentaram o poder político do latifúndio. A Prefeitura de Quatis, do Prefeito Alfredo de Oliveira do PT, mobilizou a Guarda Municipal para impedir a ocupação e o Poder Judiciário em conluio com o Governo do Estado mobilizaram a Polícia Militar. O aparato pró-latifúndio ainda contou com o apoio da Deputada Federal Cida Diogo, também do PT, que procurou diversas vezes o INCRA-RJ para tentar parar o Processo de Desapropriação.

Aproveitamos um vacilo das forças repressoras da liberdade, por ocasião do Plebiscito do Desarmamento e como mágica os trabalhadores brotaram do chão, nascendo das terras abandonadas, junto com o desejo de torná-las produtivas de alimentos. Era 25 de outubro de 2005 e logo na primeira assembléia o povo acampado dizia que na Fazenda da Pedra nascia a COMUNIDADE IRMÃ DOROTHY, reforçando a identidade de luta pela terra, resgate da memória dos lutadores e lutadoras do povo e comprometendo-se com o desenvolvimento integrado e sustentável. Irmã Dorothy: PRESENTE EM NOSSA LUTA!!!!

Realizada a ocupação, as ameaças logo começaram. A aposta dos donos do poder é que os deserdados não ficaríamos um dia. Ao final do primeiro dia, após resistir à primeira tentativa de reintegração de posse, a primeira comemoração. Ficamos um dia! A aposta, então, passou a ser que não ficaríamos uma semana: nova comemoração! Depois um mês… Um ano… dois anos… três anos… quatro anos… cinco anos. Cinco anos de luta, de resistência. Muitas bandeiras trocadas, mas o acampamento continua resiste e produz vida, verduras, esperanças…

As trabalhadoras e trabalhadores fazem sua parte: ocupar, resistir, produzir… mas continuam aguardando o Governo Federal e o Poder Judiciário, fazer o mais simples… garantir que a Constituição Federal seja cumprida e o direito a terra garantindo. Até quando vamos comemorar aniversário de resistência do acampamento?? Queremos comemorar o Assentamento!

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2010-10-27

Boletim do MST-RJ
Boletim do MST RIO — Nº 06 — De 26/10 a 09/11/2010

Notícias do MST Rio

Habitação nos assentamentos de Reforma Agrária

A habitação é um tema que tem movimentado os Assentados da Reforma Agrária do Médio Paraíba do Sul/RJ, onde os assentamentos estão em processo de discussão para acessar o Credito Aquisição de Material de Construção, também conhecido como crédito habitação, que dá inicio à base da moradia sonhada pelas famílias Sem Terra. O valor atual do crédito é de 15 mil reais, chegando a este valor depois de muitas lutas das famílias nestes últimos anos. Aqui no Rio de Janeiro, a cooperativa e o Setor de Produção, Cooperação e Meio Ambiente (SPCMA), tem buscado discutir metodologia que atinja ao máximo o desejo das famílias neste momento simbólico. Para tal, foram elaboradas cartilhas sobre crédito, identificação de pessoas com habilidade em construção civil, para decidir a forma de construção, seja individual, ou coletiva em forma de mutirão. Contando com a parceria de estudantes da Arquitetura da UFRJ, as famílias agora estão entrando na fase de discussão da tipologia das casas, com auxilio de uma maquete.

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Notícias do Rio

Curso de Licenciatura em Educação do Campo

Encerra no dia 29 de setembro a primeira etapa do curso de licenciatura em educação do campo, que está acontecendo no campus de Seropédica na UFRRJ parceria INCRA/PRONERA e movimentos sociais.

Esta etapa está sendo marcada por várias atividades curriculares de introdução a Agroecologia, Soberania Alimentar e Ciências Sociais e Humanidade. Além dessas atividades, os educandos/as participaram de outros momentos muito importante para o curso e para a formação da turma, no último dia 08 de setembro a turma relembrou em uma Jornada Socialista a morte do comandante Ernesto Che Guevara, reafirmando os valores socialistas e reforçando o compromisso com a classe trabalhadora.

A turma também participou no dia 20 de setembro, da solenidade oficial dos 100 anos da UFRRJ, esse foi mais um momento em que ficou claro que a educação do campo se dá através da luta também no espaço da universidade, pois a mesma proibiu a turma de se manifestar com gritos de ordem e utilização de bandeiras,mas ainda assim a turma não se deixou esmorecer e mais uma vez deixou registrado a importância de um curso que dialoga com a realidade do campo brasileiro, comprovando que a universidade não deixa de ser um latifúndio do saber. E como nos diz Paulo Freire “ Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmaremos.”

É na indignação e no sentido de garantir que todos possam ter acesso a educação, e educação de qualidade, que a turma de Licenciatura em Educação do Campo seguirá se reafirmando perante as injustiças e fazendo luta para que um nova proposta de educação seja estendida aos povos indígenas, quilombolas e aos movimentos sociais.

Curso de formação teatral militante

O Curso de Formação Teatral Militante está sendo realizado desde agosto de 2009 no estado do Rio de Janeiro. No curso estão sendo formados artisticamente militantes de movimentos sociais do campo e da cidade como o MST, o Fórum do Meio Ambiente do Trabalhador, o Núcleo Socialista de Campo Grande e Movimento Estudantil. Os educandos possuem a tarefa militante de repassar a metodologia aprendida para sua organização. Para produzir um teatro comprometido com nossas lutas recorremos ao Teatro do Oprimido (TO), uma vez que este é um método estético que visa à transformação da realidade e a humanização a partir do DIÁLOGO – os oprimidos como protagonistas de sua própria libertação – e através de meios estéticos. Ao longo do curso a turma participou de atividades políticas com apresentações de peças teatrais, intervenções artísticas e oficinas. Entre as atividades está a manifestação do Grito dos Excluídos (7 de setembro de 2009), o Encontro dos Sem-Terrinha (2009), a abertura do Fórum Social Urbano (2010).

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O ‘Comitê trabalho escravo norte fluminense’ recebe Prêmio João Canuto 2010

Dia 21 de outubro, o Movimento Humanos de Direito (MhuD) realizou o Fórum de Direitos Humanos com entrega do Prêmio João Canuto 2010, no CFCH/UFRJ. O MhuD é um movimento que reúne artistas e personalidades que desenvolvem atividades em prol da paz e dos Direitos Humanos. O foco do movimento está em temas como o trabalho escravo, os abusos praticados contra criança e adolescentes, as questões dos quilombolas, índios e do meio ambiente.

O objetivo da atividade foi dar visibilidade a organizações socais rurais e urbanas que se dedicam a diversas ações na luta por direitos humanos. Do Rio de Janeiro foram agraciados o Comitê contra Trabalho Escravo região Norte Fluminense, do qual a CPT e o MST fazem parte e o AHOMAR, Associação homens do mar da Bahia de Guanabara. A atividade também foi importante para dar visibilidade à luta contra a exploração do trabalho nos monocultivos da cana na Região Norte Fluminense, já que em 2009 o Rio de Janeiro o estado com maior quantidade de trabalhadores resgatados em situação de trabalho escravo.

Siderúrgica TKCSA é o novo matadouro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro

O professor de história da Universidade Federal Fluminense – UFF, Marcelo Badaró, escreveu um texto denunciando a Siderúrgica TKCSA por desrespeito ao meio ambiente, à legislação trabalhista, dentre outras questões. No dia 17 de setembro, uma missão de solidariedade e investigação de denúncias esteve em Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, nas imediações da recém-inaugurada Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). De capital majoritariamente alemão, ligada ao grupo transnacional Tyssen Krupp, com participação da Vale do Rio Doce, a CSA foi projetada para se transformar na maior siderúrgica da América Latina. Durante a construção, e agora com a ativação de parte da Indústria, foram registradas perseguições e ameaças aos pescadores, contratação ilegal de trabalhadores chineses, moradores com doenças causadas pela poluição e tantas outras ilegalidades. Mas é importante observar que há também uma intensa mobilização e organização coletiva dos moradores, pescadores, mulheres, professores e outros grupos envolvidos na luta contra a empresa, que afirmam que não estão sozinhos na luta.

Leia o texto de Marcelo Badaró na íntegra

Notícias Internacionais e da Via Campesina

Breve análise sobre a Colômbia, a questão da militarização e violência contra mulheres

Amanda Matheus- Direção Nacional do MST-RJ

Relatorio viagem colombia -amanda2Na Colômbia, além da concentração da terra, estão em curso os mega-projetos conduzidos por empresas multinacionais estrangeiras. Estas empresas atuam principalmente na exploração de matérias-primas como petróleo, carbono, ouro e gás natural para exportação. Mais de 50% da exportação do país no ano passado no país foi de petróleo e carbono.

Outro elemento central na Colômbia é a política de militarização, implementada pelo governo colombiano e dos EUA. A militarização tem sido uma estratégia dos EUA para exercer um controle econômico, social, político e ideológico no mundo e na America Latina. A presença de militares dos EUA na Colômbia vem desde muitos anos, e faz parte da estratégia de dominação dos EUA nos países da America Latina.

Os governos colombiano e estadunidense adotaram diversos acordos militares entre si. É o chamando Plan Colômbia, uma aposta armamentista e de militarização norte-americana, que tem por objetivo a instalação de bases militares norte-americanas no território colombiano e em outros países da America latina. Com isso, pretende-se avançar na ocupação dos territórios latino-americanos.

Nesse contexto de conflito armado, a população é a que mais sofre as conseqüências. Nos desplazamentos de terras de campesinos e indígenas, nos assassinatos, as mulheres são as que mais sofrem com esses conflitos.

A violência contra as mulheres pode ser observada no Encontro Internacional de Mulheres e Povos das Américas contra a militarização que ocorreu na Colômbia, convocado pela Marcha Mundial de Mulheres; Via Campesina; COMPA (Convergência dos Movimentos e Povos das Américas; Conselho Mundial de Paz CMP; Coordinador Agrário Nacional – CNA; PCN (Processos de Comunidades Negras; Movimento Social de Mujeres Contra La Guerra y por La Paz; grupo Compromisso; USD – União Sindical Obrera da industria de Petróleo, Corporación Colômbia de Teatro.

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Camponeses das Américas organizam congresso no Equador

A articulação dos movimentos camponeses e indígenas do continente americano e a luta e incidência política foram os objetivos que permearam o 5º Congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC), aconteceu entre 8 e 16 de outubro, na cidade de Quito, no Equador. A CLOC nasceu em 1994, a partir de um encontro entre 84 organizações, de 18 países da América Latina e Caribe, nos marcos da ‘Campanha Continental 500 anos de Resistência Indígena, Negra e Popular’. Essa articulação teve como eixo central dar unidade aos movimentos sociais camponeses e indígenas contra o impacto das políticas neoliberais implementadas em nosso continente. O 5° CLOC contou com a presença de 1200 delegados e se propôs a discutir um novo projeto de desenvolvimento para a América Latina, colocando em pauta a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América).

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Jovens haitianos chegam ao Brasil para intercâmbio de um ano

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Desde o dia 27 de setembro, setenta e seis (76) jovens haitianos de origem camponesa estão na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em São Paulo, para um intercâmbio de um ano no Brasil. A vinda dos jovens é fruto de um projeto de cooperação entre a Via Campesina brasileira e movimentos camponeses haitianos. Durante o primeiro mês os haitianos estarão na ENFF e depois se dividirão por áreas de Reforma Agrária em diversas regiões do país, onde terão contato com as experiências desenvolvidas pelos movimentos camponeses brasileiros.

O princípio da cooperação é o da solidariedade entre os povos. Desde janeiro de 2009 uma Brigada Internacionalista da Via Campesina está no Haiti, construindo um processo de integração entre camponeses dos dois países e o objetivo deste intercâmbio no Brasil é também fortalecer as organizações e movimentos de ambos os países através do apoio técnico e político.

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Breve análise sobre a Colômbia, a questão da militarização e a violência contra mulheres.

2010-10-26

Amanda Matheus- Direção Nacional do MST-RJ

A Colômbia tem 45 milhões de habitantes e é o terceiro país mais populoso da América Latina, depois do Brasil e México. Está entre os 10 países mais desiguais do Mundo, com um alto índice (46%) de pobreza e desigualdade. No campo, 43% da terra está concentrada, resultando num alto índice de desigualdades: 16.352 proprietários (0,4%) são donos de 62,6% da terra em propriedades maiores a 500 hectares; e 3.223.738 proprietários (86,3%) são donos de 8,8% da terra nas propriedades menores de 20 hectares.

Na Colômbia, a Reforma Agrária não ocorreu. Pelo contrario, vem ocorrendo um processo de contra-reforma agrária, aumentando a violência (desplazamentos forçados) no campo, com objetivo de fortalecer a grande propriedade. Nos últimos anos foram tirados violentamente 5,6 milhões de hectares de terras dos campesinos. A maior parte delas segue nas mãos dos paramilitares e narcotraficantes, que reforçam a grande propriedade. O índice GINI de desigualdade no campo aumentou um pouco mais de 1% nos últimos cinco anos, passando para 0,889 (quanto mais perto de 1, mais desigual).

Na Colômbia, além da concentração da terra, estão em curso os mega-projetos conduzidos por empresas multinacionais estrangeiras que atuam principalmente na exploração de matérias-primas. As principais matérias-primas exportada são: petróleo, carbono, ouro e gás natural. Mais de 50% da exportação do país no ano passado no país foi de petróleo e carbono.

Outro elemento central na Colômbia é a política de militarização, implementada pelo governo colombiano e dos EUA. A militarização tem sido uma estratégia dos EUA para exercer um controle econômico, social, político e ideológico no mundo e na America Latina. A presença de militares dos EUA na Colômbia vem desde muitos anos, e faz parte da estratégia de dominação estadunidense nos países da America Latina.

Os governos colombiano e norteamericano adotaram acordos militares bilaterais, através da estratégia do chamando Plano Colômbia. Este plano é uma aposta armamentista e de militarização norte-americana, que tem por objetivo a instalação de bases militares norte-americanas no território colombiano e em outros países da America latina. Com isso, pretendem avançar na ocupação dos territórios latino-americanos.

Para justificar essa política de militarização, o governo colombiano utiliza o discurso da política de segurança democrática na luta contra o narcotráfico e o terrorismo. Em nome dessa segurança democrática, os EUA e o governo local avançam sobre o controle do território colombiano, reforçando a militarização através das forças legais ligadas ao aparato do estado como policia e o exército, e as forças ilegais (os paramilitares), que controlam as terras dos campesinos e indígenas.

Além disso, o governo colombiano Uribe firmou com governo Barak Obama em 2009 um acordo militar, em que permite que os EUA utilizem sete bases militares e instale outras em território colombiano.

As novas bases que começam a funcionar dentro da lógica do acordo bilateral são aéreas e marítimas: Base Aérea de Apiay, no estado de Meta; Base Aérea de Malambo, área metropolitana de Barranquilla; Base Aérea de Palanquero, situada em Puerto Salgar; Base Aérea de Tolemaida, em Lelgar Tolima; Base Naval de Bahia Málaga, no Pacífico colombiano, em Boaventura; a Base Naval de Cartagena. A estas, se somam outras 3 que vêm sendo utilizadas por soldados dos EUA: A base aérea de Três Esquinas, no estado de Caquetá, que tem presença de militares norte-americanos e aviões de controle; a base aérea Larandida, no estado de Caquetá; e fala-se ainda na base Naval de Caratagena, que seria incluída nesses acordos. No total, teríamos 6 bases aéreas 2 navais.

Desde o início do Plano Colômbia e o Plano Patriota, as bases militares de Três Esquinas e da Larandia, no estado de Caquetá, vêm sendo utilizadas para a operação de aviões e de inteligência técnica norte-americana. Essas bases permitem controlar a população e aumentar os conflitos, evidenciando as verdadeiras intenções do controle militar dirigido a população civil, resultando em assassinatos e desaparecimentos sob a responsabilidade das forças militares.

Ocorre também uma ampliação da capacidade operativa dessas instalações, o que evidencia o aumento do número de soldados e contratistas militares dos EUA presentes em território colombiano. O fortalecimento operativo da base militar de Palanqueiro reforça a existência militar estadunidense em outras bases da Colômbia, tais como a de Três Esquinas e Tolemaida. Também reforça o controle de zonas de alta biodiversidade, de zonas de possíveis mega projetos de infraestrutura (exploração petroleira). Essas novas bases têm a tarefa de permitir que empresas multinacionais e os grupos empresariais colombianos desfrutem destes recursos.

Outro elemento importante a ter em conta é o logístico, operativo e militar destas Bases, que a partir dos acordos militares, buscam instalar na Colômbia a antiga Escola das Américas e outros tipos de treinamento militar dos EUA para exércitos latinoamericanos. Há todo um acordo para aumentar os procedimentos conjuntos, logística e equipe, capacitação e instrução, fortalecimento da capacidade de reconhecimento e monitoramento, exércitos conjuntos e especialmente intercâmbio de informação de inteligência. O objetivo desses acordos é estender os manuais de procedimento militar dos EUA em exércitos como o colombiano. Esses acordos militares para resgatar a Escolas das Américas fazem parte da estratégia de controlar a guerrilha colombiana e as outras organizações políticas na Colômbia e na America Latina, que seguem contra a política norte-americana.

O papel do estado colombiano tem sido reforçar a política de militarização, na medida em que reforça as forças legais do aparato estatal como a polícia e o exército, e também reforça as forças ilegais como os paramilitares, que controlam cada vez mais territórios e populações, e reforça o conflito armado.

Do ano de 2002 a 2008, o governo de Uribe gastou mais de 120 bilhões de pesos (60 milhões de dólares) em aparato militar do Estado. Em 2002, as forças militares possuiam 280 mil integrantes; em 2010, esse total chega a 456 mil. Outros dados mostram que 56% dos salários pagos pelo governo nacional estão destinados para pagar essas forças de segurança. O PIB da Colômbia é investido mais em gastos militares do que em saúde, educação e habitação.

A militarização é responsável pela injustiça social no país. O presidente Uribe, em 8 anos de governo, em nome da segurança nacional com discurso de ajuda humanitária para encobrir a militarização, adotou uma política de guerra e invadiu os territórios dos povos indígenas, campesinos e afro-colombianos. O conflito aumenta a pobreza, a injustiça e as mortes, além de concentrar a riqueza.

Nesse contexto de conflito armado, a população é a que mais sofre as conseqüências, como assassinatos e desplazamentos de terras de campesinos e indígena. As mulheres são as que mais sofrem com esses conflitos.

A violência contra as mulheres pode ser observada no Encontro Internacional de Mulheres e Povos das Américas contra a Militarização, que ocorreu entre 16 e 23 de agosto, na Colômbia. O evento foi convocado pela Marcha Mundial de Mulheres; Via Campesina; COMPA (Convergência dos Movimentos e Povos das Américas; Conselho Mundial de Paz CMP; Coordinador Agrário Nacional – CNA; PCN (Processos de Comunidades Negras; Movimento Social de Mujeres Contra La Guerra y por La Paz; grupo Compromisso; USD – União Sindical Obrera da industria de Petróleo, Corporación Colômbia de Teatro.

Participaram do encontro movimentos sociais, organizações, e principalmente mulheres de 18 países, tais como Canadá, Espanha, Honduras, México, El Salvador, Brasil, Perú, Paraguai, Argentina e Cuba.

O encontro teve por objetivo denunciar e fazer visíveis os impactos negativos da crescente militarização no continente para a vida das mulheres e dos povos latino-americanos. Foi um espaço para reconhecer e articular diferentes propostas de resistência das mulheres e dos povos a nível local, nacional e internacional, que compartem a proposta pela defesa da soberania dos povos e dos direitos das mulheres a viver uma vida livre de violências. Outro objetivo foi definir uma estratégia para a atuação coordenada pelo movimento de mulheres e dos povos, pela defesa dos territórios, frente a desmilitarização e as bases militares dos EUA.

Este encontro se realizou no contexto de Acordo de Cooperação de Seguridade e Defesa entre os governos da Colômbia e Estada Unidos no ano de 2009, que institucionaliza a presença de militares e contratistas estadunidenses em sete bases militares do território colombiano.

A violência contra as mulheres pode ser constatada principalmente com a realização das Missões Humanitárias de Solidariedade nas regiões da Colômbia, com a participação de delegação internacional que se dividiu entre as regiões: Magdalena Médio e departamentos de Nariño, Valle Del Cauca, Cauca, Santander, Norte de Santander, Atlântico, Bolívar, Antioquia e Cundinamarca, com objetivo de conhecer os conflitos causados pela militarização, os efeitos desses conflitos armados que afetam as comunidades indígenas e campesinas, principalmente as conseqüências desses conflitos na vida das mulheres.

Nas missões observou que 57% das mulheres sofrem com a violência, entre jovens e crianças. A cada dia, 49 mulheres denunciam ser vítimas de abuso sexual. Por outro lado, há muitos casos que não são denunciados por medo. A violência se dá principalmente sobre o corpo das mulheres, com os abusos sexuais (estupro), assassinatos, recrutamento de seus filhos e promessas de trabalho. As mulheres têm medo de assumir cargos, coordenações, pois seus maridos e filhos sofrem ameaças de morte. São muitos os casos de violência com as mulheres, mas a maioria não é dito por causa do medo.

O Encontro encerrou com a participação com uma vigília na Base Militar de Palanquero, situada em Puerto Salgar. A vigília aconteceu nessa base, pois é uma base estratégica para os EUA, já que está situada em uma região central da Colômbia que dá acesso fácil às outras bases militares. Ela também é estratégica para o controle das bases em outros países da America. Nesta mesma base,  foi firmado um acordo para o funcionamento das Escolas das Américas, ou seja, realizar treinamentos militares dos EUA para os exércitos latino-americanos.

Encuentro Internacional de Mujeres y Pueblos de las Americas

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Jovens haitianos chegam ao Brasil para intercâmbio de um ano

2010-10-26

Thalles Gomes de Guararema/SP

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No último dia 27 de Setembro de 2010, 76 jovens haitianos desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, São Paulo. De origem camponesa, provenientes de todos os dez departamentos que compõem o Haiti, sua chegada em solo brasileiro é mais um marco na trajetória bicentenária de solidariedade entre o povo haitiano e a comunidade latino-americana.

No início do século XVIII, vitoriosa a revolução dos escravos negros liderados por Jean Jacques Dessalines, o termo ‘haitianismo’ se espalhou por todo o continente, significando liberdade para os escravos e temor para os senhores de engenho. Qualquer menção ao Haiti fazia com que estes tremessem diante da possibilidade de massificação da luta negra antiescravista. Essa síndrome do medo oriunda do ‘Perigo de São Domingos’ tinha razão de existir, já que o Haiti jogou um papel estratégico no processo de independência da América Latina, não só por seu exemplo, mas também pelo apoio dado a Simon Bolívar e Francisco Miranda no início das lutas libertárias na América continental. Em 1806 e 1816, Miranda e Bolívar visitaram a ilha caribenha em busca de apóio financeiro e militar para a guerra de independência contra a metrópole espanhola, no que foram prontamente atendidos. Além de armamentos e provimentos, um Batalhão de cerca de 300 soldados haitianos seguiu com Bolívar para lutar na guerra contra o exército espanhol.

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Duzentos anos depois, outro batalhão saiu do Haiti. A conjuntura, infelizmente, é outra. Os 76 jovens que aportaram no Brasil não trazem armas nem suprimentos de guerra consigo e seu país, outrora a colônia mais próspera do continente, é hoje o país mais pobre das Américas. A ousadia e exemplo de sua revolução foram punidos pelas elites ocidentais com embargos econômicos, pagamento compulsório da dívida da independência, sucessivas ocupações militares estrangeiras e a ingerência constante das potências norte-americanas e européias. O resultado é que, atualmente, 56% da população se encontra abaixo da linha da pobreza absoluta. Situação que só se agravou após o terremoto de 12 de Janeiro de 2010. Os trinta e cinco segundo de tremor de terra deixaram mais de 300 mil mortos e 1,2 milhões de desabrigados, além de uma perda em termos materiais e de infra-estrutura equivalente a 120% do valor do PIB haitiano.

Mas se a conjuntura é outra, o princípio ainda é o mesmo: a solidariedade entre os povos. A vinda dos jovens ao Brasil é fruto de um projeto de cooperação entre a Via Campesina brasileiro e os movimentos camponeses haitianos. Com uma Brigada Internacionalista presente no Haiti desde janeiro de 2009 – e que conta hoje com 28 integrantes – a Via Campesina Brasil vêm construindo um processo de integração e intercâmbio entre os camponeses dos dois países com o objetivo de fortalecer o os movimentos sociais locais através de apoio técnico e político capaz de ajudar na construção de melhores condições de vida e trabalho para o campo haitiano como um todo.

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É nessa perspectiva que desde o último dia 27 de Setembro a Via Campesina Brasil acolhe 76 jovens haitianos, todos integrantes de movimentos camponeses, sendo 54 homens e 22 mulheres, para um processo de intercâmbio com duração de um ano. E a previsão é que até o final de 2010, esse número chegue a 120 jovens.
Durante o primeiro mês de Brasil, os haitianos estarão na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) do MST em Guararema/SP. Lá aprenderão noções básicas de português, geografia, história e economia brasileira e latino-americana. Passado esse período de adaptação, serão distribuídos pelas diversas regiões do país, onde terão contato com cooperativas rurais, assentamentos agrícolas, bancos de sementes, viveiros de muda, centros de produção agroecológica, técnicas de captação e armazenamento de água, dentre outras experiências desenvolvidas pelos movimentos camponeses brasileiros. Com essa gama de conhecimentos e práticas apreendidos, retornarão ao Haiti para colaborar com o fortalecimento de suas organizações, com o desenvolvimento de suas comunidades e na transformação social de seu país.

Com este intercâmbio, a Via Campesina Brasil e os movimentos camponeses haitianos resgatam o exemplo de Dessalines, Pétion, Miranda e Bolívar, dando continuidade à trajetória de solidariedade entre os povos do Caribe e da América Latina, que não necessita de exércitos de ocupação e promessas de lucro para se efetivar.

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