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Site do boletim do MST do Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, Acampamento Cícero Guedes completa um mês de resistência e organização

terça-feira 10 agosto 2021 - Filed under Notícias do MST Rio

resultado da organização coletiva, mais de 300 famílias sonham com a conquista da terra.

Por Pablo Vergara e Camilla Shaw Coletivo de Comunicação MST-RJ

Marcha das famílias acampadas dentro do Acampamento Cícero Guedes. Foto Clarice Lissovsky


Da Página do MST

Em uma quinta-feira, 24 de junho, centenas de famílias Sem Terras ocuparam a fazenda Cambahyba, formando o Acampamento Cícero Guedes, com um mês de resistência a ocupação já teve sua primeira grande vitória conseguindo efetivar a imissão de posse das terras da antiga Usina de Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, concedida pela Justiça Federal ao  INCRA.

O Acampamento Cícero Guedes é resultado da organização coletiva das famílias que se organizam em núcleos de bases e seus setores, com mais de 300 famílias que construíram seus barracos, uma cozinha coletiva que oferece quatro refeições diárias, com café da manhã, almoço, janta e lanches reforçados, uma farmácia coletiva garante proteção e cuidados a todas pessoas e assegura os protocolos necessários para a prevenção da transmissão do coronavírus promovendo o uso de máscaras e álcool em gel, também o setor de produção avança na implementação da horta coletiva com mudas de hortaliças agroecológicas e com um coletivo que trabalha todos os dias na sua manutenção e irrigação. A juventude do acampamento construiu uma quadra de futebol onde já teve o primeiro campeonato de futebol Cícero Guedes onde os jovens levantaram a taça!

Atividade cultural e Ato Politico – ecumênico no Acampamento Cícero Guedes. Foto Tarcísio Nascimento

Além de muito trabalho, o primeiro mês foi marcado por solidariedade e celebração das conquistas. No passado sábado 10 de julho, foi realizada a primeira atividade cultural do acampamento, iniciando com plantio da horta coletiva e ato político-ecumênico, com a presença de entidades religiosas de diversas religiões da região, atividade contou com uma marcha em fileira até os fornos da usina onde aconteceu o ato ecumênico em homenagem às vítimas de tortura e violência no campo e vítimas da ditadura militar, incinerados nos fornos da usina, relembrando também o assassinato covarde da Liderança Sem Terra Cícero Guedes, assassinado nas aproximações da usina em 2013. Diversas personalidades políticas também visitaram o acampamento como os deputados estaduais Flavio Serafini (PSOL/RJ) e Waldeck Carneiro (PT/RJ) e os vereadores Lindbergh Farias (PT/RJ) e Tarcísio Motta (PSOL/RJ).

O sonho no Acampamento Cícero Guedes é um sonho comum. São 300 famílias oriundas da luta pela terra e tem a convicção pela conquista do sua Terra, com o sonho de uma terra para produzir e plantar, sonho de um lar para ver a família crescer com saúde, segurança, nos 1300 hectares de terra que foram desapropriadas e hoje precisa da efetivação do projeto de assentamento, elaborado pelo Incra. Até aqui, chegaram no acampamento famílias que já passaram por diversos despejos violentos ao longo de 21 anos de luta pela terra na região de Campos dos Goytacazes, famílias de acampamentos que foram criminalizados e inclusive destruídos com retroescavadeira, arrasando com plantações, moradias de alvenaria e sonhos da terra para se viver, famílias que passaram anos embaixo da lona preta em acampamentos como: Mário Lagos, Oziel Alves, Madre Cristina, 17 de Abril e Luíz Maranhão, essa é a história cruel de violência contra o povo Sem Terra, de despejo e de uma ausência de política de reforma agrária. Foram exatamente 21 anos para a justiça decretar a imissão de posse de três fazendas, Saquarema, Flora e Cambahyba. As famílias sabem do seu direito e exigem que sejam assentadas já, pois só a luta popular e organização possibilitam a Reforma Agrária.Conheça mais sobre o Acampamento Cícero Guedes.

Farmácia Popular

Farmácia Popular do Acampamento Cícero Guedes, que atende as mais de 300 famílias acampadas. Foto Stefane Girassol

Hoje os acampados contam com uma Farmácia Popular, a saúde é uns dos principais eixos na organização do acampamento, desde o dia da ocupação foi designada uma equipe para cuidar dos protocolos de segurança em combate ao Coronavírus e a farmácia além de distribuir máscaras em reuniões e assembleias, dispõe de medicamentos e cuidados para ferimentos e primeiros socorros.

Horta Coletiva e bosque Marielle Franco

Mudas de árvores distribuídas e plantadas no Bosque Marielle Franco. Foto: Pablo Vergara

O acampamento já conta com uma área preparada e cultivável de 1ha com projeção de expansão, foram 2500 mudas de hortaliças plantadas e 500 mudas de árvores frutíferas distribuídas e plantadas no Bosque Marielle Franco, a produção avança na implementação de um sistema de irrigação automática de “bailarina” e está em estruturação um viveiro para produção de novas mudas. Para Adriano Gomes Alves coordenador da Horta Coletiva e do Núcleo de base 14 “Nós estamos plantando alface, alface roxa, cebolinha, rabanetes, milho, tudo consorciado e de forma orgânica, também melancia, aipim e alguns pés de frutas” relata o agricultor.

Escola do Setor de Educação 

Sem Terrinhas do Acampamento Cícero Guedes em atividade cultural. Foto Clarice Lissovsky

Está sendo organizando pelo acampamento a construção de um grande barracão da educação, a estrutura oferecerá espaço para cursos de formação e de educação do campo para as crianças Sem Terras. Estão sendo recebidas doações de materiais de construção para levantar o barracão da escola do acampamento e também depósitos da conta Pix: Sjosecarlos033@gmail.com. Está programado um mutirão coletivo para a marcar o início da construção do barracão para este sábado 1/8 seguido com uma plenária da Juventude.

Confira mais imagens do Acampamento Cícero Guedes:

*Editado por: Nieves Rodrigues

1 comment  ::  Share or discuss  ::  2021-08-10  ::  pablo

Acampamento Cícero Guedes: a resposta de justiça por 21 anos de luta pela terra

quinta-feira 15 julho 2021 - Filed under Fazenda Cambahyba + MST Sudeste + Notícias do MST Rio

O processo de luta pela terra na região tem mais de 21 anos e continua sem sua efetivação para fins de reforma agrária

Ocupação Cícero Guedes. Foto: Pablo Vergara

Na última quinta-feira (24), o MST, com cerca de 300 famílias de diversas frentes de trabalho de base, ocuparam a fazenda improdutiva Saquarema, pertencente ao Complexo de fazendas Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, após esta ser decretada oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela justiça da 1ª Vara Federal de Campos, no dia 05 de maio junto com outras fazendas: a Flora, Saquarema e a Cambahyba pertencentes ao Complexo. Leia nota oficial aqui.

Cambahyba, Sangue, Tortura e Violencia

O processo de luta pela terra tem mais de 21 anos e continua sem sua efetivação para fins de reforma agrária. O histórico da Usina é marcado por dívidas, sangue e violência. O parque industrial da usina foi utilizado para a queima de corpos de presos políticos assassinados durante a ditadura militar, testemunhos recolhidos pela comissão da verdade ratificada por um dos mandantes e torturador. A usina também é marcada por exploração de trabalho escravo e dívidas previdenciárias. Esses elementos e uma milionária dívida com a união levaram a justiça, após 21 anos, a declarar a desapropriação das terras. 

Foto: Matheus Texeira

Cicero Guedes um Lutador do Povo Brasileiro

A ocupação foi nomeada de acampamento Cícero Guedes em homenagem ao dirigente do movimento na ocupação nas terras da Usina em 2012. Um ano apos a ocupação, o dirigente foi covardemente assassinado nas terra da Cambahyba. Cicero costumava agitar em voz alta “Reforma Agrária quando? JÁ!” o grito de ordem que mobilizou milhares de camponeses por seu sonho de ter acesso à terra.

Cícero é daquelas pessoas que deixaram um legado para humanidade, lutador pelos direitos humanos, o Alagoano sem terra ajudou a libertar milhares de camponeses submetidos à trabalhos análogo à escravidão nos canaviais, lutou pela educação do campo e sempre participou de diversas lutas com conjunto das categorias e sindicatos em Campos dos Goytacazes. Assim o Acampamento Cícero Guedes é construído por uma ampla diversidade de Sindicatos, organizações de direitos humanos e forças políticas que dão unidade no apoio e a resistencia do acampamento.

Leia mais: Júri inocenta suspeito de ser mandante do assassinato de Cícero Guedes em Campos (RJ)

Foto: Camilla Shaw

Histórico Sem Terra

A vida do acampamento começa cedo e as equipes são organizadas diariamente nos setores para a divisão do trabalho a ser realizado. No primeiro dia, esforços foram concentrados para garantir a construção dos espaços coletivos, cozinha, galpão coletivo e segurança para todas as pessoas presentes.

Em seguida, os trabalhadores e as trabalhadoras iniciam as atividades na terra de produção de alimentos em conjunto ao setor de produção onde já estão iniciando o arado das áreas coletivas. As famílias vem de diferentes perfis e frentes de trabalho, processos de acampamentos e despejos forçados, alguns netos e netas de assentados pela reforma agraria e outros que passaram anos na espera da reforma agraria embaixo da “Lona preta”.

Hoje no acampamento tem famílias oriundas da Ocupação Urbana Nova Horizonte, localizada em Guarus; acampados do Madre Cristina e 17 de abril, que ficaram em Floresta, município de São Francisco de Itabapoana; famílias despejadas pelo Porto do Açu em São João da Barra; acampados do acampamento Mario Lagos; e também os acampados do Luiz Maranhão, na fazenda Cambahyba, principalmente dos bairros próximos, Martin Laje, Campo Novo, Nova Jockey e Codim.

Foto: Stefane Girasol

Saúde e prevenção ao Coronavírus

No combate a proliferação contra Covid-19, o Coletivo de saúde organizou um ponto central para distribuição de máscaras e álcool. No acesso foi montada uma barreira sanitária que recebe os acampados cumprindo todos os protocolos em combate ao coronavírus, todas as pessoas que acessam acampamento tem que utilizar obrigatoriamente máscara PFF2 e passar álcool 70 nas mãos. Além disso, uma ou mais pessoas da equipe circulava no acampamento com álcool para reposição em cada área de trabalho e máscara em mãos.

Reforma Agrária uma Luta de Todes

Ester, assentada no assentamento popular Irmã Dorothy, em Quatis, deslocou-se do sul fluminense para fortalecer a construção do acampamento Cícero Guedes. A jovem afirma que “só com a reforma agrária a gente vai avançar com agroecologia, com alimentação saudável e com saúde e dignidade para toda nossa população brasileira”.

Segundo Luana Carvalho, da direção nacional do MST no RJ, “a partir da construção desse acampamento inicial a gente quer iniciar já a construção de um assentamento. Pressionar o INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] pra implementar as políticas públicas da reforma agrária, regularizar essas famílias que estão ocupando.”

Matheus, militante do MST-RJ, coordenador do Armazém do Campo-RJ e filho do Cicero Guedes, defende a democratização da terra e a importância de sua função social para fins de reforma agraria popular.

De acordo com o Estatuto da Terra, o Estado é responsável em promover a Reforma Agrária se a propriedade privada não cumprir com sua função social. De acordo com o segundo artigo, isso ocorre quando: “a) favorece o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores que nela labutam, assim como de suas famílias; b) mantém níveis satisfatórios de produtividade; c) assegura a conservação dos recursos naturais; d) observa as disposições legais que regulam as justas relações de trabalho entre os que a possuem e a cultivem”.

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 ::  Share or discuss  ::  2021-07-15  ::  Camilla Shaw

Após quatro meses com atividades via delivery, Armazém do Campo reabre as portas no Rio

quinta-feira 15 julho 2021 - Filed under Armazém do Campo RJ

Fotos Pablo Vergara e Tomas Veliz

Novo horário de funcionamento é de quarta a sábado; atendimento é baseado nos protocolos de segurança contra a covid

Redação Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 14 de Julho de 2021 às 17:47

Depois de passar quatro meses fechado, o Armazém do Campo reabriu as portas do casarão cor-de-rosa em que funciona na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (14). Há quase três anos, o espaço de comercialização organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vende produtos orgânicos e agroecológicos de assentamentos da reforma agrária, empresas parceiras e pequenos agricultores.

Leia também: Armazém do Campo do MST chega a Porto Alegre com produtos da reforma agrária

A reativação do espaço físico, após a concentração das atividades no serviço de delivery pautado nos pedidos online, foi possível com o avanço da vacinação contra a covid-19 na cidade – que atingiu o percentual de 67% da população adulta imunizada com a primeira dose nesta semana. 

“Cada vez mais sentimos a necessidade do retorno da loja em pleno funcionamento e que as pessoas tenham essa referência de alimentação saudável e solidariedade. Por isso também retornamos com o funcionamento da loja com as portas abertas e a possibilidade das pessoas retornarem aos poucos a frequentar o espaço”, conta Ruth Rodrigues, coordenadora política do Armazém do Campo RJ. 

Mesmo com o avanço da imunização, a loja está funcionando com base nos protocolos de segurança contra a covid, como a obrigatoriedade do uso da máscara, a higienização das mãos com álcool em gel para manusear os produtos e o distanciamento entre os clientes.

Com a reabertura do espaço físico, as entregas em domicílio continuam a funcionar através de encomendas e abarcam o centro, a zona Zul, alguns bairros da zona Oeste e zona Norte da capital, além de toda a cidade de Niterói, na região metropolitana. Os pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp e pelo novo site, inaugurado nesta semana.

Fotos Pablo Vergara e Tomas Veliz

O novo horário de funcionamento do Armazém do Campo RJ é de quarta a sábado, sendo que durante a semana, de quarta a sexta, o atendimento se concentra das 10h às 17h30. Já no sábado, o horário é das 10h às 15h30. 

Campo e cidade

O Armazém do Campo teve as atividades iniciadas no Rio de Janeiro em setembro de 2018 com o objetivo de escoar a produção de alimentos do MST no estado. Estabelecido em diversas capitais do país, a rede de lojas pretende aproximar a população do debate sobre a alimentação saudável no dia a dia.

Para Ruth Rodrigues, o espaço tem o papel fundamental para criar uma ponte entre o campo e a cidade ao introduzir a discussão sobre a necessidade da reforma agrária no país, além de tornar acessível alimentos agroecológicos, não transgênicos e sem agrotóxicos para a população em geral.

“O Armazém convida todas as pessoas a se alimentarem com comida de verdade, a discutirem as pautas ambientais e também a solidariedade. Com cooperação e organização das famílias assentadas e acampadas do estado e das cooperativas nacionais além do apoio das pessoas tem sido possível estabelecer esse projeto”, conclui.

Edição: Mariana Pitasse

 ::  Share or discuss  ::  2021-07-15  ::  pablo

Por que ocupamos as terras da usina Cambahyba?

quinta-feira 24 junho 2021 - Filed under Fazenda Cambahyba + Notícias do MST Rio

Há 25 anos o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marca sua trajetória no Rio de Janeiro com a ocupação de terras das fazendas da falida usina Capelinha, em Conceição de Macabu. A ocupação se deu em resposta ao latifúndio improdutivo e ao massacre do Eldorado dos Carajás, onde 21 Sem Terras foram assassinados pelo governo do estado (PSDB) no Pará em abril de 1996. No ano seguinte o MST-RJ se consolidou com a ocupação da usina São João em Campos dos Goytacazes (RJ) dando origem ao assentamento Zumbi dos Palmares, onde mais de 500 famílias conquistaram sua terra para viver e produzir alimentos.

Hoje, 24 de junho de 2021, 300 famílias ocupam uma das fazendas que pertence ao Complexo de Fazendas Cambahyba, após esta ser decretada oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela Justiça da 1ª Vara Federal de Campos no dia 5 de maio junto com outras fazendas, a Flora, Saquarema e a Cambahyba pertencentes ao Complexo.

Nasce assim o Acampamento Cícero Guedes, construído com o apoio de diversas organizações, sindicatos, entidades de Direitos Humanos, entidades religiosas, partidos políticos, movimento estudantil, movimentos sociais do município de Campos dos Goytacazes e também entidades nacionais.

As famílias que participam da ocupação são oriundas de diversos territórios de resistência da região e processos de lutas atuais e anteriores, como os agricultores de São João da Barra despejados no Porto do Açu, trabalhadores do corte de cana de Floresta, Ocupação Nova Horizonte em Guarus, Trabalhadores do bairro da Codin e do antigo acampamento Luís Maranhão.

A história da Usina Cambahyba é a expressão da formação da grande propriedade e da exploração da força de trabalho e do meio ambiente no Brasil. É uma história de violência marcada pela resistência dos trabalhadores e trabalhadoras.

Há mais de 20 anos, o MST luta pela desapropriação do Complexo Cambahyba, que desde 1998, através de decreto presidencial, foi considerada improdutiva por não cumprir sua função social.

Essas terras pertenceram ao ex-vice-governador do estado, Heli Ribeiro Gomes (1968), e a ausência de função social da terra se fazia diante da manutenção de trabalho análogo à escravidão, degradação do meio ambiente, exploração do trabalho infantil, além de acumular dívidas trabalhistas e previdenciárias milionárias com a União.

Não foram poucas as ocupações e as mobilizações para que o direito à desapropriação das terras da Cambahyba se realizasse. Foram muitos os momentos que nos levaram à praça São Salvador para que o judiciário federal finalmente reconhecesse a improdutividade e garantisse a imissão de posse ao INCRA. Exatos 21 anos de luta, de perdas, mas também de resistência e esperança de que essas terras seriam dos trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra.
Por isso, ocupamos a Cambahyba! Ocupamos pela memória daqueles que foram silenciados e desaparecidos pela desumanidade do poder.

Daqueles que foram torturados, assassinados na Ditadura empresarial-militar e tiveram a conivência da Cia Usina Cambahyba permitindo que seus fornos fossem utilizados para incinerar 12 corpos de presos políticos e opositores do regime. Dentre eles, Luís Maranhão, Fernando Santa Cruz e Ana Rosa Kucinski.

Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir justiça para Cícero Guedes, grande liderança do MST que lutou ativamente para ver o chão conquistado e as famílias trabalhadoras com melhores condições de vida. Também em homenagem à Dona Neli, Seu Toninho, Edson Nogueira, Renilda e Dona Regina que doaram suas vidas e batalhas
pelo tão sonhado direito à terra, efetivação da reforma agrária e pelo fim do trabalho escravo nos latifúndios açucareiros em Campos dos Goytacazes.

Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir democracia, terra para produzir comida saudável para todas as trabalhadoras e trabalhadores pobres do campo e da cidade que vem sofrendo as consequências da pandemia de Covid-19 negligenciada pelo governo. Ocupamos a Cambahyba cumprindo todos os protocolos de saúde porque queremos vacinas para todas, todes e todos. Reforçamos as práticas de saúde em relação ao distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel. Nos levantamos para denunciar o governo genocida de Jair Bolsonaro com mais de 500.000 mil mortes de brasileiras e brasileiros.

Ocupamos a Cambahyba porque ela é um patrimônio público da memória, de resistências das famílias de trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra que nada mais querem do que a efetividade da Constituição que impõe a reforma agrária para terras improdutivas.

Em nenhum momento tivemos dúvidas de que se tratava de um latifúndio improdutivo marcado pela exploração do trabalho, impactos ambientais e comprometimento com a ditadura empresarial-militar que manchou nossa história.

Nossa Luta é uma luta de todas e todos, viva o Acampamento Cícero Guedes pela vida digna, vacina no braço, comida no prato!
Ditadura Nunca Mais!
Fora Bolsonaro!
Viva o Acampamento Cícero Guedes!
A CAMBAHYBA É NOSSA!


24 de junho de 2021
Direção Estadual do MST-RJ
Imprensa: 21-980948624 / 22-988315760

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-24  ::  Clivia Mesquita

Educação do Campo é tema do podcast Terra Crioula

terça-feira 22 junho 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Podcast

Ouça o podcast no canal Terra Crioula no youtube ou nas plataformas de áudio digitais

Pública, gratuita, de qualidade e libertadora! O episódio #8 do podcast Terra Crioula debate o projeto de educação que queremos para a classe trabalhadora. Políticas públicas, os desafios que a educação enfrenta na pandemia e a experiência do MST com o método de alfabetização cubano “Sim, eu posso” também são tratados pelas entrevistadas.

Nossas convidadas Luana Carvalho da Direção Nacional do MST e Cida Lobato do Setor de Educação do MST-RJ falam sobre a relação da luta pela terra e o direto à educação. Com participações especiais de dona Delira, assentada do PDS Osvaldo de Oliveira, e interpretação de Márcia Ramos da canção “Construtores do futuro” de Gilvan Santos.

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> O podcast Terra Crioula é uma parceria do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e o Setor de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra do Rio de Janeiro (MST-RJ)

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-22  ::  Clivia Mesquita

NOTA DE DENÚNCIA DO MST RJ SOBRE O INCRA DO RIO DE JANEIRO

quarta-feira 26 maio 2021 - Filed under Assentamento Popular Irmã Dorothy + Notícias do MST Rio

Após 15 anos de luta pela terra no Assentamento Irmã Dorothy (em Quatis/Rio de Janeiro), as famílias foram surpreendidas na manhã do dia 25 de maio, com a presença da polícia federal e técnicos do INCRA, dizendo que foram para “regularizar” situação das famílias.

É lastimável que a Superintendência do INCRA do Rio de Janeiro tente intimidar as famílias de trabalhadores rurais com o uso da força policial, que andaram pelo assentamento sem nenhuma máscara de proteção, impondo o risco às famílias, muitas ainda sem terem sido vacinadas.

O INCRA está indo em cada casa entregando uma notificação sobre a ocupação da família na área, a produção, o tempo de moradia e fazendo uma entrevista com perguntas absurdas como “se a pessoa é militante do MST ou não”.

Trata-se de uma tentativa de intimidação que acontece no momento em que as famílias estavam discutindo com o órgão responsável pela implementação da Reforma Agrária o uso do edital para seleção dos futuros beneficiários da área, especialmente porque se o INCRA quisesse poderia ter assentado todas as famílias desde 2015 quando foi emitido na posse por decisão judicial.

Isso não ocorreu até o momento pelo descompromisso do INCRA com a reforma agrária e agora tenta criminalizar essas famílias cuja luta legitima permitiu a conquista dessa terra. Isto porque o INCRA não reconhece as famílias que estão na área há 15 anos e vem produzindo uma série de conflitos e tensões na área, gestando maior vulnerabilidade para as famílias, que há tanto já resistem diante da falta de política pública de desenvolvimento da Reforma Agrária, fato que se agravou diante do ataque imposto pelo atual governo federal.

A Reforma Agrária não pode ser caso de polícia, mais sim de política pública, como manda a Constituição, que seja capaz de trazer desenvolvimento com dignidade e segurança para as famílias que lutam para conquistar seu pedaço de terra, lutam para que a reforma agrária saia do papel, e garanta que “a justiça e a igualdade Sejam mais que palavras de ocasião, É preciso um novo tempo em que não seja só promessa Repartir até o pão”

Assinado
Direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Rio de Janeiro / #AssentamentoIrmãDorothyFica #IrmãDorothyRJ #LutaDorothy #DespejoZero #DespejoNaPandemiaéCrime

1 comment  ::  Share or discuss  ::  2021-05-26  ::  pablo

MST completa 25 anos no Rio de Janeiro; ouça no podcast Terra Crioula

quarta-feira 14 abril 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Podcast

Neste mês, o MST completa 25 anos de trajetória no Rio de Janeiro com a chegada do Movimento na articulação da ocupação da Fazenda Capelinha em abril de 1996. No ano seguinte, o MST-RJ se consolida com a ocupação do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes.

O episódio #7 do podcast Terra Crioula resgata os processos históricos de luta do Movimento no Rio de Janeiro ao longo de 25 anos! Nossas convidadas são Dona Gininha do Setor de Educação e Marina dos Santos da Direção Nacional do MST.

Disponível: Spotify | Youtube | Facebook

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 ::  Share or discuss  ::  2021-04-14  ::  Clivia Mesquita

Audiência Pública na ALERJ 8/11

quinta-feira 4 novembro 2021 - Filed under Sem categoria

Companheiras e companheiros O MST-RJ informa que dia 8/11 as 10hs será realizada na ALERJ Assembleia legislativa do Rio de Janeiro, uma Audiência Pública puxada pelo mandato da Deputada Estadual Renata Souza que preside a Comissão de Enfrentamento a Miséria e Pobreza e a Deputada Federal Taliria Petrone que irão abrir para que os Acampados e Assentados da Reforma Agrária Popular sejam ouvidos e também possam cobrar do INCRA a execução da Reforma Agrária no estado (Acampamento Cicero Guedes / Assentamento Irmã Dorothy / PDS Osvaldo de Oliveira).

Importante Nesta segunda feira as 10hrs no Auditório do 21 andar do Edificio Lucio Costa, no endereço Rua da Ajuda 37, centro do RJ.

? Não esquecer cartão de vacinação e identidade.

ACambhaybaeNossa

MST-RJ

 ::  Share or discuss  ::  2021-11-04  ::  pablo

Unidade Pedagógica de Agroecologia Marielle Franco do MST-RJ inaugura Curso de Agroecologia

segunda-feira 1 novembro 2021 - Filed under Sem categoria

Unidade Pedagógica de Agroecologia, primeira Aula inaugural Foto Divulgação MST-RJ

Unidade Pedagógica de Agroecologia Marielle Franco organizado pelo MST no acampamento Edson Nogueira em Macaé RJ realiza aula inaugural do minicurso de agroecologia 2021 neste final de semana.

A aula inaugural contou com a participação das famílias acampadas no Edson Nogueira e que lutam pela efetivação da escola de agroecologia há mais de 3 anos, famílias do acampamento Cícero Guedes en Campos RJ, famílias assentadas no PDS Osvaldo de Oliveira, amigas e amigos do MST que contribuíram com as lutas e conquistas na região, SindpetroNF, Cooperar, e a mediadora Thaís Vieira e os mediadores Padre Mauro, Saraiva e Talles do coletivo Esperançar.

A Unidade Pedagógica de Agroecologia retoma as atividades ao público com o minicurso de Agroecologia reforçando os cuidados de prevenção a covid-19.

Com o tema “Fé e Política” o MST e o conjunto da Comissão Política Pedagógica da escola composto pelas universidades Federal do Rio de Janeiro e Federal Fluminense, movimentos estudantis, famílias acampadas e sociedade realizam apresentação do minicurso e a proposta da escola de agroecologia para mais de 100 pessoas que passaram pelo acampamento durante o dia.

Tivemos a oportunidade de compartilhar um almoço agroecológico entre as famílias acampadas do Edson Nogueira e do Cícero Guedes.

A Unidade Pedagógica funciona desde 02 de fevereiro de 2019 cultivando os saberes e práticas agroecológicas no território que antes pisava apenas gado.

Desde o início da pandemia as famílias Sem Terra do acampamento Edson Nogueira e do assentamento Projeto de Desenvolvimento Sustentável Osvaldo de Oliveira compartilham a produção de alimentos saudáveis e sem veneno para diversas famílias trabalhadoras da cidade através das ações de solidariedade. E o início das atividades na Unidade Pedagógica de Agroecologia não foi diferente, o MST fez uma ação de solidariedade na Tenda Solidária, que acontece na Praça do Canhão, no bairro do Visconde, centro de Macaé. Onde atende as famílias em situações de pobreza desde o início da pandemia.

?? Homens e mulheres conscientes, na luta permanente!

? Lutar, construir reforma agrária popular!!!

 ::  Share or discuss  ::  2021-11-01  ::  pablo

NOTA À SOCIEDADE DO MST-RJ SOBRE A DECISÃO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DO EDITAL DE SELEÇÃO DAS FAMÍLIAS DO ASSENTAMENTO IRMÃ DOROTY EM QUATIS-RJ

quinta-feira 28 outubro 2021 - Filed under Sem categoria

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Rio de Janeiro vem a publico anunciar a grande vitória das famílias sem terra do Assentamento Irmão Doroty e de toda a familia MST com a suspensão do Edital de Seleção das Familias beneficiárias da Reforma Agrária feita pelo Juiz Paulo Pereira da 1° Vara Federal de Resende, após ação civil pública promovida pela Defensoria Pública da União.

Entendemos que a Lei 13.465/17 ao impor como única forma de seleção para beneficiários da Reforma Agrária o Edital aberto, desconsidera a luta histórica de centenas de famílias que ocuparam o latifúndio improdutivo e resistem há anos com despejos, violência, na lona preta e todas interpéries climáticas, que deixam trabalhadores e trabalhadoras numa situação de vulnerabilidade social, tendo que resistir e aguardar para conquistarem o tão sonhado pedaço de terra e assim poderem criar suas famílias com dignidade determinada pela constituição.

Nossa luta é para que toda família sem terra tenha direito à TERRA, a nossa luta é o esperançar de que a função social não seja promessa vã e a sonhada reforma agrária saia do papel e se faça no chão da terra, tão almejada!

Lutar pela reforma agrária é um direito dos que se encontram excluídos da terra.

O MPF ao se pronunciar na ACP afirma “Vê-se, pois, que o INCRA, ao publicar o edital, não agiu com transparência e
respeito com os atuais ocupantes daquela área, que, a princípio, não receberam orientação
acerca do procedimento que seria adotado para a seleção das famílias beneficiárias, gerando,
destarte, insegurança na comunidade.”

Já o juiz Paulo Pereira, argumenta na sua decisão que “Quando da decisão de imissão provisória na posse, o INCRA, de acordo com o
narrado na inicial, comunicou as famílias acampadas da decisão, autorizando-as a expandir a ocupação para a área desapropriada, reconhecendo-se, portanto, a legitimidade das mesmas. As famílias que se instalaram no referido assentamento, então, criaram expectativa de serem formalmente assentadas na área, passando ali a viver e a desenvolver atividades econômicas de subsistência, criando raízes naquele território e laços de companheirismo e de amizade.”

Esse é mais uma Vitória das famílias sem terras que lutam pelo Assentamento Irmã Doroty há 16 anos, não vamos parar até garantir que todas as familias que lutam e moram no territorio sejam regularizadas.

Irmã Doroty resiste!!!
MST, a luta é pra valer!!!
MST RJ, 25 anos de luta e resistência!!!

Rio de janeiro, 28 de outubro de 2021.

 ::  Share or discuss  ::  2021-10-28  ::  pablo

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