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Site do boletim do MST do Rio de Janeiro

MST completa 25 anos no Rio de Janeiro; ouça no podcast Terra Crioula

quarta-feira 14 abril 2021 - Filed under Notícias do MST Rio + Podcast

Neste mês, o MST completa 25 anos de trajetória no Rio de Janeiro com a chegada do Movimento na articulação da ocupação da Fazenda Capelinha em abril de 1996. No ano seguinte, o MST-RJ se consolida com a ocupação do Assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes.

O episódio #7 do podcast Terra Crioula resgata os processos históricos de luta do Movimento no Rio de Janeiro ao longo de 25 anos! Nossas convidadas são Dona Gininha do Setor de Educação e Marina dos Santos da Direção Nacional do MST.

Disponível: Spotify | Youtube | Facebook

Acompanhe nas redes sociais:

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Facebook.com/MST.Rio.RJ

Twitter @rj_mst 

> O podcast Terra Crioula é uma parceria do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e o Setor de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra do Rio de Janeiro (MST-RJ)

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 ::  Share or discuss  ::  2021-04-14  ::  Clivia Mesquita

MST inicia Jornada de Solidariedade no Rio de Janeiro neste sábado (17)

quarta-feira 14 abril 2021 - Filed under Solidariedade

Marmita Solidária e doação de alimentos da Reforma Agrária acontecem em diversas regiões do estado em memória aos mártires do massacre de Eldorado do Carajás

Marmita Solidária leva refeições com alimentos da Reforma Agrária para ocupações urbanas no Rio de Janeiro (Foto: Bárbara Vida)

Por Coletivo de Comunicação MST-RJ

Neste sábado (17), Dia Internacional da Luta Camponesa, o Movimento Sem Terra no Rio de Janeiro realiza uma série de ações de solidariedade em memória aos mártires do massacre de Eldorado do Carajás. O assassinato de 21 trabalhadores rurais ocorreu no Pará há 25 anos. Desde então, abril se tornou um mês de luta em todo Brasil pela Reforma Agrária Popular e denúncia contra violência no campo. 

Neste mês o MST também completa 25 anos de trajetória no Rio de Janeiro com a chegada do Movimento em 1996 na articulação da ocupação da Fazenda Capelinha, em Campos dos Goytacazes, que posteriormente se consolidou com a ocupação do Assentamento Zumbi dos Palmares, em abril de 1997. 

Segundo Luana Carvalho da Direção Nacional do MST, abril é tão importante porque “traz a memória do massacre do Eldorado dos Carajás e a importância da luta pela terra no país”. Além do marco histórico para o estado, a data coincide com a Jornada Nacional de Lutas.

“Trazemos aquilo que é fruto das nossas conquistas que é o nosso alimento. Nossa principal tarefa é a produção de alimentos saudáveis. Com a crise social e a pandemia que escancara as desigualdades sociais e aumenta a fome, viemos ofertar aquilo que é fruta da nossa luta de 25 anos na construção da Reforma Agrária no Rio de Janeiro”, afirma Luana.

Diante do descontrole da pandemia no país, o vírus da fome também se agravou no último ano. A Marmita Solidária vai oferecer 500 refeições saudáveis e de qualidade na capital carioca e no Sul Fluminense neste sábado (17). As marmitas produzidas com alimentos da Reforma Agrária no Armazém do Campo serão distribuídas, às 11h, para trabalhadores e trabalhadoras informais no centro do Rio, em parceria com o Movimento Unido dos Camelôs (MUCA). 

No mesmo dia, o Assentamento Terra da Paz, em Piraí, vai preparar as marmitas que serão entregues na comunidade Morada do Sol, localizada em Volta Redonda. Na Regional Lagos, também acontece uma doação de alimentos agroecológicos do Assentamento PDS Osvaldo de Oliveira para a favela Malvinas, em Macaé. 

Preparação das Marmitas Solidárias no Armazém do Campo RJ é realizada equipe de voluntários, as Mãos Solidárias (Foto: Bárbara Vida)

Além do MST, também constroem a Marmita Solidária no Rio de Janeiro a Articulação de Agroecologia (AARJ) e a Frente Brasil Popular (FBP) através das entidades: Levante Popular da Juventude, Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Central Única dos Trabalhadores (CUT),  União da Juventude Socialista (UJS), Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, ANDES, Sisejufe, UBM, Cedro, Cedac, PCdoB, e o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio do Rio de Janeiro.

O custo de cada Marmita Solidária é R$ 9,60. É possível apoiar com qualquer quantia através da conta no Banco do Brasil (Ag: 2975-0 / C/c: 27970-6) CNPJ: 08.087.241/0001-21. Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (ESESF).

 ::  Share or discuss  ::  2021-04-14  ::  Clivia Mesquita

Brigada de comunicação em defesa do Assentamento Popular Irmã Dorothy produz série documental

quinta-feira 1 abril 2021 - Filed under Assentamento Popular Irmã Dorothy + MST Sudeste + Notícias do MST Rio

Bastidores da produção da série documental, entrevista Dona Ana e Sr. Sebastião,
produtores de arroz no Assentamento Popular Irmã Dorothy. (Foto: Mariana Silveira Costa)

Por Coletivo de Comunicação MST-RJ

Atualmente o território passa por alteração da política de reforma agrária, por conta da Lei Federal 13.465, que ameaça a permanência das famílias.

O material documental começou a ser produzido no dia 31 de março, no assentamento Irmã Dorothy, buscando resgatar a memória e a história das famílias  e como o edital as prejudica mesmo já morando lá há 15 anos.

A série documental está amparada pelo lema da campanha de defesa pelo território “Não apaguem nossa história! Todas as famílias assentadas já”. A produção surgiu por meio da chamada de apoio que o próprio território realizou para tornar pública a ameaça que vem sofrendo. 

Está prevista a cobertura dos bastidores e todo o processo de produção, além disso, o material será em breve lançado nas redes sociais youtube Terra Crioula, mas antes do material na íntegra será possível acompanhar o processo pelo instagram e facebook do Terra Crioula. 

A produção ressalta que tanto a equipe como os entrevistados têm mantido todo o cuidado e distanciamento necessário para prevenção da Covid-19, utilizando máscara e higienização frequente. 

Temáticas abordadas 

Nos eixos dessa produção serão abordados os pontos do edital e como ele afeta as famílias, devido à pontuação nele empregada para se estar usufruindo da terra. Além disso, será também abordada a produção e participação da cada assentado dentro no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Ainda  será  a utilizada a metodologia de cartografia social, que tem como premissa o levantamento afetivo e da memória para demarcar socialmente o território, trazendo à tona não apenas a atual situação, mas reforça a história de cada família legitimando a sua existência e resistência no território resgatando cada parte dele como um ponto da memória de cada assentado do Irmã Dorothy. 

 ::  Share or discuss  ::  2021-04-01  ::  pablo

Bosques Marielle Franco plantam árvores e resistência no Rio de Janeiro

quinta-feira 1 abril 2021 - Filed under Campanha de Plantio de Arvores + Direitos Humanos + Mulheres + Notícias do MST Rio

Plantio de árvores cobrou respostas pelo assassinato de Marielle Franco em todo Brasil. (Foto: Pablo Vergara)

Há 3 anos o legado da vereadora Marielle Franco inspira as lutas populares no Brasil e pelo mundo afora. Exigimos Justiça pelo seu brutal assassinato e do motorista Anderson Gomes, quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê? 

Ao longo do mês de março, como parte da Jornada de Luta das Mulheres Sem Terra em 2021, o MST plantou árvores em homenagem à vereadora. Os Bosques Marielle Franco no Rio de Janeiro foram construídos a muitas mãos em diversos espaços, Assentamentos e Acampamentos com apoio da Justiça Global, Sindicato dos Servidores do Judiciário Federal no Rio de Janeiro (SISEJUFE), Mutirão Bem Viver e Campanha Nós por Nós.

Foram plantadas 15 mudas de árvores no Aterro do Cocotá, Ilha do Governador. (Foto: Pablo Vergara)

No Aterro do Cocotá, na Ilha do Governador (RJ), inauguramos o Bosque Marielle no dia 14 de março celebrando sua memória com esperança de que suas sementes continuem florescendo. Todas as ações foram realizadas conforme as normas sanitárias, no ar livre, com distanciamento e uso de máscara.

Inauguração do Bosque na Unidade Pedagógica de Agroecologia. (Foto: Alexandre Pinto)

Na Unidade Pedagógica de Agroecologia do Acampamento Edson Nogueira, em Macaé, uma roda de conversa relembrou a vida de Marielle Franco e sua trajetória como defensora dos Direitos Humanos. Na parte da tarde, o plantio de árvores foi realizado na frente da escola. Foram plantadas mudas de acerola, jaca, cajá, graviola, coco, mamão e cana. Abacate, manga, cana e plantas ornamentais também compõem o Bosque. O Assentamento PDS Osvaldo de Oliveira, também em Macaé, plantou mais 20 árvores.

Juventude e trabalhadores Sem Terra no Dandara dos Palmares construíram o Bosque. (Foto: Coletivo de Comunicação MST-RJ)

Ipê, abacate, laranja, limão, romã e café fazem parte do Bosque Marielle Franco construído no Assentamento Dandara dos Palmares, em Campos dos Goytacazes. Participaram da inauguração a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Sindipeteo NF, com o coletivo de saúde.

Bosque Marielle Franco no Assentamento Irmã Dorothy vai reflorestar o entorno da cachoeira. (Foto: Coletivo de Comunicação MST-RJ)

Com muita alegria e espírito de luta, os trabalhadores rurais Sem Terra do Sul Fluminense juntamente com o CRAS iniciaram a construção do Bosque Marielle Franco na área ao redor da cachoeira no Assentamento Irmã Dorothy, em Quatis. Foram plantadas mudas ipês, arueiras e árvores frutíferas. O projeto vai reflorestar toda margem da cachoeira, e transformar em um exuberante Bosque para que toda comunidade desfrute da área de lazer. O Assentamento Terra da Paz, em Piraí, e Maricá também vão construir Bosques Marielle Franco.

 ::  Share or discuss  ::  2021-04-01  ::  Clivia Mesquita

Ditadura nunca mais: MST e movimentos sociais fecham rodovia em Maricá (RJ)

quinta-feira 1 abril 2021 - Filed under Notícias do MST Rio

Manifestação também reivindicou Fora Bolsonaro, Auxílio Emergencial, vacinação e lockdown para salvar vidas (Fotos: Repórter Popular – Maricá)

Ditadura nunca mais! Na madrugada do dia 1 de abril, data do golpe militar de 1964, MST e trabalhadores da educação de Maricá bloquearam a RJ-106 para que nunca se esqueça dos assassinatos de ontem e de hoje.

Os assassinos de ontem formaram os de hoje, por isso seguimos sem esquecer nem perdoar nesses 57 anos do golpe empresarial-militar de 1964, que aprisionou o país em um porão por 21 anos (1964-1985). Um golpe de estado com apoio do imperialismo, assim como foi em outros países da América Latina naquele período. E no Brasil contou também com apoiadores e financiadores nos setores da classe dominante, como empresários, latifundiários e os principais veículos de comunicação.

No campo e nas florestas foram mais de 2000 assassinados por policiais e pistoleiros de latifundiários, entre indígenas, camponeses, e lideranças engajadas na luta pela terra e reforma agrária. Familiares foram perseguidos e torturados, além de advogados, religiosos de pastorais, jornalistas e militantes de oposição sindical que apoiavam a luta camponesa.

Após 57 anos os aparatos da ditadura nunca se desmontaram completamente, e se mostram cada vez mais presentes no governo genocida de Bolsonaro, que segue declarando guerra ao povo e entendendo os movimentos populares como inimigos internos. São mais de 300 mil mortos nessa grave crise de saúde e social, responsabilidade direta deste governo negacionista que conta com mais de 6.100 militares em cargos, teve a desastrosa atuação de um general no ministério da saúde e tendo o novo ministro da defesa, também general, emitindo uma nota de comemoração do golpe empresarial-militar. Enquanto isso, o povo segue sofrendo cada vez mais com a vida cara, com fome e morrendo sem vacinas em filas de espera por vagas em UTI.

No jogo que as classes dominantes querem impor, elas nunca podem perder. E para isso elas têm uma carta que “mata” todas as outras. É a repressão, a ditadura. O capitalismo ultraliberal, assim como o agronegócio, não vai dar solução para os problemas do povo, vai gerar cada vez mais desigualdade social, miséria e morte. São os assassinos de ontem e hoje que buscam se perpetuar no país, os escravocratas, os ditadores e torturadores, latifundiários e jagunços, os genocidas do povo.

Por isso dizemos ditadura nunca mais! Vacina para todos e todas! Organizar os territórios na luta pela terra e Reforma Agrária Popular! Em defesa das águas, florestas, sementes crioulas e gerando vida!

Pneus e madeira incendiados paralisaram o tráfego na Rodovia Amaral Peixoto (Foto: Repórter Popular – Maricá)

 ::  Share or discuss  ::  2021-04-01  ::  Clivia Mesquita

Armazém do Campo funciona apenas com entregas em domicílio no Rio de Janeiro

quinta-feira 25 março 2021 - Filed under Armazém do Campo RJ + Notícias do MST Rio

Com o agravamento da pandemia, a expectativa é aumentar o volume de pedidos e contribuir para que a população carioca fique em casa 

A militante do MST Vânia Valverde atende os pedidos do Armazém do Campo RJ que chegam semanalmente via formulário. (Foto: Pablo Vergara)

Por Coletivo de Comunicação MST-RJ

O Armazém do Campo RJ decidiu que o espaço físico da loja, localizado no Lapa, vai ficar fechado até o dia 26 de abril. As entregas em domicílio de produtos do MST serão reforçadas nesse período, funcionando de terça a sábado no Rio de Janeiro. No momento mais crítico da pandemia, a equipe espera atender mais consumidores e parceiros interessados em adquirir os alimentos da Reforma Agrária de forma segura. A expectativa também é contribuir para que a população carioca fique em casa.

Em nota, o Armazém RJ afirma que o mais importante é salvar vidas. E que o fechamento da loja por um mês é um gesto de solidariedade às famílias dos 300 mil mortos por Covid-19. A medida vai além das previstas em decreto para conter o avanço da doença no município do Rio. A partir desta sexta (26), os serviços não essenciais da cidade fecham as portas somente por dez dias.

“Estamos passando por um momento muito difícil da pandemia, quando o número de mortes só aumenta, leitos disponíveis quase já não existem mais na rede pública e privada, e os nossos governantes continuam minimizando e buscando saídas paliativas, que não enfrentam de fato o caos na saúde e a crise social que vivemos, afetando cada dia mais trabalhadoras e trabalhadores, em especial, mulheres chefes de família, ambulantes, negras, negros e favelados”, diz a nota.

Há 2 anos, a rede Armazém do Campo inaugurou a terceira loja de produtos do MST do país no coração da Lapa. O espaço é referência em alimentação saudável, arte, cultura e política. Local de encontros, resistência e comercialização dos mais diversos produtos da Reforma Agrária Popular e empresas parceiras, o Armazém também realiza ações de solidariedade. A Marmita Solidária, por exemplo, já distribuiu mais de 3 mil refeições para trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade no Rio. Desde o início da pandemia, a loja restringiu o acesso do público e adotou medidas sanitárias preventivas.

Serviço

O sistema de entregas do Armazém do Campo RJ funciona por meio de um formulário aberto duas vezes por semana. Entre as opções, legumes, frutas e verduras frescas, leite, arroz, feijão, café, bebidas prontas, grãos, cereais e farinhas. O pedido mínimo é de R$70 e o frete varia de acordo com a região da cidade. Produtos de higiene e acessórios como bonés e camisas também estão disponíveis para o público em cada pedido. Mais informações na página do Facebook Armazém do Campo RJ e pelo Instagram @armazemdocampo.rio.

Sucos, café, arroz, chocolates, melaço e até fitocosméticos da Reforma Agrária podem ser adquiridos Armazém do Campo RJ. (Foto: Pablo Vergara)

Leia a nota completa:

Car@s companheir@s e consumidores, informamos que a partir do dia 26 de março até o dia 26 de abril manteremos o espaço físico do Armazém do Campo fechado, funcionando apenas com entregas.

Estamos passando por um momento muito difícil da pandemia, quando o número de mortes só aumenta, leitos disponíveis quase já não existem mais na rede pública e privada, e os nossos governantes continuam minimizando e buscando saídas paliativas, que não enfrentam de fato o caos na saúde e a crise social que vivemos, afetando cada dia mais trabalhadoras e trabalhadores, em especial, mulheres chefes de família, ambulantes, negras, negros e favelados.

Para nós, o mais importante neste momento é salvar vidas, por isso tomamos a decisão do fechamento como gesto de solidariedade a todas as famílias que perderam seus entes queridos e para contribuir no entendimento da população de que é preciso ficar em casa.

No entanto, pedimos a todos e todas que não deixem de consumir e colaborar com o projeto Armazém do Campo, essa pandemia também tem nos colocado numa situação difícil para manter todos os custos em dia. Continue pedindo, comprando através do nosso WhatsApp (21) 99702-9303. Estaremos entregando alimentos saudáveis todos os dias da semana!

 ::  Share or discuss  ::  2021-03-25  ::  Clivia Mesquita

“MP da Grilagem” ameaça famílias no assentamento Irmã Dorothy (RJ)

quarta-feira 24 março 2021 - Filed under Notícias do MST Rio

Alteração da política de reforma agrária pode excluir famílias Sem Terra que moram no Irmã Dorothy, no Sul Fluminense, há 15 anos

Reunião do assentamento Irmã Dorothy antes da pandemia do coronavírus. Mais de 50 famílias estão apreensivas com o resultado do edital. (Foto: Coletivo de Comunicação MST-RJ)

Por Coletivo de Comunicação MST-RJ

A Medida Provisória nº 759, também conhecida como MP da Grilagem, editada pelo então presidente interino Michel Temer em 2016, alterou diversos pontos da política de reforma agrária. Como toda Medida Provisória, a MP da Grilagem tinha prazo de validade. No entanto, em 2017 ela é convertida na Lei nº 13.465, passando a ser definitiva.

Entre uma série de mudanças, a nova lei agrária altera o processo de seleção das famílias Sem Terra. É nesse contexto que mais de 50 famílias do assentamento Irmã Dorothy, em Quatis, localizado no Sul Fluminense, estão apreensivas em plena pandemia. Elas temem a possibilidade de serem excluídas dentro dos novos critérios que estabelecem um sistema de pontuação das famílias.

Segundo Edneia Pinto, coordenadora regional do MST, a última visita do INCRA em dezembro gerou instabilidade no Irmã Dorothy. “Vieram falar que não reconheciam ninguém como morador. Algumas famílias ficaram tão apreensivas que foram embora ou alugaram casa na cidade com medo do que possa acontecer”.

Pela regra antiga, a seleção das famílias para a reforma agrária não era feita por edital público e só poderiam participar as famílias acampadas no Irmã Dorothy ou que estivessem aguardando em outros assentamentos. A partir de 2017, podem participar da seleção qualquer pessoa que more em municípios vizinhos. Barra Mansa, Passa Vinte (MG), Porto Real, Resende e Valença podem se candidatar a um lote do assentamento Irmã Dorothy.

“Aqui temos muitos idosos, temos receio que famílias com mais força de trabalho passem por acima no edital, mas nós vamos vencer essa luta. Estamos organizados em núcleos e certos de que ou assenta todo mundo ou não assenta ninguém”, completa Edneia, coordenadora regional e moradora do Irmã Dorothy.

Ela explica que o assentamento é resultado da junção de acampamentos que acabaram se desfazendo ao longo dos anos na região. As famílias que estão desde o início da ocupação passaram por fases difíceis e de muita luta, chegando a morar embaixo de lonas, mas sempre se mantiveram unidas. É por isso que o lema “Não apaguem nossa história! Todas as famílias assentadas já” foi definido em assembleia para enfrentar esse momento.

Histórico

O processo de construção do Irmã Dorothy teve início em 2004, quando o INCRA começa a verificar se a Fazenda da Pedra era um latifúndio improdutivo. Em fevereiro de 2005, uma equipe do INCRA vai à fazenda, constata a improdutividade do imóvel e recomenda sua desapropriação para fins de reforma agrária.

Alguns meses depois, organizadas junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e ao Sindicato de Trabalhadores Rurais de Barra Mansa, as primeiras famílias ocuparam a Fazenda da Pedra para pressionar pela criação do assentamento no local.

Durante 9 longos anos, uma decisão judicial obrigou as famílias do Irmã Dorothy a permaneceram em uma pequena área correspondente a 2% do imóvel. Em 19 de outubro de 2006 foi publicado o Decreto Presidencial que autorizava a desapropriação da Fazenda da Pedra. Ainda naquele mês, os procuradores do INCRA entraram com a ação judicial de desapropriação.

Apesar da lei estabelecer prazo de 48 horas para imissão na posse pelo INCRA, essa só veio a acontecer oito anos depois, em outubro de 2014. Mesmo assim, o assentamento só foi criado oficialmente em setembro de 2015 e desde então nenhuma família foi cadastrada.

Com o início da pandemia, a produção de alimentos do assentamento Irmã Dorothy também ficou direcionada para as ações de solidariedade. Além da Marmita Solidária, que distribuiu mais de 1.400 refeições em Resende, o assentamento já organizou Feiras Popular e o Sopão Solidário. Alimentos saudáveis da Reforma Agrária como rúcula, couve, limão, goiaba e aipim chegaram à mesa de funcionários públicos, ao hospital São Lucas e famílias em situação de vulnerabilidade.

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Sr. Roberto Presente!

segunda-feira 15 março 2021 - Filed under Notícias do MST Rio

Nota de Pesar – MST/RJ, 15 de Março 2021.

É com pesar que informamos que o Assentado Sr. Roberto Barbosa Machado, do Assentamento Dandara dos Palmares, localizado em Campos dos Goytacazes, região Norte do RJ, faleceu esta manhã. A causa da morte está em investigação, e estamos aguardando o resultado da análise.
Sr. Roberto se une ao MST na região, nos anos de 2002, quando vê a perspectiva de acesso à Terra, em uma região marcada pela concentração de terras no entorno das usinas sucroalcooleiras, com a exploração máxima de trabalhadores e trabalhadoras rurais. A Luta pela Reforma Agrária para muitos destes trabalhadores passa a ser sua esperança de liberdade da exploração do capital.
Antes de chegar à antiga fazenda Betel, hoje Dandara dos Palmares, as famílias ficaram meses na beira da estrada, na frente da Usina Cana brava. No dia da ocupação, Sr Roberto foi um dos que ajudaram na entrada da Fazenda, na resistência, e na consolidação do assentamento.


Todos nos MST/RJ nos sentimos entristecidos, e nos solidarizamos com a família do Sr. Roberto.

Sr. Roberto, Presente!, Presente!, Presente!

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Podcast Terra Crioula #6: Mulheres contra os vírus e as violências

sexta-feira 12 março 2021 - Filed under Mulheres + Podcast + Terra Crioula

Ouça no podcast Terra Crioula o episódio “Mulheres contra os vírus e as violências”, especial para a semana da Jornada de Luta das Mulheres Sem Terra! Tem poesia, informação e entrevista com a Lisbet Julca, do Setor de Gênero do MST em São Paulo sobre o enfrentamento da violência contra mulher no campo, a participação das Mulheres Sem Terra nos espaços organizativos e como a Reforma Agrária Popular combate o patriarcado.

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Os que lutam toda vida são imprescindíveis

sexta-feira 12 março 2021 - Filed under Sem categoria

Com grande pesar, MST se despede de Joaquin Piñero

Joaquin iniciou sua militância no MST em São Paulo e dedicou mais de 20 anos de sua vida na luta pela terra. Foto: Arquivo MST

É com grande pesar que nos despedimos do companheiro Valquimar Reis, nosso estimado Joaquin Piñero ou Kima, como era carinhosamente chamado pela militância Sem Terra. Joaquin faleceu na noite desta última quinta-feira (11/3), após complicações em seu estado de saúde.

Rondonense, flamenguista, iniciou sua militância no MST em São Paulo e dedicou mais de 20 anos de sua vida na luta pela terra, pela Reforma Agrária Popular e por uma sociedade mais justa para a classe trabalhadora. Atuou em diversos setores, estados e missões internacionalistas no MST.

Violeiro, poeta, sempre nos encantou com sua moda enluarada, e era um apaixonado pelo samba.

Desempenhou várias atividades dentro do MST, entre elas relacionadas as tarefas internacionalistas, sendo nosso representante na Articulação dos Movimentos Populares da ALBA, participando de inúmeros processos importantes na América Latina.

Em certa ocasião teve uma prisão injusta, que roubou muitos meses de sua vida. Mesmo assim não desanimou, era exemplo de persistência e otimismo. Joaquin organizou um cursinho supletivo na cadeia e passou a ser conhecido pelos presos como “Professor!”. Todos seus alunos na turma passaram.

Nos últimos anos de sua vida atuou no Rio de Janeiro, dedicado nas articulações em diversos setores da sociedade. Estudou Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) através de uma turma especial do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Joaquin estava assentado no Irmã Dorothy, em Quatis, no interior do Rio.

A alegria, o companheirismo, o amor com a família e compromisso com a luta são algumas características de Joaquin. Sempre muito querido por todos ao seu redor foi um militante dedicado, movido por grandes sentimentos de amor, como nos legou Che Guevara.

Joaquin deixa duas filhas e uma companheira amada, as quais estendemos toda a nossa solidariedade neste momento de dor. A família Sem Terra perde um dos seus membros valorosos e reafirmamos o compromisso de nos mantermos na luta pela emancipação da classe trabalhadora.

O MST está de luto, mas honrará seu legado de militância e dedicação.

Rio de Janeiro, 12 de março de 2021
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

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