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Site do boletim do MST do Rio de Janeiro

Acampamento Cícero Guedes: a resposta de justiça por 21 anos de luta pela terra

quinta-feira 15 julho 2021 - Filed under Fazenda Cambahyba + MST Sudeste + Notícias do MST Rio

O processo de luta pela terra na região tem mais de 21 anos e continua sem sua efetivação para fins de reforma agrária

Ocupação Cícero Guedes. Foto: Pablo Vergara

Na última quinta-feira (24), o MST, com cerca de 300 famílias de diversas frentes de trabalho de base, ocuparam a fazenda improdutiva Saquarema, pertencente ao Complexo de fazendas Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, após esta ser decretada oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela justiça da 1ª Vara Federal de Campos, no dia 05 de maio junto com outras fazendas: a Flora, Saquarema e a Cambahyba pertencentes ao Complexo. Leia nota oficial aqui.

Cambahyba, Sangue, Tortura e Violencia

O processo de luta pela terra tem mais de 21 anos e continua sem sua efetivação para fins de reforma agrária. O histórico da Usina é marcado por dívidas, sangue e violência. O parque industrial da usina foi utilizado para a queima de corpos de presos políticos assassinados durante a ditadura militar, testemunhos recolhidos pela comissão da verdade ratificada por um dos mandantes e torturador. A usina também é marcada por exploração de trabalho escravo e dívidas previdenciárias. Esses elementos e uma milionária dívida com a união levaram a justiça, após 21 anos, a declarar a desapropriação das terras. 

Foto: Matheus Texeira

Cicero Guedes um Lutador do Povo Brasileiro

A ocupação foi nomeada de acampamento Cícero Guedes em homenagem ao dirigente do movimento na ocupação nas terras da Usina em 2012. Um ano apos a ocupação, o dirigente foi covardemente assassinado nas terra da Cambahyba. Cicero costumava agitar em voz alta “Reforma Agrária quando? JÁ!” o grito de ordem que mobilizou milhares de camponeses por seu sonho de ter acesso à terra.

Cícero é daquelas pessoas que deixaram um legado para humanidade, lutador pelos direitos humanos, o Alagoano sem terra ajudou a libertar milhares de camponeses submetidos à trabalhos análogo à escravidão nos canaviais, lutou pela educação do campo e sempre participou de diversas lutas com conjunto das categorias e sindicatos em Campos dos Goytacazes. Assim o Acampamento Cícero Guedes é construído por uma ampla diversidade de Sindicatos, organizações de direitos humanos e forças políticas que dão unidade no apoio e a resistencia do acampamento.

Leia mais: Júri inocenta suspeito de ser mandante do assassinato de Cícero Guedes em Campos (RJ)

Foto: Camilla Shaw

Histórico Sem Terra

A vida do acampamento começa cedo e as equipes são organizadas diariamente nos setores para a divisão do trabalho a ser realizado. No primeiro dia, esforços foram concentrados para garantir a construção dos espaços coletivos, cozinha, galpão coletivo e segurança para todas as pessoas presentes.

Em seguida, os trabalhadores e as trabalhadoras iniciam as atividades na terra de produção de alimentos em conjunto ao setor de produção onde já estão iniciando o arado das áreas coletivas. As famílias vem de diferentes perfis e frentes de trabalho, processos de acampamentos e despejos forçados, alguns netos e netas de assentados pela reforma agraria e outros que passaram anos na espera da reforma agraria embaixo da “Lona preta”.

Hoje no acampamento tem famílias oriundas da Ocupação Urbana Nova Horizonte, localizada em Guarus; acampados do Madre Cristina e 17 de abril, que ficaram em Floresta, município de São Francisco de Itabapoana; famílias despejadas pelo Porto do Açu em São João da Barra; acampados do acampamento Mario Lagos; e também os acampados do Luiz Maranhão, na fazenda Cambahyba, principalmente dos bairros próximos, Martin Laje, Campo Novo, Nova Jockey e Codim.

Foto: Stefane Girasol

Saúde e prevenção ao Coronavírus

No combate a proliferação contra Covid-19, o Coletivo de saúde organizou um ponto central para distribuição de máscaras e álcool. No acesso foi montada uma barreira sanitária que recebe os acampados cumprindo todos os protocolos em combate ao coronavírus, todas as pessoas que acessam acampamento tem que utilizar obrigatoriamente máscara PFF2 e passar álcool 70 nas mãos. Além disso, uma ou mais pessoas da equipe circulava no acampamento com álcool para reposição em cada área de trabalho e máscara em mãos.

Reforma Agrária uma Luta de Todes

Ester, assentada no assentamento popular Irmã Dorothy, em Quatis, deslocou-se do sul fluminense para fortalecer a construção do acampamento Cícero Guedes. A jovem afirma que “só com a reforma agrária a gente vai avançar com agroecologia, com alimentação saudável e com saúde e dignidade para toda nossa população brasileira”.

Segundo Luana Carvalho, da direção nacional do MST no RJ, “a partir da construção desse acampamento inicial a gente quer iniciar já a construção de um assentamento. Pressionar o INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] pra implementar as políticas públicas da reforma agrária, regularizar essas famílias que estão ocupando.”

Matheus, militante do MST-RJ, coordenador do Armazém do Campo-RJ e filho do Cicero Guedes, defende a democratização da terra e a importância de sua função social para fins de reforma agraria popular.

De acordo com o Estatuto da Terra, o Estado é responsável em promover a Reforma Agrária se a propriedade privada não cumprir com sua função social. De acordo com o segundo artigo, isso ocorre quando: “a) favorece o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores que nela labutam, assim como de suas famílias; b) mantém níveis satisfatórios de produtividade; c) assegura a conservação dos recursos naturais; d) observa as disposições legais que regulam as justas relações de trabalho entre os que a possuem e a cultivem”.

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 ::  Share or discuss  ::  2021-07-15  ::  Camilla Shaw

Após quatro meses com atividades via delivery, Armazém do Campo reabre as portas no Rio

quinta-feira 15 julho 2021 - Filed under Armazém do Campo RJ

Fotos Pablo Vergara e Tomas Veliz

Novo horário de funcionamento é de quarta a sábado; atendimento é baseado nos protocolos de segurança contra a covid

Redação Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 14 de Julho de 2021 às 17:47

Depois de passar quatro meses fechado, o Armazém do Campo reabriu as portas do casarão cor-de-rosa em que funciona na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (14). Há quase três anos, o espaço de comercialização organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vende produtos orgânicos e agroecológicos de assentamentos da reforma agrária, empresas parceiras e pequenos agricultores.

Leia também: Armazém do Campo do MST chega a Porto Alegre com produtos da reforma agrária

A reativação do espaço físico, após a concentração das atividades no serviço de delivery pautado nos pedidos online, foi possível com o avanço da vacinação contra a covid-19 na cidade – que atingiu o percentual de 67% da população adulta imunizada com a primeira dose nesta semana. 

“Cada vez mais sentimos a necessidade do retorno da loja em pleno funcionamento e que as pessoas tenham essa referência de alimentação saudável e solidariedade. Por isso também retornamos com o funcionamento da loja com as portas abertas e a possibilidade das pessoas retornarem aos poucos a frequentar o espaço”, conta Ruth Rodrigues, coordenadora política do Armazém do Campo RJ. 

Mesmo com o avanço da imunização, a loja está funcionando com base nos protocolos de segurança contra a covid, como a obrigatoriedade do uso da máscara, a higienização das mãos com álcool em gel para manusear os produtos e o distanciamento entre os clientes.

Com a reabertura do espaço físico, as entregas em domicílio continuam a funcionar através de encomendas e abarcam o centro, a zona Zul, alguns bairros da zona Oeste e zona Norte da capital, além de toda a cidade de Niterói, na região metropolitana. Os pedidos podem ser feitos pelo WhatsApp e pelo novo site, inaugurado nesta semana.

Fotos Pablo Vergara e Tomas Veliz

O novo horário de funcionamento do Armazém do Campo RJ é de quarta a sábado, sendo que durante a semana, de quarta a sexta, o atendimento se concentra das 10h às 17h30. Já no sábado, o horário é das 10h às 15h30. 

Campo e cidade

O Armazém do Campo teve as atividades iniciadas no Rio de Janeiro em setembro de 2018 com o objetivo de escoar a produção de alimentos do MST no estado. Estabelecido em diversas capitais do país, a rede de lojas pretende aproximar a população do debate sobre a alimentação saudável no dia a dia.

Para Ruth Rodrigues, o espaço tem o papel fundamental para criar uma ponte entre o campo e a cidade ao introduzir a discussão sobre a necessidade da reforma agrária no país, além de tornar acessível alimentos agroecológicos, não transgênicos e sem agrotóxicos para a população em geral.

“O Armazém convida todas as pessoas a se alimentarem com comida de verdade, a discutirem as pautas ambientais e também a solidariedade. Com cooperação e organização das famílias assentadas e acampadas do estado e das cooperativas nacionais além do apoio das pessoas tem sido possível estabelecer esse projeto”, conclui.

Edição: Mariana Pitasse

 ::  Share or discuss  ::  2021-07-15  ::  pablo

Por que ocupamos as terras da usina Cambahyba?

quinta-feira 24 junho 2021 - Filed under Fazenda Cambahyba + Notícias do MST Rio

Há 25 anos o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marca sua trajetória no Rio de Janeiro com a ocupação de terras das fazendas da falida usina Capelinha, em Conceição de Macabu. A ocupação se deu em resposta ao latifúndio improdutivo e ao massacre do Eldorado dos Carajás, onde 21 Sem Terras foram assassinados pelo governo do estado (PSDB) no Pará em abril de 1996. No ano seguinte o MST-RJ se consolidou com a ocupação da usina São João em Campos dos Goytacazes (RJ) dando origem ao assentamento Zumbi dos Palmares, onde mais de 500 famílias conquistaram sua terra para viver e produzir alimentos.

Hoje, 24 de junho de 2021, 300 famílias ocupam uma das fazendas que pertence ao Complexo de Fazendas Cambahyba, após esta ser decretada oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela Justiça da 1ª Vara Federal de Campos no dia 5 de maio junto com outras fazendas, a Flora, Saquarema e a Cambahyba pertencentes ao Complexo.

Nasce assim o Acampamento Cícero Guedes, construído com o apoio de diversas organizações, sindicatos, entidades de Direitos Humanos, entidades religiosas, partidos políticos, movimento estudantil, movimentos sociais do município de Campos dos Goytacazes e também entidades nacionais.

As famílias que participam da ocupação são oriundas de diversos territórios de resistência da região e processos de lutas atuais e anteriores, como os agricultores de São João da Barra despejados no Porto do Açu, trabalhadores do corte de cana de Floresta, Ocupação Nova Horizonte em Guarus, Trabalhadores do bairro da Codin e do antigo acampamento Luís Maranhão.

A história da Usina Cambahyba é a expressão da formação da grande propriedade e da exploração da força de trabalho e do meio ambiente no Brasil. É uma história de violência marcada pela resistência dos trabalhadores e trabalhadoras.

Há mais de 20 anos, o MST luta pela desapropriação do Complexo Cambahyba, que desde 1998, através de decreto presidencial, foi considerada improdutiva por não cumprir sua função social.

Essas terras pertenceram ao ex-vice-governador do estado, Heli Ribeiro Gomes (1968), e a ausência de função social da terra se fazia diante da manutenção de trabalho análogo à escravidão, degradação do meio ambiente, exploração do trabalho infantil, além de acumular dívidas trabalhistas e previdenciárias milionárias com a União.

Não foram poucas as ocupações e as mobilizações para que o direito à desapropriação das terras da Cambahyba se realizasse. Foram muitos os momentos que nos levaram à praça São Salvador para que o judiciário federal finalmente reconhecesse a improdutividade e garantisse a imissão de posse ao INCRA. Exatos 21 anos de luta, de perdas, mas também de resistência e esperança de que essas terras seriam dos trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra.
Por isso, ocupamos a Cambahyba! Ocupamos pela memória daqueles que foram silenciados e desaparecidos pela desumanidade do poder.

Daqueles que foram torturados, assassinados na Ditadura empresarial-militar e tiveram a conivência da Cia Usina Cambahyba permitindo que seus fornos fossem utilizados para incinerar 12 corpos de presos políticos e opositores do regime. Dentre eles, Luís Maranhão, Fernando Santa Cruz e Ana Rosa Kucinski.

Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir justiça para Cícero Guedes, grande liderança do MST que lutou ativamente para ver o chão conquistado e as famílias trabalhadoras com melhores condições de vida. Também em homenagem à Dona Neli, Seu Toninho, Edson Nogueira, Renilda e Dona Regina que doaram suas vidas e batalhas
pelo tão sonhado direito à terra, efetivação da reforma agrária e pelo fim do trabalho escravo nos latifúndios açucareiros em Campos dos Goytacazes.

Ocupamos as terras da Cambahyba para exigir democracia, terra para produzir comida saudável para todas as trabalhadoras e trabalhadores pobres do campo e da cidade que vem sofrendo as consequências da pandemia de Covid-19 negligenciada pelo governo. Ocupamos a Cambahyba cumprindo todos os protocolos de saúde porque queremos vacinas para todas, todes e todos. Reforçamos as práticas de saúde em relação ao distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel. Nos levantamos para denunciar o governo genocida de Jair Bolsonaro com mais de 500.000 mil mortes de brasileiras e brasileiros.

Ocupamos a Cambahyba porque ela é um patrimônio público da memória, de resistências das famílias de trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra que nada mais querem do que a efetividade da Constituição que impõe a reforma agrária para terras improdutivas.

Em nenhum momento tivemos dúvidas de que se tratava de um latifúndio improdutivo marcado pela exploração do trabalho, impactos ambientais e comprometimento com a ditadura empresarial-militar que manchou nossa história.

Nossa Luta é uma luta de todas e todos, viva o Acampamento Cícero Guedes pela vida digna, vacina no braço, comida no prato!
Ditadura Nunca Mais!
Fora Bolsonaro!
Viva o Acampamento Cícero Guedes!
A CAMBAHYBA É NOSSA!


24 de junho de 2021
Direção Estadual do MST-RJ
Imprensa: 21-980948624 / 22-988315760

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-24  ::  Clivia Mesquita

Educação do Campo é tema do podcast Terra Crioula

terça-feira 22 junho 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Podcast

Ouça o podcast no canal Terra Crioula no youtube ou nas plataformas de áudio digitais

Pública, gratuita, de qualidade e libertadora! O episódio #8 do podcast Terra Crioula debate o projeto de educação que queremos para a classe trabalhadora. Políticas públicas, os desafios que a educação enfrenta na pandemia e a experiência do MST com o método de alfabetização cubano “Sim, eu posso” também são tratados pelas entrevistadas.

Nossas convidadas Luana Carvalho da Direção Nacional do MST e Cida Lobato do Setor de Educação do MST-RJ falam sobre a relação da luta pela terra e o direto à educação. Com participações especiais de dona Delira, assentada do PDS Osvaldo de Oliveira, e interpretação de Márcia Ramos da canção “Construtores do futuro” de Gilvan Santos.

Ouça nas plataformas digitais:
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Twitter @rj_mst

> O podcast Terra Crioula é uma parceria do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e o Setor de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra do Rio de Janeiro (MST-RJ)

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-22  ::  Clivia Mesquita

NOTA DE DENÚNCIA DO MST RJ SOBRE O INCRA DO RIO DE JANEIRO

quarta-feira 26 maio 2021 - Filed under Assentamento Popular Irmã Dorothy + Notícias do MST Rio

Após 15 anos de luta pela terra no Assentamento Irmã Dorothy (em Quatis/Rio de Janeiro), as famílias foram surpreendidas na manhã do dia 25 de maio, com a presença da polícia federal e técnicos do INCRA, dizendo que foram para “regularizar” situação das famílias.

É lastimável que a Superintendência do INCRA do Rio de Janeiro tente intimidar as famílias de trabalhadores rurais com o uso da força policial, que andaram pelo assentamento sem nenhuma máscara de proteção, impondo o risco às famílias, muitas ainda sem terem sido vacinadas.

O INCRA está indo em cada casa entregando uma notificação sobre a ocupação da família na área, a produção, o tempo de moradia e fazendo uma entrevista com perguntas absurdas como “se a pessoa é militante do MST ou não”.

Trata-se de uma tentativa de intimidação que acontece no momento em que as famílias estavam discutindo com o órgão responsável pela implementação da Reforma Agrária o uso do edital para seleção dos futuros beneficiários da área, especialmente porque se o INCRA quisesse poderia ter assentado todas as famílias desde 2015 quando foi emitido na posse por decisão judicial.

Isso não ocorreu até o momento pelo descompromisso do INCRA com a reforma agrária e agora tenta criminalizar essas famílias cuja luta legitima permitiu a conquista dessa terra. Isto porque o INCRA não reconhece as famílias que estão na área há 15 anos e vem produzindo uma série de conflitos e tensões na área, gestando maior vulnerabilidade para as famílias, que há tanto já resistem diante da falta de política pública de desenvolvimento da Reforma Agrária, fato que se agravou diante do ataque imposto pelo atual governo federal.

A Reforma Agrária não pode ser caso de polícia, mais sim de política pública, como manda a Constituição, que seja capaz de trazer desenvolvimento com dignidade e segurança para as famílias que lutam para conquistar seu pedaço de terra, lutam para que a reforma agrária saia do papel, e garanta que “a justiça e a igualdade Sejam mais que palavras de ocasião, É preciso um novo tempo em que não seja só promessa Repartir até o pão”

Assinado
Direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Rio de Janeiro / #AssentamentoIrmãDorothyFica #IrmãDorothyRJ #LutaDorothy #DespejoZero #DespejoNaPandemiaéCrime

 ::  Share or discuss  ::  2021-05-26  ::  pablo

MST completa 25 anos no Rio de Janeiro; ouça no podcast Terra Crioula

quarta-feira 14 abril 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Podcast

Neste mês, o MST completa 25 anos de trajetória no Rio de Janeiro com a chegada do Movimento na articulação da ocupação da Fazenda Capelinha em abril de 1996. No ano seguinte, o MST-RJ se consolida com a ocupação do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes.

O episódio #7 do podcast Terra Crioula resgata os processos históricos de luta do Movimento no Rio de Janeiro ao longo de 25 anos! Nossas convidadas são Dona Gininha do Setor de Educação e Marina dos Santos da Direção Nacional do MST.

Disponível: Spotify | Youtube | Facebook

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 ::  Share or discuss  ::  2021-04-14  ::  Clivia Mesquita

Quilombolas e sem terras cultivando sementes e lutas em Quatis

segunda-feira 5 julho 2021 - Filed under Sem categoria

por Gabriel Amorim

Coletivo de Comunicação MST-RJ

Compartilhar o alimento, o conhecimento e a solidariedade foi o que marcou a visita do MST ao Quilombo Santana, em Quatis, no sul fluminense. Na manhã deste último sábado (03/07) companheiras e companheiros do assentamento Irmã Dorothy, do mesmo município, estiveram no território quilombola para conversar e pensar juntos possibilidades de fortalecimentos da luta na região. Pois, semelhante ao assentamento Irmã Dorothy, o Quilombo Santana também sofre com os ataques do INCRA em seu processo de luta de mais de vinte anos para a conquista da terra e reconhecimento das famílias.

Foram os primeiros passos para se atualizar sobre as realidades de cada comunidade, e pensar possibilidades conjuntas nas lutas da questão agrária e de regularização fundiária, na produção, comercialização, infraestrutura, cultura e educação. Questões que são importantes para a resistência e auto organização de todo territórios e comunidades para que produza e viva com soberania. Também se conversou sobre as sementes crioulas, sua reprodução e cuidado em bancos de sementes para plantio e trocas entre comunidades. Assim como a alfabetização de jovens e adultos, o intercâmbio de experiências, formações e conhecimentos em cultivos e processos produtivos, trabalhando metodologias onde o povo aprende com o povo.

Celebrando este momento também foi entregue à comunidade uma rama de mandioca Pão do Chile, de assentamentos do norte do estado e que está sendo reproduzida no assentamento Irmã Dorothy. E sementes crioulas do feijão Karukando, produzido no PDS Osvaldo de Oliveira e no Acampamento Edson Nogueira, em Macaé, e que agora a juventude do quilombo poderá reproduzir e cuidar.

Só a aliança de quilombolas, pequenos agricultores, sem terras pode fazer frente ao avanço dos ataques do ultraliberalismo e deste governo genocida de Bolsonaro e Guedes, lutando por terra e território para produzir resistência, saúde, alimentos, solidariedade, trabalho coletivo e um povo forte.

 ::  Share or discuss  ::  2021-07-05  ::  Gabriel

MST inaugura site de comercialização Terra Crioula no Sul Fluminense

terça-feira 29 junho 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Terra Crioula

Por Gabriel Amorin

Coletivo de Comunicação MST-RJ

No último domingo (20), as famílias assentadas do MST na região Sul Fluminense passaram a contar com um sistema de comercialização das Cestas da Reforma Agrária, é o site Terra Crioula. Os pedidos foram abertos de domingo a quinta-feira, e as entregas foram feitas em quatro sedes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEPE) em Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e Quatis/Porto Real.

O processo de comercialização no território é organizado pelo Coletivo Alaíde Reis, mantendo vivo o nome de Seu Alaíde, um histórico e saudoso militante do movimento na região. Reunindo núcleos de famílias dos assentamentos Terra da Paz, Roseli Nunes e Irmã Dorothy, o coletivo conta com uma produção diversificada em mais de cem itens, entre verduras, ervas, raízes, grãos, laticínios e beneficiados caseiros.

Desde 2016 o coletivo desenvolve sua estratégia de organização da produção e cooperação na comercialização, organizando-se a partir de experiências de comercialização direta como cestas, feiras locais e a Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, realizada anualmente na capital do estado. Nesse processo local, tem sido importante a relação de apoio mútuo com os as trabalhadoras e trabalhadores da educação que compõem o SEPE na região. Pois a organização dos trabalhadores da cidade para adquirirem a produção do pequenos agricultores organizados no campo é fundamental para o fortalecimentos das alianças entre o povo do campo e da cidade. Essa relação entre o MST e o SEPE na região busca ir para além da comercialização, construindo um trabalho político conjunto, com a organização de visitas, confraternizações e mini vivências dos “cestantes” nas áreas de produção.

O site de comercialização, por sua vez, é consequência dos acúmulos do MST na organização do Espaço de Comercialização Terra Crioula, entre 2017 e 2019, no Centro do Rio de Janeiro. Um espaço quinzenal onde os coletivos de produção e comercialização dos assentamentos e acampamentos do estado comercializavam sua produção em bancas de feira no espaço e na Cesta da Reforma Agrária. Também eram realizadas atividades culturais, de comunicação, rodas de conversa, almoços da Culinária da Terra, produção de camisas pelo coletivo de serigrafia e oficinas. E formações com base em tecnologias sociais com membros dos coletivos regionais ali presentes, contribuindo com a cooperação e organização dos processos organizativos locais. O nome Terra Crioula é também a identidade social da produção do MST no estado. Elaborada em 2010, carrega as simbologias da terra e da identidade “crioula” na diversidade latino-americana dos povos e comunidades do campo e das florestas, propondo uma outra relação entre quem produz e quem consome, e reforçando os valores da produção fruto de trabalho coletivo e cooperado e auto-organização dos territórios.

É a partir dessa política do movimento para a comercialização na capital que se desenvolve a proposta do site, elaborado pela equipe de estudantes e professores do TIC-DEMOS (Tecnologias da Informação e Comunicação, Democracia e Movimentos Sociais), um projeto do SOLTEC/NIDES/UFRJ. Buscando solucionar a demanda de otimizar o processamento de pedidos da Cesta da Reforma Agrária neste espaço, reduzindo o trabalho que era feito manualmente com planilhas e aplicativo de celular, e contribuindo em uma melhor organização e envolvimentos de mais “cestantes”.

Agora o movimento busca implementar este sistema de comercialização das Cestas da Reforma Agrária nas regiões do estado, e também está em fase de desenvolvimento do sistema para utilização no Armazém do Campo, no Centro da Cidade do Rio. Contribuindo com a otimização do trabalho e maior divulgação das cestas organizadas pelos coletivos do movimento nos territórios.

Além de gerar menos trabalho para o processamento dos pedidos, que geralmente são feitos por aplicativo de celular ou formulário online internet, o site possibilita inserir variados conteúdos como fotos e diversos tipos de informações sobre os produtos, como receitas e ingredientes. Além de conteúdos sobre o histórico do coletivo, perguntas frequentes, entre outros. Ou seja, o site também contribui com a propaganda, difusão e reunião de informações sobre a produção que muitas vezes podem estar dispersas, e informando sobre as propriedades de algum alimento, que muitas pessoas podem desconhecer. O sistema também pode auxiliar a produção pois gera planilhas com os dados das vendas, por produtos e suas categorias, quantidades, valores de venda, totais comercializados num dado período etc.

No momento, o site Terra Crioula está sendo utilizado na região sul, com vendas mensais em quatro municípios. Os resultados já são sentidos, mas seguem os desafios para avançar em outras regiões, ao passo das realidades locais, o que demanda também estrutura, como computadores, energia elétrica estável e internet. Além de cada vez maior organicidade planejamento dos coletivos e formação de pessoas para gerir o sistema, que também está em permanente processo de ajuste e adaptação à realidade dos coletivos.

O desenvolvimento do site é uma ação que se insere e dialoga dentro de um conjunto do planejamento do MST para a comercialização no estado. O que demanda também a luta permanente pelas devidas políticas de estruturação e de garantia de permanência dos assentamentos, que não são cumpridas por parte do INCRA e governos. Na região, por exemplo, o assentamento Irmã Dorothy encontra-se em campanha de resistência contra a tentativa do INCRA e do Estado de expulsar as famílias da terra. Mas são os movimentos sociais do campo e da cidade os que têm trabalhado e lutado para apresentar propostas para combater a vida cara, a fome, a miséria e falta de acesso à moradia impulsionadas pelas políticas genocidas de Bolsonaro e Guedes. E o MST tem contribuído com esse processo com a produção de alimentos saudáveis para o povo e solidariedade na luta pela Reforma Agrária Popular.

O site Terra Crioula pode ser acessado no endereço https://terracrioula.mst.org.br

Lutar, construir reforma agrária popular!

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-29  ::  Clivia Mesquita

NOTA DO MST RJ SOBRE A DESAPROPRIAÇÃO DA CAMBAHYBA

quarta-feira 2 junho 2021 - Filed under Fazenda Cambahyba + MST Sudeste + Notícias do MST Rio

Foi com alegria que recebemos a notícia da decisão pela imissão de posse da Cia Usina Cambahyba. Foram mais de 21 anos lutando pela desapropriação dessas terras que marcam a história de Campos mas também a história do país.

Em nenhum momento tínhamos dúvidas de que se tratava de um latifúndio improdutivo marcado pela exploração do trabalho, impactos ambientais e comprometimento com a ditadura empresarial-militar que manchou nossa história.

Lutamos pela desapropriação, enfrentamos constantemente ações de reintegração de posse, violentas, como a que ocorreu onde seu Antônio, grande guerreiro, foi arrastado pela polícia.

A história da Usina Cambahyba expressa a formação da grande propriedade no Brasil. É uma história de violência, mas de resistência dos trabalhadores e trabalhadoras.

Nas terras da Cambahyba muitos tombaram na luta pela terra. Seus sulcos são atravessados pelo sangue dos trabalhadores. Dentre eles, Cícero Guedes, grande liderança, que nunca desistiu de de lutar pela Cambahyba, pela reforma agrária e por uma sociedade justa!

Por isso, nós, trabalhadores e trabalhadoras do MST/RJ, não abandonamos nunca a luta pela Cambahyba, porque é nossa história, é nossa resistência, é a nossa capacidade de irresignação diante da injustiça do latifúndio, é pela memória dos lutadores e lutadoras, como Cícero, Neli, Seu Antonio que nos legaram sementes que reafirmamos:

A Cambahyba é nossa, é d@s trabalhador@s sem terra que romperam as cercas e construirão uma nova história nas terras da Cambahyba!

REFORMA AGRÁRIA JÁ!!!

Rio de janeiro, 01 de junho de 2021

 ::  Share or discuss  ::  2021-06-02  ::  pablo

Dandara dos Palmares: 18 anos cultivando lutas no norte fluminense

quarta-feira 26 maio 2021 - Filed under Notícias do MST Rio

Há 18 anos, no dia 25 de Maio de 2003, o latifúndio da Fazenda Santana / Betel deixava de ser improdutivo e ganhava o nome da guerreira quilombola Dandara dos Palmares. Fruto da luta de dezenas de famílias Sem-Terra, garantindo função social da terra em Campos dos Goytacazes. Onde antes só tinha gado e cana destruindo o solo e explorando o povo pro latifundiário ficar mais rico, hoje tem produção agroecológica e árvores frutíferas de vários trabalhos coletivos do MST.

E esta data de luta foi celebrada no último domingo (23/05), em uma ação simbólica de plantio de 250 mudas nativas da mata atlântica realizada por jovens do Coletivo Sementes do Dandara, do Coletivo de Fitoterápicos e do Coletivo de Comercialização Terra Crioula Norte Fluminense. Contou também com a presença de uma companheira da Comissão Pastoral da Terra (CPT), um importante aliado histórico presente desde a ocupação do território.

A ação se integra também ao Plano Nacional de Plantio de Árvores e Produção de Alimentos Saudáveis do MST, que tem por objetivo realizar a recuperação de áreas degradadas através de Agroflorestas e da Agroecologia.

As lutas de ontem frutificam hoje com a juventude do Dandara dos Palmares, subindo agrofloresta e se organizando coletivamente para produzir, se auto-organizar e combater a sanha do projeto de morte do agronegócio. Viva o assentamento Dandara dos Palmares! Que venham mais 18 anos!

#TodosPelaReformaAgraria #25AnosMSTRJ

 ::  Share or discuss  ::  2021-05-26  ::  pablo