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Via Campesina realiza acampamento nacional em Brasília

2011-09-02

Por Rafael Miranda

Foto: Vinicius Mansur

Brasília recebeu cerca de 4 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais vindos de 24 Estados dos movimentos da Via Campesina em um grande Acampamento Nacional montado ao redor do Ginásio Nilson Nelson.

O Acampamento faz parte da Jornada Nacional de Lutas e por Reforma Agrária que aconteceu em todo o Brasil a partir do dia 22 de agosto de 2011. Além do acampamento, atos políticos e culturais aconteceram em Brasília e nos Estados onde a Via Campesina está organizada.

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais acampadas em Brasília exigem do governo a intensificação da Reforma Agrária, e melhorias na qualidade de vida no campo. Entre os temas a serem debatidos, o acampamento tem como prioridade discutir a problemática da educação do campo, o assentamento emergencial de 60 mil famílias das 186 mil famílias acampadas, recomposição do orçamento para obtenção de terras e a renegociação das dívidas dos pequenos agricultores.

Foto: Vinicius Mansur

A Via Campesina realizou grandes mobilizações em Brasília, como a ocupação do Ministério da Fazenda, e grandes marchas. Houve também a mobilização dos Sem Terrinha que foram para a porta do Ministério da Educação exigir os seus direitos. Com muitas palavras de ordem e empolgação, parte das crianças permaneceu em frente ao Ministério enquanto parte realizava as negociações com o ministro Fernando Haddad.

Foi uma semana de intensas mobilizações para os acampados. Embora o cansaço fosse visível nos rostos de quem engrossa as fileiras na luta por Reforma Agrária, os acampados estavam dispostos a permanecer no local por tempo indeterminado. Porém as intensas manifestações trouxeram enormes resultados para o conjunto das organizações, mediante a esses resultados deu-se o fim do acampamento no dia 26 de agosto de 2011, com um grande ato cultural de enceramento.

As Conquistas da Via Campesina na Jornada de Lutas

INCRA: A Presidenta garantiu a liberação de 400 milhões de reais para suplementar o orçamento de obtenção do INCRA. No dia 07 de setembro o INCRA apresentará um estudo detalhado sobre a situação da Reforma Agrária para a Presidenta e no dia 21 de setembro o governo apresentará para a Via Campesina um plano de assentamento de famílias e outras políticas necessárias para a reforma agrária.

Endividamento: O governo apresentou a primeira proposta, que não foi aceita pelo conjunto dos movimentos. A proposta consiste em criar uma nova linha do PRONAF, com limite de 20 mil reais, a ser paga em 7 anos e com 2% de juros anuais, sem carência. As dívidas antigas poderão ser consolidadas e pagas por esse novo financiamento, que também deixará o agricultor adimplente. Na próxima semana deverá haver uma nova rodada de negociações entre o governo e o conjunto de organizações da agricultura camponesa.

Analfabetismo: O governo vai assumir a proposta que apresentamos para a erradicação do analfabetismo. O MEC vai fazer um destaque orçamentário para o PRONERA, que executará a proposta.

Pronera: Foram liberados 15 milhões de reais que estavam contingenciados.

Habitação: Essa semana será publicada a portaria do programa de habitação rural. Os assentamentos rurais não foram incluídos. Será criado um GT entre Cidades, INCRA, Planejamento e Fazenda para desenhar a proposta para a reforma agrária.

Agroindústria: Foi constituído um acordo entre INCRA, MDS e BNDES para criar um programa de pequenas agroindústrias de até 50 mil reais, a fundo perdido, com o montante inicial de 20 milhões. Para a reforma agrária será criado um fundo de 250 milhões a fundo perdido, sem teto por projeto, sendo operacionalizado pela CONAB.

Agroecologia: Presidenta definiu a criação da Política Nacional de Agroecologia. Vai ser criado um grupo, com coordenação do MMA e MDA.

Bolsa Verde: não vão atender a demanda apresentada por nós. Dia 09 de setembro vai ser lançado um programa para assentamentos (PAF, PDS, PAE) e áreas extrativistas. Vai iniciar com 15 mil famílias, será um complemento ao bolsa-família em áreas que estão conservadas.

PAIS: Em relação ao PAIS – Produção Agroecológica Integrada e Sustentável – o Governo afirmou que não há problemas na questão dos recursos neste ponto, e estão em diálogo com Banco do Brasil para solucionar a escassez de assistência técnica.

Atingidos Por Barragens: O governo concorda com os dados apresentados pelo MAB, de 12 mil famílias que necessitam ser assentadas. Esse ponto será retomado em agenda específica com o MAB.

PAA e PNAE: Não é problema de recursos. Para o PAA o problema é a capacidade operacional da CONAB e para o PNAE é criar um sistema mais eficiente de controle das prefeituras. O teto do PNAE por família vai subir para 20 mil reais.

Agrotóxicos Presidenta criou um grupo de trabalho, coordenado pela Secretaria Geral da República, para discutir o uso de agrotóxicos. Pulverização aérea poderá ser revista.

Terra Estrangeira: Presidenta determinou que a AGU (Advocacia Geral da União) faça uma nova proposta mais restritiva.

Quilombolas: Essa semana vão concluir um diagnóstico para apontar o que necessita para resolução dos processos pendentes.

Terra Indígena: FUNAI está atrasada nos trabalhos feitos nos Pataxós e Tupinambás (Bahia), para definição da área indígena. Este ponto está sendo coordenado pela Secretaria Geral da República.

Marco Regulatório: O governo tem uma equipe que está trabalhando nessa questão. Será marcada uma reunião para apresentarem o que já construíram.

MST acampa em frente ao Incra no Rio de Janeiro

2011-09-02

por Nivia Regina, com fotos de Henrique Fornazin

26 de agosto de 2011

As 200 famílias do MST do Rio de Janeiro permaneceram acampadas em frente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na capital, desde quarta-feira. Os Sem Terra apresentaram a pauta e exigiram respostas, mas não houve avanços e a negociação foi interrompida.

Segundo Amanda Matheus, da Direção Estadual do Movimento, o órgão tem de cumprir a pauta estabelecida. “Principalmente a desapropriação de terras, para assentar as 950 famílias acampadas em todo o estado, e a agilidade na política de desenvolvimento dos assentamentos”, cobra.

O estado possui acampamentos com 13 anos sem solução, além de assentamentos com quatro anos que ainda não foram divididos em lotes. As famílias organizaram o acampamento na quarta-feira e realizaram um ato conjunto com outros setores da esquerda em frente à Câmara dos Vereadores.

Fizeram também uma mobilização em frente à sede da EBX, do empresário Eike Battista. Os manifestantes denunciam que, entre os diversos ataques ao meio ambiente e à populações tradicionais, um dos novos empreendimentos de Eike desalojará mais de 200 famílias, com a construção de uma rodovia por dentro de um assentamento em Campos.

“Para o Eike Batista, é chegar em casa e achar o prato dele prontinho, enquanto o trabalhador dos assentamentos tem que trabalhar e mandar comida para a cidade”, reclamou o camponês Gélson Hulk, do assentamento Zumbi dos Palmares, que deve ser atingido pelas obras do Porto do Açú.

À noite, o acampamento virou uma sala de cinema, com a exibição do filme “O veneno está na mesa”, do cineasta Sílvio Tendler. Essas ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina, realizada em todos o Brasil. Em Brasília, a Via Campesina está acampado desde segunda-feira.

Debate sobre agrotóxicos na UFRJ mobiliza alunos de Saúde Coletiva e Biologia

2011-08-31

por Alan Tygel, do SOLTEC/UFRJ

Armando Meyer apresenta seus estudos relacionando o câncer em agricultores com o uso de agrotóxicos

Ocorreu nesta terça, 30 de agosto, um debate sobre agrotóxicos promovido por estudantes dos cursos de Saúde Coletiva e Biologia da UFRJ. O evento foi realizado no salão azul do Centro de Ciências da Saúde (CCS), na ilha do Fundão.

Foram convidados como debatedores os professores André Burigo, da EPSJV/Fiocruz e Armando Meyer, da ENSP/Fiocruz, além do estudante Érico Freitas, do grupo de agroecologia Capim Limão. Cada um dos três proferiu uma breve fala, de onde se seguiu uma animada discussão entre os cerca de 40 presentes.

O professor Armando Meyer abriu o debate colocando os números do mercado de agrotóxicos no mundo, e pontuando que toda discussão deve ser baseada no fato que os venenos movimentam dezenas de bilhões de dólares entre as transnacionais produtoras. Em seguida, apresentou os estudos de seu grupo, que mostram o aumento da mortalidade de agricultores à medida em que cresce o uso de agrotóxicos. O aumento da incidência de alguns tipos de câncer (estômago, esôfago) em agricultores da região serrana não deixam dúvidas sobre os efeitos crônicos dos agrotóxicos na saúde daqueles que os manipulam no dia a dia.

O mapa dos estados brasileiros que mais usam agrotóxicos também coincide com maior mortalidade por câncer. Armando comentou seus estudos acerca dos efeitos neurológicos causados pelos agrotóxicos, particularmente os suicídios. “Os inseticidas atuam no sistema nervoso dos insetos para matá-los; no ser humano, eles não levam diretamente ao óbito, mas podem desregular a função nervosa, levando em muitos casos à depressão e suicídio dos agricultores.”

André Burigo (Deco) mostra prateleiras cheias de venenos

André Burigo, mais conhecido como Deco, seguiu o debate pontuando aspectos das doenças agudas causadas pelos agrotóxicos. Apesar de existirem dois sistemas de informação em saúde que registram intoxicações por agrotóxicos no Brasil – o SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas) e SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), os dados ainda são muito pouco confiáveis. O índice de subnotificação ainda é altíssimo, pois todos os elos da cadeia são frágeis: o agricultor não tem informações sobre o risco dos agrotóxicos, os serviços de saúde pública no meio rural são de difícil acesso, e os profissionais de saúde não estão preparados para diagnosticar as intoxicações. Portanto, ainda que o número oficial dos dois sistemas dê conta de uma média de pouco mais de 15 mil casos por ano no período entre 1999 e 2006, estima-se algo em torno 500 mil casos por ano. Esta estimativa está baseada em trabalhos de campo localizados que aferem uma taxa de 5% dos agricultores intoxicados.

Deco falou ainda sobre os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da ANVISA. Ele elogiou o crescimento do estudo, que na última edição constatou algumas culturas com até 64% das amostras contaminadas com mais agrotóxicos do que o permitido, ou com substâncias proibidas para aquela cultura. Por fim, o professor mostrou duas recentes campanhas que tentam limpar a imagem dos agrotóxicos: a SouAgro, e a campanha da Andef. Ambas, não por acaso, são patrocinadas por quem ganha com a destruição da saúde do planeta: Basf, Monsanto, Syngenta, Bayer, Dupont, Dow, entre outras.

Érico Freitas apresenta uma definição de agroecologia

Por fim, o integrante do grupo Capim Limão, Érico Freitas, deu o tom da alternativa agroecológica ao uso dos venenos. Érico justificou o alto número de substâncias utilizadas – mais de 700 – pela resistência que foi sendo criado ao longo do tempo, na chamada espiral dos agrotóxicos: o problema das pragas, o uso de agrotóxicos, a resistências das pragas, que acarreta em mais agrotóxicos, e assim por diante.

Érico mostrou como os agrotóxicos atuam na  monocultura contra a biodiversidade, tentando matar tudo que seja diferente da cultura desejada. No sentido inverso, a própria biodiversidade atua no controle dos insetos, já que eles não encontram ambiente para proliferação fora de controle. “Num ambiente equilibrado, posso até ter um caruncho comendo as sementes, mas serão poucos. Esta suposta praga vai alimentar outros insetos, fechando um ciclo de cooperação, muito mais complexo do que o ciclo da predação”.

Debate com o público

O debate que se seguiu girou em torno das possibilidades de interação entre academia e a sociedade em geral. Como fazer com que estudos tão impactantes quanto os do professor Armando Meyer pulem os muros da universidade e cheguem a população em geral? Foi muito questionada também a ausência de outros cursos da área da saúde, sobretudo medicina e enfermagem.

Foi consenso que a Campanha Contra os Agrotóxicos é uma grande oportunidade tanto para promover a divulgação de estudos científicos quanto para fazer dialogar as diversas áreas. O tema dos agrotóxicos é abrangente, e interessa diretamente áreas tão diversas quanto medicina, biologia, nutrição, geografia, engenharia e agronomia, entre várias outras.

Diversos estudantes se comprometeram a divulgar a Campanha e articular novas parcerias para promover debates e palestras em outros cursos. Com isso, esperamos um crescimento da conscientização que sustente as futuras ações concretas da Campanha Contra os Agrotóxicos.

Jornada de Lutas tem início no Rio: por terra, e contra os agrotóxicos e Eike Batista

2011-08-25

por Alan Tygel, com fotos de Henrique Fornazin

Sem-Terra protestam no Rio em frente à Câmara dos Vereadores

Nesta quarta-feira, 24/08, 200 famílias do MST montaram um acampamento em frente ao INCRA, na cidade do Rio de Janeiro. Desde 2007 não ocorre uma desapropriação de terras no estado. O Sem-Terra se concentraram na Cinelândia, onde fizeram um ato em conjunto com partidos políticos e movimentos urbanos.

Sem-Terra marcham no Rio por Terra, e contra os agrotóxicos e Eike Batista

Da Cinelândia, os manifestantes seguiram em marcha até a novíssima sede da EBX, empresa de Eike Batista. Há 15 dias o mega-empresário ocupa um prédio inteiro no Passeio Público. Entre os diversos ataques ao meio ambiente e à populações tradicionais, um dos empreendimentos de Eike pretende passar uma rodovia por dentro de um assentamento do MST em Campos, desalojando mais de 200 famílias. Segundo denunciou a economista do PACS, Sandra Quintela, Eike também está em Minas Gerais explorando as minas de ferro em Conceição do Mato Dentro e prejudicando as nascentes d’água. “Por que um multimilionário como ele precisa de ajuda do BNDES?”, indaga ela.

 

Manifestação em frente à EBX, de Eike Batista, que pretende desalojar mais de 200 famílias do MST em Campos

“Pro Eike Batista chegar em casa e achar o prato dele prontinho, é o trabalhador dos assentamentos que tem que trabalhar e mandar comida pra cidade”, completou o assentado Gélson Hulk, do Zumbi dos Palmares, assentamento que deve ser atingido pelas obras do porto do Açú.

Representantes dos manifestantes tentam entregar carta a Eike Batista

Ao chegar na portaria da empresa, os seguranças fecharam as portas de vidro. A manifestação pacífica prosseguiu do lado de fora, com falas denunciando as consequências que a volúpia capitalista do empresário vêm provocando no Rio de Janeiro. Ao final, 2 representantes conseguiram entrar na portaria, entregar e protocolar uma carta a Eike Batista. O curioso é que a entrada foi mediada por um policial militar, que também entrou no prédio. Veja aqui a carta.

Carta a Eike Batista é protocolada na recepção, depois de muita discussão

Após o termino do ato, os Sem-Terra voltaram ao acampamento para mais uma atividade. Foi exibido no local o filme “O Veneno está na mesa”, de Sílvio Tendler. Antes da exibição, foi feita uma apresentação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Os agricultores foram convidados a aderir a campanha, e seguir na luta para eliminar os agrotóxicos do país.

Sem-Terra estudam o material da Campanha Contra os Agrotóxicos no acampamento em frente ao Incra

Para esta quinta-feira, 25, estão previstas negociações do INCRA com cada área do MST no estado. Além disso, o acampamento no centro do Rio funcionará como um centro de formação, com atividades centradas na Campanha Contra os Agrotóxicos e na edição especial do Brasil de Fato sobre a Jornada de Lutas.

Sem-Terra assistem ao filme "O veneno está na mesa", de Sílvio Tendler, no acampamento em frente ao Incra

Boletim 26

2011-08-17

Caso não consiga visualiza o boletim corretamente, acesse http://boletimmstrj.mst.org.br/boletim26
Boletim do MST RIO – N. 26 – De 10 a 23/08/2011

Notícias do MST Rio

MST-RJ organiza 2 acampamentos frente a falência das usinas em Campos dos Goytacazes

No dia 30/07, o MST organizou um acampamento com demitidos das terras da usina Sapucaia (Campos dos Goytacazes), numa praça próximo a sede da mesma. Este acampamento foi batizado de Acampamento Edson Nogueira (Índio), em homenagem ao histórico e grande lutador da região, militante do MST, que faleceu em 2009.

As terras da Usina de 10.730 ha, foram fiscalizadas pelo INCRA e consideradas improdutivas. A usina, ao fechar em setembro de 2010, não pagou os direitos trabalhistas de centenas de trabalhadores, assim como utilizou irregularmente, mais de 2000 ha de reserva permanente com monocultivo de cana.

As usinas da agroindústria açucareira de Campos dos Goytacazes, atravessam há muitos anos uma crise, que recaem nas costas dos trabalhadores. Em 2010 duas Usinas do grupo Othon ( Barcelos e Cupim) entraram em processo de falência, assim como as Usinas Sapucaia e Santa Cruz, e deixaram grandes dívidas com a União Federal.

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Juventude do MST realiza Ato contra o Fechamento das Escolas no campo

No dia 11 de agosto a Juventude do MST-RJ realizou um ato em conjunto com outros movimentos sociais, em Campos dos Goytacazes, na praça São Salvador contra o fechamento das escolas rurais. Esta luta faz parte da campanha nacional “ Fechar Escola é Crime”.

Esta mobilização reuniu jovens de assentamentos e acampamentos do RJ e também setores como a Comissão pastoral da Terra (CPT), Comitê Contra o Trbalho escravo região Norte Fluminense, o SEPE, Sindipetro-NF, professores da UENF, UFF e IFF de Campos dos Goytacazes e da UFRRJ, e a Veredaora do PT Odisséia.

Para o jovem Anderson (Piá) do Acampamento Irmã Doroty, em Quatis, “é importante esta luta porque é um abuso estarem sendo fechadas escolas no campo”. Já a companheira Norma Dias, do Sepe, disse que “ fechar escola é crime, porque se trata de um direito universal da população, de ter educação de qualidade no campo, por isso estamos apoiando esta luta pela construção de escolas de ensino fundamental, médio e creches”. E ainda a Vereadora Odisséia colocou a importância desta luta como “ resgate da cidadania, o que eles desejam é produzir para seu sustento, portanto a educação é fundamental neste processo”. O Ato se encerrou com a partilha da produção vinda dos assentamentos, como simbologia da Luta Pela “ Reforma Agrária também na Educação”.

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Juventude do MST realiza atividades de formação nas áreas de assentamento

Na II Jornada de luta da Juventude do MST do Rio de Janeiro, os jovens realizaram nas áreas de assentamentos momentos de formação e debate com jovens sem terra. Destaque para atividades realizadas nos assentamentos Paz na Terra do Município de Cardoso Moreira com 20 jovens e Zumbi dos Palmares no município de campos dos Goytacazes com 30 jovens, na região Norte Fluminense.

As atividades foram realizadas nos dias 08 e 09 de agosto, e tiveram como objetivo debater “os desafios da Juventude Sem Terra”, a realidade do campo, com ênfase na situação da educação e também debater a pauta da juventude rural.

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Setor de Saúde do MST Rio realiza a segunda etapa do curso em medicina chinesa

De 08 a 12 de agosto ocorreu a segunda etapa do curso em saúde no acampamento Osvaldo de Oliveira em Macaé, e no Assentamento Roseli Nunes, em Piraí. No total, participaram 20 educandas e educandos de diversas áreas de assentamentos e acampamentos do estado do RJ.

Nesta etapa, os educandos/as realizaram oficinas de limpeza de ouvido, aula de terapias naturais e shiatsu, “que é a massagem orgânica, estimula os organismos e o caminho para isso são os meridianos”, segundo a educanda Maria. Também tiveram aula de agroecologia, com prática de plantio de plantas medicinais.

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Notícias do Rio

Comitê Popular reúne as críticas à Copa do Mundo

No dia 30 de julho de 2011, a FIFA deu oficialmente seu pontapé inicial para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Com produção especial e generosa dos governos do estado e do município do Rio de Janeiro, o sorteio dos grupos das eliminatórias para o Mundial custou 30 milhões de reais aos cofres públicos e foi transformado em um mini-mega-evento que reuniu na Marina da Glória cartolas, políticos, empresários, celebridades e centenas de jornalistas de todo o mundo. Estavam presentes figuras do porte de Ricardo Teixeira, Eike Batista, Dilma Roussef, Sergio Cabral Filho, Eduardo Paes e, claro, Pelé. Todos à vontade no mesmo balaio, embalados pelos últimos hits de Ivete Sangalo e focados ao vivo pelas câmeras dos Marinho.

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Notícias da Campanha Contra os Agrotóxicos

Campanha Contra os Agrotóxicos realiza encontro de formação no Rio

Neste domingo, dia 7 de agosto, a Campanha Permanente Contra Os Agrotóxicos e Pela Vida realizou o primeiro encontro de formação no Rio. Pela manhã, foram abordadas questões gerais sobre o agronegócio como modelo de desenvolvimento agrário baseado nos venenos. Já no período da tarde, foi debatida a dinâmica da produção agrária no Rio de Janeiro, mostrando as regiões que usam mais agrotóxicos.

O debate foi facilitado por Paulo Alentejano, professor da UERJ e FioCruz, mais conhecido como Paulinho Chinelo. A primeira parte do debate foi subsidiada por 3 textos: Questão agrária no Brasil atual – uma abordagem a partir da Geografia, de Paulo Alentejano e dois textos do Caderno de Formação 1 da Campanha: “Mercado de Agrotóxicos no Brasil” e “O Círculo Vicioso dos Venenos Agrícolas”. Além disso, foram exibidos trechos do filme O Mundo Segundo a Monsanto.

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Internacional

Estudantes chilenos saem às ruas

Nesses últimos meses, de maio para cá, estudantes, professores e outros grupos sociais no Chile têm organizado manifestações contra o governo. Dezenas de milhares de estudantes – com apoio popular em todo o país – levam para frente o seu protesto com o sem a permissão oficial, e o sentimento público contra o presidente Sebastian Piñera continua a crescer.

A mobilização dos estudantes foi crescendo e demonstrando a sua importância porque eles querem resolver de uma vez os grandes problemas que foram se acumulando com a instauração do modelo neoliberal no país. Propõe nada menos do que reconstruir a educação pública, restaurar os recursos naturais e acabar com a desigualdade, em suma, a completa democratização do país com uma nova Constituição. Dessa forma tem resgatado da vida política as aspirações das gerações anteriores, que pareciam perdidas nos becos do mercado e a indignidade.

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Via Campesina realiza jornada de luta nos estados e em Brasília

De 21 a 27 de agosto a Via Campesina realizará uma jornada de luta nos estados e um acampamento em Brasília por mudanças no modelo agrícola: para que todos tenham terra, condições de produção, emprego e renda no meio rural. E alimentos saudáveis para toda a população.

No dia 24 realizará em conjunto com diversos movimentos sociais, sindicais, movimento estudantil, luta por melhoria das condições da classe trabalhadora como defesa da educação e saúde pública, diminuição da jornada de trabalho, aumento do salário, entre outras.

A Via Campesina é organizada pela: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pescadores e Pescadoras, Quilombolas, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Convocamos a todos e todas para participar desta luta !!!!

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Expediente

Boletim MST Rio

MST-RJ organiza 2 acampamentos frente a falência das usinas em Campos dos Goytacazes

2011-08-17

As usinas da agroindústria açucareira de Campos dos Goytacazes, atravessam há muitos anos uma crise, que recaem nas costas dos trabalhadores. Em 2010 duas Usinas do grupo Othon ( Barcelos e Cupim) entraram em processo de falência, assim como as Usinas Sapucaia e Santa Cruz, e deixaram grandes dívidas com a União Federal.

As consequências sobre a classe trabalhadora foram graves: desemprego massivo e fome. As terras das usinas se tornaram improdutivas. Vistorias realizadas pelo INCRA no final de 2010 constataram o não cumprimento da função social de diversos imóveis, por improdutividade, agressões ao meio ambiente, e não pagamento dos direitos trabalhistas.

No dia 30/07, o MST organizou um acampamento com demitidos das terras da usina Sapucaia (Campos dos Goytacazes), numa praça próximo a sede da mesma. Este acampamento foi batizado de Acampamento Edson Nogueira (Índio), em homenagem ao histórico e grande lutador da região, militante do MST, que faleceu em 2009.

As terras da Usina de 10.730 ha, foram fiscalizadas pelo INCRA e consideradas improdutivas. A usina, ao fechar em setembro de 2010, não pagou os direitos trabalhistas de centenas de trabalhadores, assim como utilizou irregularmente, mais de 2000 ha de reserva permanente com monocultivo de cana.

Nos último 2 meses o MST vem organizando um Acampamento na área social do Assentamento Terra Conquistada, antiga fazenda Alamada Maruí. Estes 2 acampamentos que hoje já totalizam mais de 250 famílias têm por objetivo lutar pela Reforma Agrária nas terras das usinas da região. Esperamos que estas lutas agilizem as desapropriações do INCRA e que a procuradoria da fazenda nacional de Campos execute as terras das fazendas por dívidas e destine estes imóveis para Reforma Agrária.

Juventude do MST realiza Ato contra o Fechamento das Escolas no campo

2011-08-17

por Coletivo de Juventude e Setor de Educação do MST-RJ

No dia 11 de agosto a Juventude do MST-RJ realizou um ato em conjunto com outros movimentos sociais, em Campos dos Goytacazes, na praça São Salvador contra o fechamento das escolas rurais. Esta luta faz parte da campanha nacional “ Fechar Escola é Crime”.

Esta mobilização reuniu jovens de assentamentos e acampamentos do RJ e também setores como a Comissão pastoral da Terra (CPT), Comitê Contra o Trbalho escravo região Norte Fluminense, o SEPE, Sindipetro-NF, professores da UENF, UFF e IFF de Campos dos Goytacazes e da UFRRJ, e a Veredaora do PT Odisséia.

Para o jovem Anderson (Piá) do Acampamento Irmã Doroty, em Quatis, “é importante esta luta porque é um abuso estarem sendo fechadas escolas no campo”. Já a companheira Norma Dias, do Sepe, disse que “ fechar escola é crime, porque se trata de um direito universal da população, de ter educação de qualidade no campo, por isso estamos apoiando esta luta pela construção de escolas de ensino fundamental, médio e creches”. E ainda a Vereadora Odisséia colocou a importância desta luta como “ resgate da cidadania, o que eles desejam é produzir para seu sustento, portanto a educação é fundamental neste processo”. O Ato se encerrou com a partilha da produção vinda dos assentamentos, como simbologia da Luta Pela “ Reforma Agrária também na Educação”.

Situação da Educação no campo

A atual conjuntura da luta pela Reforma Agrária passa pela necessidade da defesa da educação pública brasileira. No campo brasileiro, existem milhares de crianças, jovens e adultos que têm seus direitos fundamentais negados pelo Estado, dentre os quais: terra, trabalho, habitação, saúde e educação básica. É nossa responsabilidade dar visibilidade a estas questões e construir lutas que visem a garantia destes direitos básicos.

Um dado alarmante é que mais de 24 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos oito anos, em uma realidade onde a maioria das escolas que existem estão em condições precárias. Tendo em vista o grande número de fechamento de escolas, principalmente no campo, estamos lançando a campanha nacional “Fechar Escola É Crime” para discutir e denunciar a situação do fechamento das escolas principalmente no campo. Esta campanha tem o objetivo de defender a educação pública que seja um direito de todos os trabalhadores.

De 2002 a 2009, foram fechadas, no Brasil, mais de 24.000 escolas, mais de 80% delas estavam localizadas no campo. O fechamento de escolas provocou a redução do número de matrículas na zona rural em mais de um milhão, ou seja, 1.235.990 crianças, jovens e adultos que vivem no campo estão sem estudar ou estudam em escolas na cidade.

No Sudeste a situação não é diferente: 2.126 escolas rurais foram fechadas entre 2002 e 2009. No Rio de Janeiro, foram fechadas 134 escolas rurais municipais nesse mesmo período. E somente no ano de 2010, foram fechadas mais de 10 escolas rurais do município de Campos dos Goytacazes.

Reivindicamos
- que as escolas sejam localizadas no campo, próximas às moradias dos estudantes;
- que as escolas no campo ofereçam todos os níveis e modalidades de ensino: desde a Educação Infantil até o Ensino Superior;
- que as ações do MEC garantam a construção de escolas nos estados e municípios;
- que as escolas sejam construídas com áreas de esporte, cultura, lazer e informática;
- que os Poderes Judiciário e Legislativo, o Ministério Público e os Conselhos de Educação barrem imediatamente o processo sistemático de fechamento de escolas.

Fechar escola é crime !!!!!!

Juventude do MST realiza atividades de formação nas áreas de assentamento

2011-08-17

pelo Coletivo de Juventude e Setor de Educação MST-RJ

Atividade realizada no dia 08/08 no núcleo V do Zumbi dos Palmares

Na II Jornada de luta da Juventude do MST do Rio de Janeiro, os jovens realizaram nas áreas de assentamentos momentos de formação e debate com jovens sem terra. Destaque para atividades realizadas nos assentamentos Paz na Terra do Município de Cardoso Moreira com 20 jovens e Zumbi dos Palmares no município de campos dos Goytacazes com 30 jovens, na região Norte Fluminense.

Atividade realizada no dia 08/08 no núcleo V do Zumbi dos Palmares

As atividades foram realizadas nos dias 08 e 09 de agosto, e tiveram como objetivo debater “os desafios da Juventude Sem Terra”, a realidade do campo, com ênfase na situação da educação e também debater a pauta da juventude rural.

Foi feito estudo do Jornal Sem Terra (JST), e o debate do tema: Juventude do campo: trabalho e renda. No debate ficou ressaltado o problema da falta de escolas de ensino médio no meio rural, um aumento progressivo do fechamento das escolas, a falta de perspectivas no campo para a juventude e a necessidade de construir condições de permanência da juventude no campo com escolas rurais com ensino médio, trabalho, lazer e cultura.

Atividade realizada no dia 09/08 no Paz na Terra

 

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Setor de Saúde do MST Rio realiza a segunda etapa do curso em medicina chinesa

2011-08-17

De 08 a 12 de agosto ocorreu a segunda etapa do curso em saúde no acampamento Osvaldo de Oliveira em Macaé, e no Assentamento Roseli Nunes, em Piraí. No total, participaram 20 educandas e educandos de diversas áreas de assentamentos e acampamentos do estado do RJ.

Nesta etapa, os educandos/as realizaram oficinas de limpeza de ouvido, aula de terapias naturais e shiatsu, “que é a massagem orgânica, estimula os organismos e o caminho para isso são os meridianos”, segundo a educanda Maria. Também tiveram aula de agroecologia, com prática de plantio de plantas medicinais.

A medicina tradicional chinesa trabalha com cinco pilares: Shiatsu, Fitoterapia, alimentação, acunpuntura e mochabustão. E realiza alguns exercícios como: automassagem, respiração, o alongamento e a articulação.

Segundo Débora, do setor de saúde do RJ, “ a medicina tradicional chinesa, vê a saúde numa integração com um todo, com a natureza, com o cosmo”.

Comitê Popular reúne as críticas à Copa do Mundo

2011-08-17

O rega-bofe da FIFA, no último dia 30, serviu pra mostrar que a sociedade está se mobilizando

Por Gustavo Mehl

No dia 30 de julho de 2011, a FIFA deu oficialmente seu pontapé inicial para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Com produção especial e generosa dos governos do estado e do município do Rio de Janeiro, o sorteio dos grupos das eliminatórias para o Mundial custou 30 milhões de reais aos cofres públicos e foi transformado em um mini-mega-evento que reuniu na Marina da Glória cartolas, políticos, empresários, celebridades e centenas de jornalistas de todo o mundo. Estavam presentes figuras do porte de Ricardo Teixeira, Eike Batista, Dilma Roussef, Sergio Cabral Filho, Eduardo Paes e, claro, Pelé. Todos à vontade no mesmo balaio, embalados pelos últimos hits de Ivete Sangalo e focados ao vivo pelas câmeras dos Marinho.

Do lado de fora, na valente cesta das vozes críticas à Copa, uma diversidade bem maior. A Marcha por uma Copa do Povo levou às ruas cerca de 1500 pessoas, entre representantes de movimentos e organizações sociais, moradores de comunidades atingidas, acadêmicos, líderes sindicais, geraldinos e arquibaldos. Reduzida na imprensa a uma manifestação “contra Ricardo Teixeira”, “contra as remoções”, ou até mesmo a uma manifestação “de taxistas do Rio de Janeiro”, a Marcha por uma Copa do Povo foi, na verdade, o pontapé inicial do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, a representação regional de uma articulação que reúne nas cidades-sede da Copa diversos setores da sociedade, todos chutados pra fora das festinhas da FIFA, para fora dos estádios, para fora de suas casas e dos espaços de decisão política.

Os manifestantes se reuniram no Largo do Machado e caminharam até a porta do rega-bofe de Joseph Blatter, onde foram, obviamente, barrados no baile. Em faixas, cartazes, bandeiras e falas ao microfone, foram expressas as diversas perspectivas críticas à forma como os governos estão pensando e operando as transformações urbanas para a Copa do Mundo no país. Do mau uso do dinheiro público ao superfaturamento das obras, da elitização do futebol às remoções ilegais de comunidades, das denúncias de corrupção ao compadrio de amigos empreiteiros, do assassinato do Maracanã ao modelo de cidade-empresa, da falta de participação popular ao autoritarismo dos governos, do aumento do custo de vida à periferização das classes mais pobres, todas as questões estavam lá. “Os Comitês locais abrem espaço para todas as pessoas e grupos que queiram se manifestar. É um espaço de construção coletiva que pretende contemplar as lutas e as demandas específicas de cada movimento, de cada instituição e de cada pessoa que estejam descontentes”, explica Marcelo Edmundo, representante do Comitê Rio.

Se, por um lado, a situação do Rio de Janeiro é emblemática, devido aos preparativos também para as Olimpíadas de 2016, por outro, os Comitês Populares da Copa já estão articulados e ativos em todas as doze capitais que terão jogos em 2014, o que faz desta movimentação a primeira experiência de uma articulação nacional organizada para o questionamento das formas como a Copa é imposta à sociedade. Paralelamente à Marcha por uma Copa do Povo, aconteceram no mesmo dia manifestações similares em outras cidades. Em São Paulo, por exemplo, centenas de pessoas se mobilizaram em Itaquera, onde a construção de um novo estádio promete sugar dinheiro público e remover as famílias que estiverem no caminho. “Esperamos que a partir de agora a sociedade se sensibilize e se mobilize cada vez mais para impedir os abusos e as ilegalidades que estão acontecendo em todas as cidades-sede da Copa do Mundo”, completa Marcelo.

Esta parece ser a expectativa de muitos. Sob a arbitragem suprema da FIFA, a articulação de jogadas dos governos, e os muitos tentos ilegais de grandes empresas, está mais que claro que é o povo quem segue tomando balão. A geral e a bancada não podem continuar caladas.